Dois superpetroleiros com petróleo saudita são atacados em Ormuz; petróleo dispara e pode pressionar custos do agro

Embarcações transportavam cerca de 4 milhões de barris quando foram atingidas na saída de uma das principais rotas petrolíferas do mundo; Brent superou US$ 92 e amplia atenção sobre diesel e fretes

O ataque contra superpetroleiros com petróleo saudita no Estreito de Ormuz colocou novamente o mercado global de energia em alerta nesta terça-feira (1º). Duas embarcações carregadas na Arábia Saudita foram atingidas por projéteis enquanto deixavam a região do Golfo Pérsico, provocando uma rápida reação das cotações internacionais do petróleo e aumentando as preocupações sobre possíveis reflexos nos custos de combustíveis e transportes.

De acordo com informações divulgadas pela Reuters, os navios Sidr e Senegal Prosperity foram atingidos em ocorrências registradas com poucos minutos de diferença. Cada embarcação transportava aproximadamente 2 milhões de barris de petróleo, totalizando cerca de 4 milhões de barris. Até as primeiras informações disponíveis, não havia registro de vítimas entre as tripulações. A origem dos projéteis também não havia sido determinada.

Ataque a superpetroleiros com petróleo saudita aumenta tensão no Golfo

Os incidentes ocorreram nas proximidades de Khasab, em Omã, quando os navios seguiam para fora do Estreito de Ormuz.

O local é considerado um dos pontos mais sensíveis do comércio mundial de energia porque funciona como saída marítima para grandes produtores do Oriente Médio.

Dados da Energy Information Administration (EIA) ajudam a dimensionar essa importância. No primeiro semestre de 2025, aproximadamente 20,9 milhões de barris de petróleo e derivados atravessavam diariamente o Estreito de Ormuz.

O volume correspondia a aproximadamente 20% do consumo mundial de líquidos de petróleo, fazendo de qualquer ameaça à navegação na região um fator capaz de alterar rapidamente as expectativas do mercado.

A passagem é utilizada principalmente para o escoamento da produção de países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Irã.

Brent supera US$ 92 após novos ataques

As cotações reagiram logo após as notícias sobre os ataques.

O petróleo Brent ultrapassou US$ 92 por barril, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, também avançou durante as negociações.

Mais do que o volume transportado pelos dois navios atingidos, o mercado passou a precificar o risco de que novos episódios afetem a circulação de petroleiros pelo Golfo Pérsico.

Conflitos em regiões estratégicas costumam elevar o chamado prêmio de risco geopolítico, incorporado às cotações quando investidores e empresas enxergam possibilidade maior de interrupção no fornecimento.

A navegação também pode ficar mais cara com o aumento dos valores cobrados por seguros e fretes marítimos em áreas consideradas de maior risco.

Ormuz tem poucas alternativas para escoamento do petróleo

A relevância do estreito aumenta porque os países produtores possuem capacidade limitada para substituir completamente a rota marítima.

Segundo estimativas da EIA, oleodutos disponíveis principalmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos oferecem aproximadamente 4,7 milhões de barris por dia de capacidade alternativa.

O número é muito inferior ao volume que historicamente passa pelo estreito.

Isso significa que uma interrupção prolongada em Ormuz dificilmente poderia ser compensada integralmente por outras rotas no curto prazo, aumentando a sensibilidade dos preços internacionais diante de novas ameaças à navegação.

Superpetroleiros com petróleo saudita colocam diesel no radar do agro

Para o agronegócio brasileiro, o efeito mais relevante de uma valorização persistente do petróleo está no mercado de combustíveis, principalmente no óleo diesel.

O combustível possui peso direto na produção e na logística rural. É utilizado em tratores, colheitadeiras, pulverizadores e outras máquinas, além de movimentar grande parte dos caminhões responsáveis pelo transporte de insumos e pelo escoamento das safras.

Por isso, uma alta prolongada das referências internacionais pode aumentar os custos para importadores de derivados e criar pressão sobre os preços domésticos.

Isso não significa, entretanto, que a valorização do Brent resulte automaticamente em aumento do diesel nas bombas brasileiras.

O preço final depende também de fatores como câmbio, estratégia comercial das refinarias, importações, tributos, mistura de biocombustíveis e custos logísticos.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acompanha, inclusive, indicadores relacionados ao preço de paridade de importação, que consideram o custo necessário para colocar o combustível internacional no mercado brasileiro.

Frete pode ampliar impacto sobre o produtor

Se a pressão sobre os combustíveis persistir, outro ponto de atenção será o transporte rodoviário.

O Brasil depende fortemente das rodovias para levar soja, milho, café, algodão, carnes e diversos outros produtos entre as regiões produtoras, unidades de processamento, armazéns e portos.

Regiões agrícolas localizadas a centenas ou milhares de quilômetros dos principais terminais de exportação ficam especialmente expostas às oscilações do diesel.

Um aumento no combustível pode aparecer não apenas na operação dentro das propriedades, mas também na conta do frete para retirada da produção e entrega dos insumos.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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