Foco foi identificado em granja de perus em Nova Itaberaba; doença exige controle rigoroso na produção, mas costuma causar quadros leves nas pessoas infectadas
O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou, nesta segunda-feira (19), um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus de corte em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A propriedade foi interditada e teve a movimentação de aves suspensa. O diagnóstico foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo após investigação do Serviço Veterinário Oficial catarinense.
O anúncio coloca a avicultura em atenção pela capacidade de disseminação do vírus entre aves e pelas possíveis consequências comerciais. Para a população, entretanto, o risco tem outra dimensão: a Newcastle pode infectar humanos, mas geralmente provoca conjuntivite leve e passageira, segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Granja interditada e medidas de contenção
As ações na propriedade seguem o plano de contingência para influenza aviária e doença de Newcastle. O Mapa informou que a ocorrência será comunicada à OMSA e aos parceiros comerciais, conforme os compromissos internacionais de transparência sanitária.
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que as medidas sanitárias adotadas alcançarão 133 propriedades na região. Esse número corresponde à abrangência das ações anunciadas e não significa que existam 133 focos confirmados.
Newcastle pode passar para humanos
Sim. A infecção humana é possível, especialmente em situações de exposição ao vírus no manejo de aves infectadas ou de material contaminado. A ficha técnica do Mapa reconhece a Newcastle como uma zoonose capaz de provocar conjuntivite transitória.
O manual da OMSA descreve como manifestações mais bem documentadas:
- Vermelhidão em um ou nos dois olhos;
- Lacrimejamento excessivo;
- Inchaço das pálpebras;
- Conjuntivite.
Os episódios relatados geralmente são leves e autolimitados, ou seja, tendem a desaparecer com a evolução do quadro. Quem apresentar sintomas após contato com aves suspeitas deve procurar atendimento e informar essa exposição.
Consumo de produtos inspecionados continua seguro
O Mapa reforçou que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanecem seguros para consumo. A confirmação de um foco na produção não significa que os alimentos disponíveis regularmente no comércio estejam contaminados.
A interdição da granja e o controle da movimentação integram justamente a resposta sanitária para conter a ocorrência e impedir sua disseminação.
Nas aves, doença pode provocar perdas graves
Embora o quadro humano costume ser leve, a Newcastle é altamente contagiosa entre aves. A transmissão pode ocorrer pelo contato com animais infectados, fezes e secreções, além de água, alimentos, equipamentos e roupas contaminados.
Os sinais de alerta incluem dificuldade respiratória, diarreia, torcicolo, alterações nervosas, redução do consumo de água e ração, queda na produção de ovos e mortalidade elevada. A suspeita deve ser comunicada imediatamente ao serviço oficial de defesa sanitária, sem aguardar que o problema se espalhe pelo plantel. Em Santa Catarina, a orientação é acionar a Cidasc.
Apesar da semelhança de alguns sintomas, Newcastle e influenza aviária são doenças diferentes. A confirmação depende de exames laboratoriais, pois a observação dos animais, isoladamente, não permite distinguir os quadros com segurança.
Exportações dependem das avaliações dos compradores
Além da contenção sanitária, o setor acompanha a reação dos mercados importadores. No anúncio inicial, o secretário interino de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Rafael Requião, informou que ainda era cedo para apontar eventuais suspensões de compras.
Até aquele momento, portanto, não havia informação concreta sobre possíveis restrições comerciais decorrentes do foco confirmado em Santa Catarina.
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