Do hectare de R$ 6 mil ao de quase R$ 60 mil: quanto custa a terra agrícola no Brasil?

Novo levantamento mostra que o hectare agrícola médio chegou a R$ 40,1 mil no país em 2026; comparação com 2024 revela diferenças expressivas entre estados e ajuda a entender o que determina o valor da terra

Quanto custa um hectare de terra no Brasil? A resposta de quanto custa a terra agrícola pode ir de pouco mais de R$ 6 mil a quase R$ 60 mil quando consideradas as médias estaduais levantadas pela Scot Consultoria em 2024. Dois anos depois, o mercado avançou para um novo patamar: em 2026, o hectare destinado à agricultura alcançou média nacional de R$ 40,1 mil, mostrando que, mesmo com juros elevados e menor ritmo de negócios, a terra segue valorizada — e com diferenças expressivas de preço entre as regiões do país.

A 47ª edição do Relatório de Terras da Scot Consultoria, divulgada nesta quarta-feira (9), traz uma fotografia atualizada do mercado em 17 estados. Na média nacional, o hectare destinado à agricultura está avaliado em R$ 40.147, enquanto as áreas de pastagem aparecem em R$ 23.387 por hectare.

Os números ajudam a dimensionar a transformação de um dos principais ativos do agronegócio brasileiro. Mas a média nacional esconde diferenças enormes entre regiões, estados e até propriedades localizadas a poucos quilômetros umas das outras.

De R$ 6 mil a quase R$ 60 mil por hectare, quanto custa a terra agrícola?

A dimensão dessa diferença fica evidente quando se volta à 40ª edição do Relatório de Terras da Scot, referente ao período de abril a julho de 2024.

Naquele levantamento, entre os 17 estados pesquisados, o Piauí apresentava o menor preço médio para terras de pastagem, de R$ 6.466,67 por hectare. No outro extremo, São Paulo chegava a R$ 44.313,33/ha.

Nas terras agrícolas, a diferença era ainda mais expressiva. O hectare médio partia de R$ 13,3 mil no Piauí e alcançava R$ 59,2 mil no Paraná. São Paulo aparecia praticamente empatado, com R$ 58.206,67/ha.

Entre os grandes estados produtores, Goiás registrava R$ 47,3 mil por hectare agrícola; Mato Grosso, R$ 36.975; Mato Grosso do Sul, R$ 40.970; Rio Grande do Sul, R$ 45.785,71; e Santa Catarina, R$ 42,9 mil.

A Scot ressalta que esses números são referências de mercado e que a determinação do valor exato de uma propriedade depende de características específicas do imóvel e deve ser realizada por um perito-avaliador.

E quanto vale a terra em 2026?

Dois anos depois, os preços continuam firmes. Segundo a nova edição divulgada pela Scot, a média nacional chegou a R$ 40.147/ha nas terras agrícolas e R$ 23.387/ha nas pastagens.

Nas pastagens, a diferença regional permanece impressionante. São Paulo lidera com média de R$ 56.826 por hectare, enquanto o Piauí registra R$ 8.050/ha. Isso significa que um hectare paulista destinado à pastagem custa, em média, aproximadamente sete vezes o observado no Piauí.

A nova edição também aponta um mercado que pode ser resumido por uma aparente contradição: os preços subiram, mas os negócios não acompanharam o mesmo movimento.

Com a Selic em 14% ao ano e o crédito mais caro, compradores encontram maior dificuldade para financiar novas aquisições. Do lado de quem vende, as pedidas permanecem firmes, mas a Scot observa alongamento dos prazos e concessões nos preços para que algumas negociações sejam efetivamente fechadas.

Terra mais cara não significa apenas solo melhor

A explicação para tamanha diferença vai muito além da fertilidade.

O relatório considera fatores como proximidade da malha viária, grau de tecnificação das propriedades, produtividade regional, culturas predominantes, presença de agroindústrias, portos, relevo e características do solo.

A própria Scot destaca na edição de 2026 que a instalação de novas agroindústrias já interfere no preço das propriedades em determinados polos, citando movimentos em Rio Verde, no Vale da Celulose de Mato Grosso do Sul e no norte do Tocantins.

Água também pode transformar completamente a conta. Na Bahia, por exemplo, o relatório de 2024 apontava que o potencial para irrigação era um dos principais determinantes do preço, valorizando propriedades próximas a rios ou localizadas em áreas com melhores índices pluviométricos.

No Extremo Oeste Baiano, uma terra destinada à agricultura apresentava naquele levantamento média de R$ 29,3 mil/ha, mas os negócios pesquisados iam de apenas R$ 3 mil a R$ 113 mil por hectare.

É um exemplo claro de por que médias estaduais precisam ser interpretadas com cautela.

Incra também confirma valorização das terras

Outra referência importante é o Atlas do Mercado de Terras 2025, publicado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O trabalho reúne valores médios, mínimos e máximos, diferentes tipologias de uso, Valor da Terra Nua (VTN) e Valor Total do Imóvel (VTI), utilizando negociações efetivas, ofertas e análises técnicas.

Pela metodologia do Incra, o valor médio das terras rurais brasileiras alcançou R$ 22.951,94 por hectare em 2024, avanço de 28,36% em relação a 2022. No período, as terras destinadas à pecuária valorizaram 31,24%, enquanto aquelas de uso agrícola avançaram 12%.

Os números do Incra não devem ser comparados diretamente aos da Scot como se fossem uma única série, já que metodologias, recortes territoriais e critérios de avaliação são diferentes. Em conjunto, porém, os levantamentos reforçam uma mesma tendência: a terra rural brasileira atravessou um período importante de valorização.

Preço sobe, mas comprador está mais cauteloso

O cenário de 2026 acrescenta um elemento importante a essa história. A valorização patrimonial não significa necessariamente um mercado aquecido em número de transações.

Juros elevados aumentam o custo de oportunidade do capital e tornam o financiamento de propriedades mais caro. Por isso, o mercado descrito pela Scot atualmente é de preços resistentes, porém menor velocidade para transformar as pedidas em negócios efetivamente concluídos.

Ao mesmo tempo, a expansão de novas fronteiras produtivas, investimentos em infraestrutura e chegada de agroindústrias podem mudar rapidamente o valor de determinadas regiões.

É justamente por isso que perguntar simplesmente “quanto custa um hectare no Brasil?” não produz uma única resposta. A terra que vale poucos milhares de reais em uma região pode valer várias vezes mais em outra — e, dentro do mesmo estado, água, logística, produtividade e aptidão agrícola podem fazer o preço disparar.

O novo levantamento da Scot mostra que, em 2026, mesmo com crédito caro e negócios mais lentos, a terra continua sendo um dos ativos mais valiosos e heterogêneos do agronegócio brasileiro.

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