Apenas R$ 44,3 bilhões foram desembolsados nos dois primeiros meses do Plano Safra 2026/27, segundo levantamento da Faesp; em meio a juros elevados e maior seletividade dos bancos, ConsulttAgro apresenta alternativas para produtores que precisam investir
O novo Plano Safra começou, mas o crédito rural ainda não ganhou o ritmo esperado pelo produtor brasileiro. Dados divulgados neste domingo (14) mostram que os desembolsos de crédito rural somaram R$ 44,3 bilhões nos dois primeiros meses da safra 2026/27, uma queda de 37,8% na comparação com os R$ 71,3 bilhões registrados no mesmo período do ciclo anterior. O levantamento foi elaborado pela Faesp a partir de dados do Banco Central e considera os desembolsos sem CPRs.
O número chama ainda mais atenção porque representa apenas 10,6% dos recursos anunciados para o período, quando desconsideradas as CPRs. Ou seja: mais do que discutir quanto dinheiro existe no Plano Safra, o desafio passa a ser fazer com que os recursos efetivamente cheguem ao produtor.
O Ministério da Agricultura apresenta uma leitura mais abrangente dos números: considerando Pronamp, demais produtores e outras modalidades contabilizadas pelo governo, foram R$ 65,7 bilhões contratados entre julho e agosto. Ainda assim, os dados recentes reforçam que o início da temporada ocorre em um ambiente de cautela na contratação.
Inadimplência ajuda a explicar crédito mais difícil
Um dos problemas está no aumento do risco percebido pelas instituições financeiras. A inadimplência da população rural chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026, segundo a Serasa Experian, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.
O próprio Ministério da Agricultura já reconheceu, em análise do desempenho do crédito rural, que juros elevados, aumento da inadimplência, custos de produção, instabilidade internacional e sucessivas adversidades climáticas contribuíram para deixar as instituições financeiras mais restritivas e seletivas na concessão dos recursos.
Na prática, forma-se um ciclo preocupante. O produtor enfrenta margens mais apertadas, precisa de capital para iniciar um novo ciclo produtivo e, justamente nesse momento, encontra bancos mais rigorosos na análise de risco, garantias e capacidade de pagamento.
A situação levou inclusive o governo a criar mecanismos extraordinários de renegociação. A MP 1.376/2026, posteriormente regulamentada pelo CMN, abriu condições para produtores afetados por eventos climáticos e outras situações excepcionais refinanciarem determinadas dívidas, com prazo que pode chegar a dez anos. No início de setembro, o CMN ampliou as possibilidades de enquadramento para alcançar operações que haviam ficado de fora por questões operacionais ou de prazo.
O movimento evidencia uma contradição do atual momento do agro: enquanto uma parcela dos produtores precisa reorganizar dívidas antigas, outra precisa encontrar dinheiro novo e financeiramente viável para continuar produzindo ou aproveitar oportunidades de investimento.
O problema não é apenas conseguir crédito, mas o preço dele
É justamente aí que a discussão muda. Para um produtor que pretende financiar máquinas, irrigação, armazenagem, expansão da propriedade ou mesmo a compra de uma fazenda, simplesmente encontrar uma instituição disposta a emprestar não é suficiente.
É necessário que a taxa de juros e o prazo sejam compatíveis com o retorno esperado pelo investimento.
Mesmo com o atual ciclo de redução da Selic, o Brasil continua convivendo com um custo de capital elevado. Em operações de milhões de reais e de longo prazo, alguns pontos percentuais de diferença na taxa podem representar uma mudança substancial no custo total do projeto.
ConsulttAgro busca alternativas a partir de 3% ao ano
É nesse ambiente que ganha espaço o trabalho da ConsulttAgro. A consultoria financeira especializada no agronegócio, comandada por Gabriela Rodrigues e Tainara Casagrande, atua justamente na estruturação e busca de crédito para produtores rurais.
Com mais de R$ 700 milhões já intermediados, a empresa trabalha com alternativas que, conforme a linha, enquadramento, garantias e características de cada projeto, podem apresentar juros a partir de 3% ao ano e prazo de até 15 anos para pagamento.
As operações podem ser destinadas à agricultura, pecuária e outras atividades do agronegócio, atendendo desde produtores que precisam investir na própria estrutura até aqueles interessados em comprar terras, adquirir uma nova fazenda ou ampliar a área produtiva.
Segundo Gabriela Rodrigues, o cenário atual exige uma busca mais criteriosa. “O produtor não pode analisar somente se o crédito foi aprovado. É necessário avaliar taxa, prazo, garantias e principalmente se a operação cabe no fluxo financeiro da propriedade. É esse planejamento que buscamos construir junto ao cliente.”
Para Tainara Casagrande, a restrição bancária também mostra a importância de conhecer alternativas além das linhas tradicionalmente procuradas. “Existem produtores com bons projetos e capacidade produtiva que encontram dificuldade para estruturar o financiamento. Nosso trabalho é entender essa necessidade e buscar uma solução que permita ao crédito ser utilizado para crescimento, e não se transformar em um peso para a fazenda.”
Os números do início da safra deixam, portanto, um recado importante. Ter bilhões anunciados não significa necessariamente dinheiro disponível na ponta. Em um mercado mais seletivo, encontrar crédito competitivo e estruturar corretamente a operação pode ser tão importante quanto decidir onde investir.
E para o produtor que pretende continuar crescendo mesmo em um ambiente de crédito restrito, encontrar alternativas com juros a partir de 3% ao ano e até 15 anos para pagar pode representar justamente a diferença entre deixar um projeto na gaveta ou colocá-lo em prática.
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