Corriedale produz 276 quilos de carne por hectare no Rio Grande do Sul, aponta teste

Avaliação de 113 dias reuniu 41 reprodutores em pastagem de inverno e apontou produção estimada de quase 276 quilos de carne por hectare, segundo a associação da raça

Uma avaliação com 41 reprodutores Corriedale, realizada em Hulha Negra (RS), apresentou resultados expressivos de desempenho em pastagem de inverno. Ao longo de 113 dias, os animais chegaram a registrar ganho médio diário de 333 gramas, em um sistema baseado predominantemente em azevém e suplementação mineral.

O Concurso de Desempenho em Pastagens Corriedale 2026 foi conduzido no Centro de Pesquisas da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Corriedale (ABCC), o balanço da prova apontou produção estimada de quase 276 quilos de carne por hectare, reforçando o potencial da avaliação a campo para orientar a seleção de reprodutores e o manejo dos rebanhos.

Dados de campo para melhorar os rebanhos

O presidente da ABCC, Gustavo Velloso, explica que o concurso surgiu da necessidade de reunir informações produtivas que possam ser utilizadas pelos criadores na seleção dos animais.

“Vimos a necessidade de adquirir dados de produção para melhorar o desempenho dos animais, dos reprodutores e, consequentemente, dos rebanhos a campo. A associação teve essa iniciativa no início do ano e conseguimos estruturar o projeto junto à Secretaria da Agricultura e aos demais parceiros”, afirma.

Além de comparar os reprodutores, a avaliação buscou medir a resposta da raça em um sistema de pastagem de inverno. Segundo Velloso, os animais mantiveram boas condições mesmo diante do elevado volume de chuva durante a prova.

“Os animais encerraram a prova em excelente condição corporal e sanitária. Mesmo com cerca de mil milímetros de chuva durante o período, tivemos resultados acima do esperado e animais que passaram dos 300 gramas de ganho por dia”, relata.

Reprodutores foram avaliados em dois grupos

Os participantes foram divididos conforme o peso de entrada: até 55 quilos e acima de 55 quilos.

No primeiro grupo, o animal de ordem 16, de Luiz Felipe Kruel, conquistou a primeira colocação na classificação final, com nota 9,754. Entre os reprodutores que ingressaram com mais de 55 quilos, a liderança ficou com o animal 6, de Felipe Dos Santos, com nota 9,409.

A classificação combinou desempenho de crescimento e características de carcaça, com os seguintes pesos:

  • Ganho médio diário (GMD): 70% da nota;
  • Área de Olho de Lombo (AOL): 20%;
  • Espessura de Gordura Subcutânea (EGS): 10%.

O ganho de peso foi acompanhado de 10 de junho a 1º de outubro. As características de carcaça foram medidas por ultrassom em 1º de outubro, pela LambScan.

Os destaques de cada categoria

Entre os animais que entraram na prova com até 55 quilos, o maior ganho médio diário foi registrado pelo número 40, de Leonardo Krieger Remedi, com 333 gramas por dia.

O animal 16, de Luiz Felipe Kruel, apresentou a maior Área de Olho de Lombo, com 19,72 cm². Já o número 29, de Gustavo Arruada Petruzzi, registrou a maior Espessura de Gordura Subcutânea, de 8,2 milímetros.

No grupo acima de 55 quilos, o animal 6, de Felipe Dos Santos, também liderou o ganho médio diário, com 304 gramas por dia. A maior AOL foi obtida pelo número 17, de Luiz Felipe Kruel, com 21,16 cm², enquanto o número 35, de Elisabeth Amaral Lemos, apresentou a maior EGS, de 6,6 milímetros.

Os indicadores permitem observar diferentes características dos reprodutores. Enquanto o GMD acompanha a velocidade de crescimento, a AOL e a EGS acrescentam informações sobre musculatura e cobertura de gordura, ampliando os critérios utilizados na seleção.

Produtividade por hectare entra no balanço

Para Velloso, os resultados também mostram possibilidades de intensificação da produção ovina em áreas menores. Segundo o presidente da ABCC, o cálculo realizado no encerramento apontou um valor de produção próximo de R$ 4,4 mil por hectare.

“Pelo cálculo que fizemos no encerramento, isso representou ao redor de R$ 4,4 mil por hectare. Temos alternativas para produzir mais e buscar maior rentabilidade no campo, independentemente do tamanho do produtor”, observa.

O valor informado não deve ser interpretado como lucro líquido, pois o material apresentado não detalha os custos de implantação e manutenção da pastagem, manejo, sanidade e demais despesas da atividade.

Durante a prova, os reprodutores permaneceram sob manejo padronizado, predominantemente em pastagem de azevém e com suplementação mineral. Na avaliação de Velloso, a resposta dos animais demonstra a capacidade de adaptação do Corriedale e seu potencial de desempenho quando recebe alimentação de maior qualidade.

Para o criador, o principal resultado do concurso está na possibilidade de combinar informações de crescimento e carcaça para orientar a escolha dos reprodutores. A aplicação desses resultados em outras propriedades depende das condições de alimentação, manejo e ambiente de cada sistema.

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