Celebrado em 15 de julho, o Dia do Pecuarista reconhece a contribuição dos produtores para a economia, o abastecimento de alimentos e o desenvolvimento do campo brasileiro
Celebrado em 15 de julho, o Dia do Pecuarista reconhece os produtores responsáveis por uma das atividades mais relevantes do agronegócio nacional. Além de abastecer o mercado interno, a pecuária gera empregos, movimenta milhares de municípios e sustenta uma ampla cadeia formada por frigoríficos, laticínios, cooperativas, transportadoras, empresas de genética e fornecedores de insumos.
A homenagem foi instituída pela Lei nº 11.716, de 20 de junho de 2008, que incluiu oficialmente a data no calendário nacional. A celebração contempla profissionais da bovinocultura de corte e leite, suinocultura, avicultura, criação de ovinos, caprinos e bubalinos.
Dia do Pecuarista celebra uma atividade em expansão
A data chega em um momento de forte desempenho econômico do setor. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o PIB do agronegócio avançou 12,2% em 2025.
O ramo pecuário apresentou crescimento de 32,55% e movimentou aproximadamente R$ 1,1 trilhão, o equivalente a cerca de 35% do PIB do agronegócio brasileiro.
No Valor Bruto da Produção, a pecuária de corte alcançou aproximadamente R$ 250,8 bilhões, enquanto a atividade leiteira movimentou cerca de R$ 98,5 bilhões, conforme dados divulgados pela CNA.
Produção de carne e leite alcança marcas históricas
Os resultados econômicos foram acompanhados pelo aumento da produção. Dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o Brasil abateu 42,94 milhões de bovinos em 2025, crescimento de 8,2% em relação ao ano anterior.
No mesmo período, estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária captaram 27,51 bilhões de litros de leite, maior volume registrado na série histórica da pesquisa.
A aquisição de couro bovino também atingiu recorde, com 44,03 milhões de peças inteiras recebidas por curtumes fiscalizados.
No primeiro trimestre de 2026, o abate chegou a 10,29 milhões de bovinos, o melhor resultado já registrado para os três primeiros meses de um ano.
Dia do Pecuarista coincide com avanço das exportações
A presença brasileira no mercado internacional também ganhou força. Entre janeiro e junho de 2026, o país exportou 1,705 milhão de toneladas de carne bovina, aumento de 15,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A receita atingiu US$ 9,85 bilhões, avanço de 36,2%, de acordo com informações da Secretaria de Comércio Exterior compiladas pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.
A China permaneceu como principal destino, com aproximadamente 794,7 mil toneladas adquiridas. Estados Unidos, Chile, Rússia e União Europeia também estiveram entre os compradores mais relevantes.
A concentração das vendas em poucos destinos, entretanto, reforça a importância de ampliar mercados e reduzir a exposição do setor a mudanças tarifárias ou comerciais.
Reconhecimento sanitário amplia competitividade
Outro marco recente foi o reconhecimento internacional do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal em maio de 2025.
A certificação fortalece a imagem sanitária do país e pode facilitar o acesso a mercados que exigem controles mais rigorosos.
Com o fim da vacinação periódica, produtores e órgãos de defesa agropecuária passam a depender ainda mais da vigilância contínua. A identificação de sintomas suspeitos, o controle do trânsito de animais e a atualização dos cadastros tornam-se fundamentais para preservar o novo status.
Tecnologia modifica a gestão das propriedades
A pecuária brasileira também passa por uma transformação tecnológica. Balanças eletrônicas, sensores, brincos de identificação, drones, imagens de satélite e softwares de gestão já fazem parte da rotina de propriedades mais tecnificadas.
Essas ferramentas permitem acompanhar ganho de peso, consumo de alimentos, desempenho reprodutivo, qualidade das pastagens e custos operacionais.
O objetivo é substituir decisões baseadas apenas na percepção por análises apoiadas em dados, aumentando a eficiência produtiva e reduzindo desperdícios.
Rastreabilidade será um dos próximos desafios
O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos prevê a ampliação do acompanhamento individual dos animais desde o nascimento até o abate.
A implementação está planejada de forma gradual entre 2025 e 2032 e deverá substituir parte dos controles realizados exclusivamente por lotes.
O sistema pode melhorar a resposta a problemas sanitários, aumentar a transparência da cadeia e atender às exigências de compradores internacionais.
Para os produtores, a mudança exigirá organização documental, integração de informações e adaptação dos processos internos da propriedade.
Dia do Pecuarista reconhece quem mantém o campo em atividade
O trabalho do produtor envolve muito mais do que a criação dos animais. É necessário administrar custos, planejar a reprodução, acompanhar o mercado, cuidar da nutrição do rebanho e cumprir exigências ambientais e sanitárias.
Essa rotina é marcada por riscos climáticos, oscilações no preço dos insumos, dificuldade de acesso ao crédito e necessidade constante de qualificação.
Em 2025, o agronegócio brasileiro empregou 28,4 milhões de pessoas, número equivalente a 26,3% da população ocupada do país. Aproximadamente 7,8 milhões trabalhavam diretamente nas atividades agropecuárias primárias.
O Dia do Pecuarista valoriza quem sustenta essa cadeia e reforça que o futuro do setor dependerá da capacidade de produzir com gestão, tecnologia, responsabilidade sanitária e uso eficiente dos recursos naturais.
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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