Temporal destrói sonho de família produtora de leite no Rio Grande do Sul; vídeo

Família Casteli havia investido em um dos mais modernos sistemas de ordenha robotizada da região; ventos extremos destruíram completamente o barracão das vacas e deixaram prejuízo estimado em cerca de R$ 500 mil

Na noite da última terça-feira (28), justamente no Dia do Agricultor, o Rio Grande do Sul voltou a mostrar a força implacável da natureza. Enquanto milhares de produtores encerravam mais uma jornada de trabalho, uma sequência de temporais severos avançava sobre o Estado, levando destruição por onde passava. Entre as propriedades atingidas está a Agro Casteli, localizada na comunidade de Passo do Padre, entre Selbach e Colorado, onde anos de trabalho foram colocados abaixo em questão de minutos.

O que antes era um exemplo de modernização da pecuária leiteira transformou-se em um cenário de guerra. A cobertura do galpão onde estavam alojadas mais de 50 vacas foi arrancada pela força do vento, postes de concreto foram quebrados, árvores tombaram e telhas ficaram espalhadas por toda a propriedade. O sistema de ordenha robotizada, orgulho da família, ficou exposto e parte da estrutura precisou ser reconstruída às pressas para evitar perdas ainda maiores.

“Foi tudo muito rápido”

Rosângela Casteli lembra que tudo aconteceu em poucos segundos. A família observava os relâmpagos quando a primeira rajada de vento atingiu a propriedade. Assustados, correram para o banheiro da casa, o único local onde acreditavam estar protegidos.

Quando o vento pareceu diminuir, Rosângela abriu a porta e encontrou o pátio coberto por granizo. Pensou até em registrar a cena com o celular, mas uma nova rajada, muito mais intensa, obrigou todos a voltarem para o abrigo.

Foi nesse momento que ouviram um estrondo ensurdecedor. Quando finalmente conseguiram sair, encontraram o barracão das vacas completamente destruído. “Foi questão de segundos. A gente só escutava o barulho do zinco voando”, recorda.

O sonho que finalmente havia dado certo

A destruição ganha um peso ainda maior porque aconteceu justamente quando a propriedade vivia sua melhor fase. Depois de anos enfrentando dificuldades, a família havia conseguido colocar em funcionamento um moderno sistema de confinamento com ordenha robotizada, considerado um dos mais avançados do município.

Segundo Luana Casteli, que está concluindo o curso de Medicina Veterinária e se prepara para assumir a sucessão da propriedade, finalmente todos os pilares da produção estavam alinhados. Nutrição, reprodução, manejo e produtividade começavam a entregar os resultados esperados depois de anos de aprendizado e investimentos.

“Agora que a gente tinha conseguido alinhar tudo, aconteceu isso”, resume Luana, emocionada.

Anos de renúncias destruídos em minutos

Para Rosângela, o prejuízo vai muito além do valor financeiro. Cada parte daquela estrutura representa décadas de trabalho, economia e escolhas difíceis feitas pela família para investir na atividade leiteira.

Ela conta que abriram mão de muitos sonhos pessoais para melhorar a propriedade. Primeiro vieram os anos trabalhando com vacas a pasto. Depois os investimentos no confinamento. No meio do caminho, ainda enfrentaram um golpe durante a construção do barracão, mas conseguiram superar as dificuldades e seguir em frente.

Agora, quando tudo parecia finalmente estabilizado, o temporal obrigou a família a pensar novamente em recomeçar. “É praticamente começar do zero outra vez”, desabafa.

A prioridade passou a ser salvar o rebanho

Apesar da destruição da estrutura, nenhuma pessoa ou animal ficou ferido. Ainda assim, as horas seguintes foram de muita tensão. As vacas ficaram sem acesso normal ao sistema de ordenha e muitas passaram mais de um dia sem serem ordenhadas, aumentando o estresse dos animais.

Com apoio de empresas parceiras, eletricistas e técnicos especializados, foi possível religar parte da estrutura utilizando geradores. O objetivo era preservar o funcionamento do robô de ordenha e evitar perdas ainda maiores na produção de leite.

Prejuízo pode chegar a R$ 500 mil

A família ainda contabiliza os danos, mas estima que somente a estrutura destruída represente um prejuízo próximo de R$ 500 mil. O cálculo não inclui perdas na produção, danos à alimentação do rebanho nem os custos que serão necessários para reconstruir toda a cobertura do barracão.

Além da propriedade da família Casteli, outras áreas da região também sofreram com o temporal. Redes elétricas foram derrubadas, lavouras danificadas e diversas propriedades rurais registraram estragos provocados pelos ventos extremos.

A força da solidariedade no campo

Se a tempestade mostrou toda a sua violência, a resposta da comunidade também chamou atenção. Ainda durante a madrugada começaram a chegar vizinhos, amigos, técnicos e empresas parceiras dispostos a ajudar. No dia seguinte, mais de 25 pessoas trabalhavam na propriedade retirando ferragens, protegendo a silagem, reorganizando equipamentos e preparando a reconstrução.

Produtores de Selbach, Colorado, Tio Hugo, Soledade e municípios vizinhos se mobilizaram espontaneamente. Para Rosângela, essa corrente de solidariedade trouxe esperança justamente quando a família mais precisava. “A gente nunca sabe quando vai ser a nossa vez. Hoje somos nós recebendo essa ajuda”, afirma.

Uma tragédia que retrata a realidade do campo gaúcho

A história da Agro Casteli resume o drama vivido por inúmeros produtores atingidos pelos temporais que passaram pelo Rio Grande do Sul. Em poucos minutos, a natureza foi capaz de destruir investimentos construídos ao longo de décadas, deixando famílias inteiras diante do desafio de reconstruir não apenas estruturas, mas também projetos de vida.

Mesmo diante dos escombros, Rosângela mantém a esperança que sempre acompanhou quem vive da terra. “Cada desafio deixa uma lição. Não foi o primeiro problema que enfrentamos e também não será o último. O importante é ter força, persistência e coragem para reconstruir tudo novamente.” Uma frase que resume não apenas a história da família Casteli, mas também a resiliência do produtor rural gaúcho.

Com informações do Jornal O Alto do Jacuí

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