Crédito de R$ 10 bilhões para compra de máquinas agrícolas deve ser liberado nesta quarta-feira

Financiamento terá juros de 9,2% ao ano e será destinado à aquisição de equipamentos produzidos no Brasil; regras finais ainda dependem do CMN

O crédito de R$ 10 bilhões para compra de máquinas agrícolas poderá começar a ser contratado nesta quarta-feira, 22 de julho. Segundo informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a linha será destinada a produtores interessados em adquirir máquinas e equipamentos de fabricação nacional.

A iniciativa chega em um momento de retração no mercado de máquinas, pressionado pelo custo elevado do financiamento e pelo aumento do endividamento no campo. Com uma taxa inferior à oferecida pelo Moderfrota, o novo recurso pode abrir espaço para a retomada de investimentos nas propriedades rurais.

Crédito de R$ 10 bilhões para compra de máquinas agrícolas avança na regulamentação

As diretrizes da modalidade foram aprovadas pelo Conselho Diretor do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o FNDCT. Em seguida, as condições foram incorporadas à Norma Geral de Operação da Financiadora de Estudos e Projetos, a Finep.

A empresa pública ficará responsável por transferir o dinheiro às instituições financeiras credenciadas, que realizarão os contratos diretamente com os produtores.

Antes do início definitivo das operações, o Conselho Monetário Nacional ainda deverá aprovar uma resolução com os detalhes do financiamento. Essa etapa é necessária porque os empréstimos serão classificados como crédito rural e precisarão seguir regras específicas de registro e acompanhamento.

Os contratos deverão ser informados ao Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro, o Sicor, mantido pelo Banco Central.

Juros serão menores do que os cobrados no Moderfrota

A nova linha terá juros de 9,2% ao ano, enquanto o Moderfrota oferece taxa de 12,5% ao ano nas condições mencionadas pelo governo.

A diferença de 3,3 pontos percentuais pode tornar a aquisição de tratores, colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras e implementos mais acessível, principalmente em operações de maior valor.

Apesar da condição mais favorável, cada contratação ainda dependerá da análise realizada pela instituição financeira. Capacidade de pagamento, situação cadastral e características do equipamento deverão fazer parte da avaliação.

Recursos serão destinados a equipamentos nacionais

O financiamento será restrito à compra de máquinas e equipamentos agrícolas fabricados no Brasil. A medida pretende combinar a modernização das propriedades com o fortalecimento da indústria nacional.

Fabricantes aguardam a abertura da linha para recuperar parte das vendas adiadas nos últimos meses. O cenário de juros altos reduziu a disposição dos produtores para assumir novos compromissos financeiros, afetando diretamente encomendas e negociações no setor.

Ao estimular a aquisição de equipamentos brasileiros, o governo também busca ampliar a incorporação de tecnologias no campo e apoiar cadeias consideradas estratégicas pela Nova Indústria Brasil.

Produtores pessoas físicas também poderão contratar

Diferentemente de outras operações realizadas pela Finep, o programa permitirá o acesso de pessoas físicas. Dessa forma, agricultores que desenvolvem suas atividades em nome próprio não precisarão constituir uma empresa exclusivamente para buscar o financiamento.

A possibilidade amplia o alcance da iniciativa, já que uma parcela significativa das propriedades rurais brasileiras é administrada diretamente por produtores registrados no CPF.

Pessoas jurídicas ligadas à atividade agropecuária também poderão apresentar propostas, desde que atendam aos critérios estabelecidos na regulamentação.

Crédito de R$ 10 bilhões para compra de máquinas agrícolas terá prazo limitado

A criação da modalidade foi autorizada pela Medida Provisória nº 1.374/2026, publicada em 30 de junho. Posteriormente, o governo abriu um crédito extraordinário de R$ 9 bilhões para realizar o aporte necessário ao FNDCT.

O valor de R$ 10 bilhões corresponde ao montante reservado para a cadeia agroindustrial sustentável dentro de uma autorização mais ampla do fundo. Em maio, o Conselho Diretor do FNDCT havia aprovado uma linha para difusão tecnológica com limite equivalente a até 50% do superávit financeiro disponível, estimado em aproximadamente R$ 11,5 bilhões.

As contratações poderão ocorrer somente até o encerramento de 2026. Por isso, produtores interessados deverão acompanhar a publicação da resolução do Conselho Monetário Nacional e a divulgação dos bancos participantes.

A recomendação é reunir antecipadamente documentos financeiros, orçamentos e especificações das máquinas pretendidas. A aprovação não será automática e dependerá tanto da disponibilidade de recursos quanto da análise de crédito realizada pelos agentes financeiros.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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