Criação de búfalos: como saber se a seleção genética paga a conta da fazenda

O que vale mais no rebanho depende de como a fazenda vende leite ou carne e de quanto gasta para produzir. Controle leiteiro, pesagens e registros de reprodução ajudam a definir quais características priorizar antes de investir em sêmen ou reprodutores.

Na criação de búfalos, escolher um touro começa por identificar o que limita a margem do rebanho. Uma fazenda que recebe por volume de leite pode dar mais peso à produção por lactação. Já para quem fabrica queijo ou vende a um laticínio que bonifica a composição, gordura e proteína também podem mudar a conta.

O tema estará no 18º Encontro Brasileiro de Bubalinocultores, marcado pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) para 24 a 27 de novembro, em Florianópolis (SC). Segundo o Canal Rural, o pesquisador Aníbal Vercesi Filho discutirá como os custos e as receitas de cada sistema ajudam a definir as prioridades da seleção.

No leite, a forma de pagamento muda a seleção

O Programa de Avaliação Genética da ABCB prevê a seleção pela produção de leite em 305 dias ou pela produção de sólidos. A escolha depende do destino do leite. Se o comprador paga só pelo volume, o produtor deve usar o preço por litro na projeção. Se há bônus por gordura e proteína, a conta deve seguir a regra do contrato.

Na fabricação própria, a referência é quanto queijo vendável sai do leite processado e qual margem sobra depois da fabricação. Para descobrir se esse é o ponto que merece atenção, vale cruzar os resultados do controle leiteiro com as análises de composição, os registros de produção do laticínio e o custo da alimentação ao longo da lactação.

No corte, o ganho de peso precisa compensar o custo

Para rebanhos de corte, a ABCB cita o peso à desmama e o peso aos 18 meses como possíveis objetivos. A primeira medida interessa especialmente a quem vende o bezerro nessa etapa. Para quem retém os animais, o peso na recria precisa ser avaliado junto com o gasto de alimentação e o tempo até a venda.

Um exemplo hipotético ajuda a pôr o investimento em perspectiva. Se um reprodutor custa R$ 6 mil a mais que a alternativa e a fazenda espera vender 60 descendentes dele, a diferença equivale a R$ 100 por animal vendido. Esse é o ganho adicional de margem necessário apenas para cobrir o preço extra do touro, antes de juros ou diferenças de manutenção. Se forem vendidos só 40 descendentes, a exigência sobe para R$ 150 por cabeça.

O que conferir antes de fechar a compra

A Embrapa destaca que registros mais completos de produção dão uma base mais confiável ao melhoramento. Na fazenda, isso começa com a identificação de cada animal, a data das pesagens ou dos controles leiteiros e o registro de coberturas e partos. Para comparar desempenho, é preciso levar em conta diferenças de idade, alimentação e manejo entre lotes.

No sumário genético, a diferença esperada na progênie, ou DEP, estima quanto da diferença genética de um reprodutor tende a aparecer, em média, nos seus descendentes quando comparado a outro animal da mesma avaliação. O produtor deve olhar também a acurácia, que indica a confiança na estimativa, e conferir o parentesco com as matrizes antes de definir os acasalamentos.

O primeiro passo pode ser rever os resultados da última safra de bezerros ou das últimas lactações. Se o gargalo está em falhas de reprodução ou na alimentação durante a seca, vale medir quanto isso custa antes de pagar mais por um animal avaliado para peso ou leite. A partir daí, fica mais fácil escolher o atributo que merece investimento e acompanhar se os descendentes entregam a margem esperada.

Leia também: Fazenda Santo Antônio conquista dois primeiros lugares em prova de eficiência de bubalinos.

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