Celebrado nesta sexta-feira (7), o Dia Internacional da Cerveja também chama atenção para uma cadeia que começa muito antes dos bares e cervejarias, passando pelas lavouras de cevada, produção de malte, cultivo de lúpulo e pela indústria nacional
O Dia Internacional da Cerveja, celebrado nesta sexta-feira, 7 de agosto, costuma ser associado aos brindes, encontros entre amigos e à diversidade de rótulos disponíveis no mercado. Mas, antes de chegar ao copo, a bebida percorre uma longa cadeia produtiva que tem suas primeiras etapas diretamente ligadas ao agronegócio.
Cevada, malte, lúpulo e outros ingredientes agrícolas fazem parte de uma estrutura que conecta produtores rurais, centros de pesquisa, maltarias, cervejarias, transportadores e pontos de venda. No Brasil, essa engrenagem ganhou ainda mais importância diante da expansão do mercado cervejeiro e da busca por maior produção nacional de matérias-primas.
A data, comemorada sempre na primeira sexta-feira de agosto, nasceu nos Estados Unidos no fim dos anos 2000 e se espalhou por diferentes países. Hoje, além do caráter comemorativo, ela também abre espaço para observar a dimensão econômica de uma das bebidas mais consumidas no mundo.
Dia Internacional da Cerveja encontra mercado brasileiro em expansão
O Brasil consolidou ao longo dos últimos anos uma indústria cervejeira diversificada, com grandes grupos, produtores regionais e centenas de cervejarias artesanais distribuídas pelo território nacional.
Dados mais recentes do setor apontam que o país chegou a 1.954 cervejarias registradas em 2025, presentes em 794 municípios. O crescimento mostra que a produção cervejeira deixou de estar concentrada apenas nos grandes centros industriais e passou a ganhar espaço em cidades de diferentes portes.
O número de marcas também ajuda a dimensionar essa transformação. O mercado brasileiro reúne dezenas de milhares de registros entre produtos e marcas, enquanto a produção anual permanece na casa dos bilhões de litros.
Esse avanço gera efeitos em toda a cadeia, inclusive no campo. Quanto maior a produção, maior também a necessidade de matérias-primas com qualidade e regularidade de fornecimento.
A cevada é um dos principais elos entre a cerveja e o campo
Entre os ingredientes utilizados na fabricação da bebida, a cevada ocupa posição estratégica.
Depois de colhido, o cereal destinado à indústria cervejeira passa pela maltagem, etapa em que os grãos são submetidos a condições controladas de germinação e secagem. É desse processo que surge o malte utilizado na produção da cerveja.
Além de fornecer açúcares importantes para a fermentação, o malte interfere diretamente na cor, no corpo, no aroma e no sabor final da bebida.
A produção brasileira de cevada vem avançando nos últimos anos. Em 2025, a safra nacional ficou próxima de 600 mil toneladas, segundo informações divulgadas pela Embrapa.
A maior parte das lavouras continua concentrada no Sul do país, especialmente no Paraná e no Rio Grande do Sul, onde as condições climáticas e a estrutura produtiva favoreceram a consolidação da cultura.
Ao mesmo tempo, trabalhos de melhoramento genético e novas tecnologias de manejo buscam ampliar as possibilidades de cultivo em outras regiões.
Produção nacional ainda não atende toda a demanda da indústria
Apesar dos avanços, a oferta brasileira de cevada e malte ainda está distante de atender integralmente o mercado doméstico.
A indústria instalada no país consome um volume elevado de malte todos os anos, enquanto uma parcela expressiva dessa necessidade continua sendo suprida pelo mercado internacional.
Somente em 2025, o Brasil importou volumes superiores a 1 milhão de toneladas de malte, além de centenas de milhares de toneladas de cevada em grão.
Esse cenário mostra que existe espaço para o fortalecimento da produção nacional, desde que acompanhado por produtividade, qualidade industrial e segurança para o produtor.
Para o campo, a cultura também apresenta características interessantes dentro do planejamento agrícola. Em algumas regiões, a cevada pode integrar sistemas de rotação de culturas e contribuir para a diversificação da atividade na propriedade.
Dia Internacional da Cerveja também coloca o lúpulo brasileiro no radar
Outro ingrediente fundamental é o lúpulo, responsável principalmente pelo amargor e por boa parte dos aromas característicos encontrados nos diferentes estilos de cerveja.
Durante muitos anos, praticamente todo o lúpulo utilizado pelas cervejarias brasileiras teve origem no exterior.
Nos últimos anos, porém, produtores e pesquisadores começaram a testar e desenvolver o cultivo comercial da planta em diferentes estados brasileiros.
A atividade ainda ocupa uma área pequena quando comparada a outras culturas agrícolas, mas desperta interesse justamente pelo elevado valor agregado do produto e pelo crescimento do mercado de cervejas especiais.
O desafio está no manejo. O lúpulo exige controle rigoroso das condições de produção, estruturas específicas para condução das plantas, irrigação adequada e atenção ao ponto de colheita e armazenamento.
Por isso, a expansão da atividade depende não apenas do interesse comercial, mas também de pesquisa, genética adaptada às condições brasileiras e profissionalização da cadeia.
Da agricultura à indústria, setor gera valor em várias etapas
A dimensão econômica da cerveja não termina nas lavouras.
Depois da produção agrícola, entram em cena maltarias, empresas de beneficiamento, fabricantes de equipamentos, laboratórios, transportadoras, indústrias de embalagens e uma extensa rede de distribuição.
O crescimento das cervejarias regionais também ajudou a interiorizar parte dessa atividade.
Municípios que antes não tinham tradição na produção passaram a abrigar pequenas e médias cervejarias, muitas delas focadas em produtos artesanais e ingredientes diferenciados.
Além do mercado interno, a cerveja brasileira também vem ampliando sua presença no exterior. Em 2025, as exportações do setor alcançaram mais de US$ 200 milhões, com produtos nacionais chegando a dezenas de países.
Cada copo começa muito antes da cervejaria
O Dia Internacional da Cerveja pode até terminar em um brinde, mas a trajetória da bebida começa muito antes.
Ela passa pelo planejamento das lavouras, pela seleção de cultivares, pelo clima, pelo trabalho dos produtores rurais, pela transformação do grão em malte e pelo desenvolvimento de ingredientes capazes de atender aos padrões exigidos pela indústria.
Em um país com uma das maiores produções de cerveja do mundo, fortalecer essa ligação com o campo também significa criar novas oportunidades para a agricultura brasileira.
Mais do que uma bebida tradicional, a cerveja representa uma cadeia extensa, formada por diferentes setores e profissionais. E uma parte importante dessa história começa dentro da porteira.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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