Inovação genética na pecuária leiteira pode reduzir emissões e aumentar a eficiência produtiva de forma sustentável. Criada para emitir menos gases, Hilda é a primeira bezerra do rebanho de vacas de Langhill, no sul do país, a nascer por meio de fertilização in vitro.
Vacas editadas geneticamente vão salvar o mundo do aquecimento global? Novas esperanças para a redução das emissões de metano na pecuária leiteira surgiram com o nascimento de Hilda, uma bezerra produzida através da fertilização in vitro como parte do projeto Cool Cows, na Escócia. A iniciativa, conduzida pelo Centro de Pesquisa de Laticínios do Rural College (SRUC), visa criar um rebanho mais eficiente e com menor impacto ambiental.
Hilda é resultado de um trabalho científico liderado pelo Professor Richard Dewhurst, especialista em produção de leite e sustentabilidade. O projeto utiliza a técnica de fertilização in vitro (FIV) para selecionar geneticamente animais que emitam menos metano sem comprometer a produtividade.
De acordo com os pesquisadores, espera-se que vacas como Hilda possam produzir 1 a 2% menos emissões de metano em comparação com animais não selecionados. Essa abordagem, se aplicada em larga escala, pode representar um passo significativo rumo à meta de zero emissão líquida, contribuindo para a sustentabilidade global da indústria de laticínios.
Hilda é a primeira bezerra nascida por FIV no rebanho Langhill, em Dumfries, um rebanho que fornece dados valiosos para a pecuária leiteira do Reino Unido há mais de 50 anos. A utilização da fertilização in vitro permite acelerar o intervalo entre gerações, dobrando a taxa de ganho genético. Em vez de um bezerro a cada 24 meses, a técnica permite obter dois bezerros aprimorados em apenas 12 meses, aumentando a eficiência na seleção de características desejadas.
Acelerando a redução do metano na pecuária leiteira
Hilda é o resultado da combinação de três tecnologias, explica Mike Coffey, professor da Scotland’s Rural College, uma universidade com foco em sustentabilidade e parceira do projeto. Elas são: a capacidade de prever a produção de metano de uma vaca com base em seu DNA, a extração de óvulos de animais mais jovens e a sua fertilização com sêmen selecionado.
“Você mistura essas três [tecnologias] e isso permite acelerar a seleção de fêmeas para reduzir a produção de metano, um bezerro de cada vez”, diz Coffey, acrescentando que repetir esse procedimento durante alguns anos levaria a um rebanho com baixa emissão de metano.
A combinação de tecnologias reprodutivas como OPU-IVP-ET (coleta de oócitos, fertilização in vitro e transferência de embrião) com novas ferramentas genômicas é a chave para identificar e multiplicar bovinos de alto desempenho em emissões e produtividade. Essa abordagem permite selecionar animais que atendam não apenas às metas ambientais, mas também a índices econômicos como o Índice de Vida Lucrativa (PLI).

Com o consumo global de laticínios em crescimento, torna-se essencial desenvolver soluções inovadoras para a redução do impacto ambiental da pecuária. O projeto Cool Cows recebeu £ 335.000 (cerca de R$2.488.726,44 de reais) de financiamento da Digital Dairy Chain, uma parceria entre a SRUC, a empresa de genética Semex e a Paragon.
Rob Simmons, diretor da Paragon, destacou que a seleção genética para eficiência no metano será essencial para equilibrar a produção de alimentos com a necessidade de reduzir as emissões. Já Stuart Martin, diretor da Digital Dairy Chain, afirmou que o nascimento de Hilda representa um marco na busca por uma pecuária mais limpa e eficiente, servindo de modelo para futuras gerações de bovinos sustentáveis.
A previsão dos cientistas é de que, com a continuidade do projeto, seja possível estabelecer um núcleo de bezerros altamente eficientes em metano em um curto espaço de tempo. Com a repetição do processo de FIV, espera-se um avanço mais rápido no desenvolvimento de uma pecuária leiteira mais responsável ambientalmente.
A criação de bovinos geneticamente aprimorados abre um leque de possibilidades para atender às demandas de uma sociedade cada vez mais exigente por produtos sustentáveis, mantendo a produtividade e contribuindo para a redução das emissões globais da indústria de laticínios.
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