Tecnologia com câmeras térmicas e alto-falantes passou a ser usada na Coreia do Sul para localizar trabalhadores rurais expostos às altas temperaturas e reforçar medidas de prevenção durante ondas de calor
Em meio a uma das ondas de calor mais severas do ano, a Coreia do Sul passou a usar uma tecnologia já conhecida no agronegócio para uma função bem diferente. Em vez de monitorar lavouras, identificar falhas no plantio ou apoiar pulverizações, drones estão sendo empregados para localizar agricultores em áreas rurais e alertá-los sobre os riscos da exposição prolongada às altas temperaturas.
A medida foi adotada na província de Gyeongsang do Norte, uma importante região agrícola do país, onde o calor extremo tem aumentado a preocupação com trabalhadores que permanecem no campo durante os horários mais críticos do dia. Segundo informações divulgadas pela Reuters, as temperaturas chegaram a superar os 40°C em algumas regiões sul-coreanas, enquanto o país contabilizava mortes relacionadas ao calor ao longo da temporada.
Tecnologia chega onde os alertas tradicionais nem sempre alcançam
Nas áreas rurais, especialmente em propriedades extensas, nem sempre os sistemas convencionais de aviso são suficientes.
Produtores podem estar distantes das residências, operando máquinas ou trabalhando em pontos onde os alto-falantes instalados nas comunidades não são ouvidos com clareza. Foi justamente para reduzir essa limitação que os drones passaram a ser incorporados às ações de prevenção.
Os equipamentos utilizados na operação contam com alto-falantes capazes de transmitir orientações diretamente sobre as áreas agrícolas, recomendando pausas, hidratação e interrupção das atividades quando as condições climáticas se tornam perigosas.
Além disso, alguns drones possuem câmeras térmicas, recurso que facilita a identificação de pessoas espalhadas por grandes extensões de terra.
Na prática, a tecnologia cria uma espécie de patrulhamento aéreo voltado à segurança de quem trabalha no campo.
Agricultores idosos estão entre os principais grupos de risco
A estratégia também está relacionada ao perfil da população rural sul-coreana.
Na província de Gyeongsang do Norte, uma parcela expressiva dos agricultores é formada por pessoas idosas, grupo considerado mais vulnerável aos efeitos do calor intenso.
Dados citados pela Reuters indicam que aproximadamente 59% da população ligada à agricultura na região está nessa faixa etária.
O cenário exige atenção adicional porque atividades agrícolas normalmente envolvem exposição direta ao sol, esforço físico e longos períodos ao ar livre.
Com isso, o problema deixa de ser apenas climático e passa a envolver também uma questão de saúde e segurança ocupacional.
Drones já eram usados no campo, mas para outra finalidade
O uso dessa tecnologia na região não começou com a atual onda de calor.
Os equipamentos já faziam parte de operações realizadas pelas autoridades locais e haviam sido empregados anteriormente no monitoramento de animais silvestres e áreas florestais.
Com o agravamento das temperaturas, a mesma estrutura passou a ser adaptada para apoiar ações de proteção aos trabalhadores rurais.
A mudança mostra uma tendência cada vez mais comum no agronegócio: tecnologias desenvolvidas inicialmente para ganho de eficiência começam a assumir também funções ligadas à segurança e à adaptação climática.
Calor extremo altera a rotina de trabalho no campo
As autoridades sul-coreanas também reforçaram recomendações para reduzir a exposição nos horários mais quentes.
Em algumas regiões, agricultores e trabalhadores rurais foram orientados a evitar atividades externas durante boa parte do período entre o fim da manhã e a tarde, quando as temperaturas alcançam os níveis mais elevados.
Outras medidas incluem hidratação frequente, pausas em locais sombreados e acompanhamento mais próximo de trabalhadores idosos ou que atuam sozinhos.
Essas recomendações ganharam força à medida que os episódios de calor extremo passaram a afetar não apenas a saúde dos trabalhadores, mas também a própria rotina produtiva das propriedades.
Um agricultor entrevistado pela Reuters, por exemplo, relatou que precisou reduzir sua jornada e reorganizar parte da mão de obra diante das temperaturas elevadas.
Tecnologia passa a proteger também quem produz
O uso dos drones na Coreia do Sul chama atenção justamente por inverter a lógica mais conhecida dessa tecnologia no agronegócio.
Durante anos, as aeronaves não tripuladas ganharam espaço principalmente pela capacidade de gerar mapas, acompanhar o desenvolvimento das culturas, identificar problemas e apoiar aplicações mais precisas.
Agora, o mesmo recurso começa a ser utilizado para monitorar condições de trabalho e reduzir riscos humanos dentro das propriedades.
A iniciativa ainda é complementar e não substitui políticas de prevenção, assistência médica ou fiscalização. Ainda assim, mostra como ferramentas já presentes no campo podem ganhar novas funções diante de eventos climáticos cada vez mais intensos.
Em um cenário em que temperaturas extremas tendem a afetar de forma crescente a produção agrícola e a rotina de quem trabalha ao ar livre, os drones deixam de observar apenas a lavoura e passam também a ajudar a proteger quem está nela.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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