El Niño pode ser o mais forte desde 1950 e preocupa o agro em 2026

NOAA aponta 81% de chance de intensidade muito forte no fim do ano; distribuição irregular das chuvas ameaça o planejamento da safra 2026/27

O El Niño em 2026 pode atingir intensidade muito forte e ficar entre os maiores episódios registrados desde 1950. A projeção aumenta a preocupação do agronegócio brasileiro às vésperas do plantio da safra 2026/27, principalmente nas regiões sujeitas a seca, calor excessivo ou excesso de chuva.

De acordo com o Centro de Previsão Climática da NOAA, há 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O órgão norte-americano também calcula em 97% a chance de continuidade do El Niño até o início de 2027.

A NOAA ressalta, porém, que um evento intenso não provoca os mesmos efeitos em todos os locais. A força do fenômeno aumenta a possibilidade de extremos climáticos, mas as consequências dependem da região, do período e da interação com outros sistemas atmosféricos.

El Niño em 2026 ameaça calendário da safra

No Brasil, os órgãos oficiais projetam chuva acima da média em áreas do Sul e volumes menores no centro-norte do país. Também há previsão de temperaturas elevadas durante o segundo semestre, com maior possibilidade de ondas de calor e incêndios florestais.

Para soja e milho, o risco mais imediato está na implantação das lavouras. Chuvas isoladas podem estimular o início do plantio, mas uma interrupção posterior das precipitações pode comprometer a germinação e obrigar o produtor a replantar.

Um atraso na soja também reduz a janela disponível para o milho de segunda safra e o algodão. Com isso, essas culturas podem chegar às fases mais sensíveis do ciclo quando as chuvas já estiverem diminuindo.

O Ministério da Agricultura criou um grupo de trabalho com participação do INMET e da Embrapa para avaliar os impactos sobre soja, milho, trigo, feijão, café, cana-de-açúcar e mandioca. O grupo também deverá propor medidas de adaptação para a safra.

Sul enfrenta excesso de chuva; Centro-Norte teme seca

Os efeitos esperados dividem o país em dois cenários principais. No Sul, o aumento das precipitações pode atrasar operações no campo, encharcar o solo e favorecer doenças nas lavouras.

Trigo, feijão e frutas estão entre as produções mais expostas ao excesso de umidade. Soja e milho também podem enfrentar dificuldades no plantio, na aplicação de defensivos e na colheita.

No Centro-Oeste, Norte, Nordeste e parte do Sudeste, a preocupação é oposta. A combinação de chuva irregular e temperaturas elevadas aumenta o risco de veranicos durante o estabelecimento das lavouras.

Mato Grosso e Matopiba exigem atenção especial por concentrarem grandes áreas de soja, milho e algodão cultivadas sem irrigação. Nessas regiões, a produtividade depende diretamente da regularidade das chuvas.

Café, cana e pecuária também entram no radar

No café, o principal ponto de atenção será a florada que dará origem à próxima safra. Calor excessivo ou falta de chuva após a abertura das flores pode reduzir o pegamento e limitar o potencial produtivo.

Na cana-de-açúcar, chuvas frequentes podem prejudicar a colheita no Centro-Sul. Já períodos secos prolongados podem afetar o desenvolvimento das áreas em formação. A Embrapa inclui café, cana, soja e milho entre as culturas vulneráveis ao novo episódio climático.

A pecuária pode ser afetada pelo calor e por uma eventual alta no custo da alimentação. Caso o clima reduza a oferta de milho e soja, os preços das rações podem subir e pressionar a produção de aves, suínos, leite e bovinos confinados.

El Niño em 2026 aumenta risco, mas não confirma quebra

A previsão de um fenômeno muito forte não representa, por si só, uma quebra generalizada da safra. Os impactos dependerão da duração dos períodos secos, do volume de chuva, da fase das culturas e das condições de cada propriedade.

A Organização Meteorológica Mundial prevê rápida intensificação do El Niño e alerta para maior possibilidade de secas, chuvas fortes e ondas de calor em diferentes regiões do mundo. Os modelos indicam anomalias superiores a 2°C nas águas do Pacífico Equatorial.

Para o produtor, o cenário exige acompanhamento frequente das previsões, cautela na definição do plantio e medidas de proteção do solo e da produção. O risco climático já está colocado, mas a dimensão dos efeitos será definida pelo comportamento das chuvas nos próximos meses.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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