Alciro José Marques usou o salário do trabalho nas fazendas para comprar pequenas áreas de terra e construiu, em Minas Gerais, uma produção leiteira que hoje utiliza tecnologia e gestão especializada
O que começou com dez vacas e uma pequena propriedade de 11 hectares se transformou em uma produção de aproximadamente 4,2 mil litros de leite por dia. Essa é a trajetória de Alciro José Marques, produtor rural de Guimarânia, no Alto Paranaíba mineiro, que passou anos trabalhando como funcionário de fazenda e tratorista antes de conseguir viver da própria atividade. Sua história foi divulgada pelo Sebrae Minas em outubro de 2026.
Sem grandes recursos no início, Alciro aproveitava o dinheiro recebido pelo trabalho para comprar pequenas parcelas de terra. Com o passar dos anos, investiu na alimentação do rebanho, ampliou a propriedade e adotou tecnologias que ajudaram a transformar a criação familiar em uma operação leiteira estruturada. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Do salário de tratorista à primeira propriedade
Antes de se tornar produtor, Alciro conheceu a rotina da pecuária leiteira trabalhando para outros fazendeiros. Posteriormente, passou a atuar como tratorista, atividade que exigia viagens frequentes, mas permitia guardar dinheiro para realizar o sonho de trabalhar por conta própria.
Após a morte do pai, começou a comprar gradualmente as partes dos irmãos em uma propriedade herdada pela família. Também adquiriu pequenos terrenos de vizinhos e familiares sempre que surgia uma oportunidade.
Aos 35 anos, depois de se casar com Vânia, decidiu deixar o trabalho com máquinas agrícolas para se dedicar à criação de gado. Na época, contava com uma casa simples, uma pequena área rural e apenas dez vacas.
A alimentação dos animais era baseada principalmente em cana-de-açúcar, cultivada na propriedade. Segundo o relato apresentado ao Sebrae, cada vaca produzia, em média, 18 litros de leite por dia. Para complementar a renda da família, Alciro também fabricava queijos.
A primeira mudança importante veio cerca de três ou quatro anos depois, quando conseguiu comprar uma chácara vizinha. Na área, passou a plantar milho para produção de silagem, melhorando o fornecimento de alimento ao rebanho. Com isso, a produtividade média subiu para aproximadamente 20 a 22 litros por animal diariamente.
Produção saltou de 700 para 4,2 mil litros por dia
O crescimento ganhou força a partir de maio de 2016, quando o produtor começou a receber acompanhamento técnico do Educampo, programa do Sebrae voltado à gestão de propriedades rurais.
Com orientação do consultor Rafael Campos, Alciro passou a avaliar de maneira mais criteriosa os investimentos, as compras e as mudanças necessárias para ampliar a atividade.
Durante esse período, a produção diária passou de aproximadamente 700 para 4.200 litros de leite, um crescimento de 500%, conforme os números apresentados pelo Sebrae Minas.
O avanço envolveu diversas melhorias. Uma delas foi a implantação do compost barn, sistema de confinamento em que as vacas permanecem em galpões cobertos, sobre uma cama coletiva de material orgânico, com condições planejadas para proporcionar conforto aos animais.
A tecnologia também é utilizada em outras propriedades brasileiras, como mostra a experiência de uma fazenda que ampliou a produção em 380% após mudanças no manejo e nas instalações.
Além do confinamento, Alciro investiu no melhoramento genético do rebanho. Segundo o Sebrae, a propriedade alcançou uma média próxima de 40 litros de leite por vaca ao dia, embora o número atual de animais em lactação não tenha sido divulgado.

Ração própria, energia solar e novos investimentos
A ampliação da produção exigiu mudanças na administração da fazenda. Para melhorar o controle dos custos, Alciro passou a fabricar a própria ração, trabalhar com grãos úmidos e utilizar energia solar.
Esses investimentos fazem parte da estratégia de modernização da atividade, embora não tenham sido divulgados valores que permitam calcular a economia obtida ou a lucratividade da propriedade.
A trajetória acompanha uma transformação da pecuária leiteira brasileira. Dados do IBGE mostram que, em 2025, o país produziu 36,7 bilhões de litros de leite, crescimento de 2,7%, mesmo com redução no número de vacas ordenhadas. O resultado reforça a importância dos ganhos de produtividade para o setor.
Minas Gerais permaneceu como o maior estado produtor de leite do Brasil, em um mercado no qual eficiência produtiva e gestão dos custos ganham cada vez mais relevância.
Família acompanha o crescimento da fazenda
A expansão não afastou Alciro das origens familiares da atividade. Sua esposa, Vânia, continua participando da trajetória, assim como o filho do casal, que tinha 18 anos quando a história foi publicada pelo Sebrae e acompanhava a rotina rural desde criança.
Recentemente, o produtor também adquiriu outra fazenda, ampliando a área destinada à pecuária leiteira. A extensão total da propriedade não foi informada.
A história de Alciro mostra uma transformação construída ao longo dos anos, desde a compra das primeiras terras com o salário de tratorista até a adoção de tecnologias e acompanhamento especializado. Mais do que aumentar o rebanho, ele precisou aprender a produzir melhor e administrar uma atividade que crescia a cada investimento.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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