
A crise ameaça a sobrevivência de muitas fazendas de criação de porcos no Reino Unido.
LONDRES (Reuters) – Criadores de porcos do Reino Unido alertaram nesta sexta-feira para uma crise de carne suína a menos que o governo amenize com urgência uma falta aguda de funcionários de matadouros que deixa mais de 150 mil animais retidos nas fazendas e cria a perspectiva de um abate custoso.
Um êxodo repentino de trabalhadores da União Europeia, ocorrido depois que os lockdowns da Covid-19 diminuíram, ameaça a sobrevivência de muitas fazendas de criação de porcos, e nesta sexta-feira elas pediram aos varejistas que não recorram à carne suína mais barata da UE.
A Associação Nacional de Criadores de Porcos disse que o setor está elevando salários e tentando intensificar o treinamento e a automação desde que a pandemia, combinada às novas regras imigratórias pós-Brexit, passou a afetar um setor que sempre teve dificuldade para empregar.
No meio-tempo, os criadores enfrentam uma grande escassez de açougueiros e carniceiros, o que significa que até 150 mil porcos que já deveriam ter sido abatidos continuam nas fazendas.
A associação, que pediu ao governo que relaxe as regras imigratórias durante seis a nove meses para aliviar o setor, disse que as conversas com o governo chegaram a um impasse.
“Estou recebendo ligações, entra dia, sai dia, de criadores de todo o país que estão em uma situação perigosa por estarem com porcos demais nas fazendas”, disse Rob Mutimer, presidente da associação e criador de Norfolk, à Reuters.
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Ele disse que o setor sempre soube que perderia trabalhadores europeus depois que o Reino Unido decidiu se desfiliar da UE, mas que a suspensão das regras de viagem da Covid no início deste ano levou muitos, que não voltavam para casa há 18 meses, a partirem em massa.
“O setor de alimentos inteiro não consegue arcar com uma perda de mão de obra tão enorme no curto prazo”, disse.
“Sim, o setor precisa treinar ingleses, e precisa se tornar mais automatizado, sabemos disso, e está acontecendo, existe um investimento maciço sendo feito nestas instalações para reduzir a dependência de mão de obra estrangeira.”
Mutimer disse que algumas fábricas estão aumentando os salários em 15% e procurando investir mais em tecnologia enquanto encaram o fato de que o setor contou com mão de obra barata durante tempo demais.
Mas por ora, eles precisam que o governo os apoie e que os varejistas continuem comprando.
Fonte: Reutes
Fonte: Reuters