Conheça o jumento tetracampeão brasileiro e fenômeno nas pistas

Premiado pela ABCJPêga como o melhor reprodutor de muares do Brasil pelo quarto ano consecutivo, Playboy RF acumula filhos campeões, valoriza sua genética e se consolida como um dos maiores nomes da raça Pêga

Poucos reprodutores conseguem permanecer no topo por quatro temporadas consecutivas. Playboy RF acaba de alcançar esse feito ao ser reconhecido pela Associação Brasileira dos Criadores de Jumento Pêga (ABCJPêga) como o melhor jumento do Brasil em produção de muares em 2026.

Com a nova conquista, o reprodutor torna-se tetracampeão brasileiro, após liderar a premiação também em 2023, 2024 e 2025. Mais do que uma sequência de títulos, o resultado confirma a regularidade de uma genética que vem deixando sua marca nas pistas, nas cavalgadas e em alguns dos muares mais valorizados do país.

A premiação considera justamente o desempenho dos descendentes nas competições oficiais. Nesse aspecto, Playboy RF construiu uma trajetória difícil de ser igualada: seus filhos aparecem repetidamente entre campeões e reservados campeões, especialmente nas provas montadas e de andamento muar.

O proprietário do jumento, Ricardo Fabrício, do Criatório RF, dedicou a conquista a todas as pessoas envolvidas na preparação, reprodução e apresentação de seus animais. “Dedico este prêmio do jumento Playboy, consagrado como melhor reprodutor de muares do Brasil pelo quarto ano consecutivo pela ABCJPêga, a todos os meus funcionários, veterinários, ferreiros, domadores e apresentadores de todo o Brasil; à minha família, aos meus clientes, criadores e amigos que investem e que me acompanham sempre pelas provas de marcha por todo o Brasil”, declarou Ricardo Fabrício.

Uma genética que se repete nas pistas

O grande diferencial de Playboy RF não está apenas em produzir um ou outro animal vencedor. Sua reputação foi construída pela capacidade de repetir resultados em diferentes acasalamentos, matrizes, criatórios e categorias.

Um exemplo ocorreu durante a 4ª Etapa da Copa do Brasil de Asininos 2025/2026, realizada em Votuporanga (SP). Os descendentes do reprodutor encerraram a competição com cinco títulos de campeão, cinco de reservado campeão e cinco primeiros prêmios.

Em uma das categorias montadas, a campeã e a reservada campeã eram filhas do Playboy RF, pertencentes a criatórios diferentes. A dobradinha mostrou que o desempenho não estava restrito a um único sistema de criação ou treinamento, mas ligado à força de transmissão genética do jumento.

Entre sua progênie estão animais de destaque nacional, como a mula Essência RF e o burro Dominó. O desempenho dos filhos colocou Playboy RF entre os principais nomes do Livro de Méritos da ABCJPêga, com forte pontuação na categoria Andamento Muar.

Por que a escolha do jumento é tão importante?

A produção de um muar começa pelo cruzamento do jumento com uma égua. Embora a qualidade da matriz seja indispensável, o reprodutor asinino exerce enorme influência sobre características como marcha, estrutura, aprumos, resistência, temperamento, rusticidade e conforto ao montar.

Entre os criadores, uma antiga máxima resume essa importância: a mula é metade égua e metade jumento, mas é o jumento que frequentemente determina a qualidade do andamento.

Por isso, um reprodutor capaz de transmitir suas qualidades com regularidade torna-se um ativo estratégico. O criador não procura somente um animal bonito ou premiado, mas uma genética que reduza incertezas e aumente as chances de produzir muares funcionais, confortáveis e valorizados.

No caso de Playboy RF, Ricardo Fabrício destaca que os descendentes costumam reunir boa estrutura, conjunto de frente firme, movimentação correta, docilidade e disposição natural para andar. É o chamado “temperamento de sela”: aquele animal que demonstra vontade de seguir em frente e proporciona prazer durante cavalgadas e provas.

Mesmo perto dos 24 anos, Playboy RF permanece ativo na reprodução. Atualmente, sua genética é comercializada por meio de sêmen congelado e já despertou interesse de criadores do Brasil e de outros países.

Do trabalho pesado às pistas milionárias

Durante muito tempo, jumentos, mulas e burros foram associados quase exclusivamente ao transporte de cargas e aos serviços em regiões montanhosas ou de difícil acesso. Essa função continua relevante, especialmente pela resistência, segurança e capacidade de adaptação dos muares.

Nas últimas décadas, porém, o mercado mudou. As mulas ganharam espaço nas cavalgadas, provas de marcha, concursos funcionais e atividades de lazer. Com isso, conforto, andamento, beleza, docilidade e procedência genética passaram a ter peso crescente na formação dos preços.

Hoje, uma mula destinada ao trabalho pode custar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. Já uma chamada “mula de patrão”, preparada para cavalgadas, competições e exposições, pode alcançar entre R$ 200 mil e R$ 300 mil. Descendentes jovens de reprodutores consagrados e coberturas também podem superar R$ 100 mil em determinadas negociações.

Essa valorização ajuda a explicar por que o jumento deixou de ser visto apenas como componente do cruzamento e passou a ocupar posição central nos programas de seleção.

O avanço do Jumento Pêga no Brasil

O crescimento das competições oficiais também tem impulsionado a raça Pêga. Durante o 5º Encontro de Muladeiros de Votuporanga, mais de 230 animais foram reunidos, estabelecendo um recorde de julgamentos da ABCJPêga. A evolução do encontro ajuda a dimensionar o interesse pelo segmento: a primeira edição contou com 49 inscritos; as seguintes reuniram 54, depois 170 e, em 2026, mais de 230 exemplares.

Esses eventos funcionam como vitrines para a genética. É nas pistas que os jumentos e muares são avaliados em morfologia e andamento, os melhores produtos ganham visibilidade e novos compradores passam a investir na atividade. O movimento também beneficia treinadores, veterinários, ferradores, domadores, apresentadores, fabricantes de equipamentos e organizadores de leilões.

O presidente da ABCJPêga, Fernando Abate, resumiu essa relação ao afirmar que “sem fomento não existe comércio”. Competições, exposições e leilões são fundamentais para apresentar os melhores animais, atrair novos criadores e colocar genética selecionada em diferentes regiões do país.

Mangalarga amplia mercado dos muares

Grande parte dessa expansão também passa pelas éguas da raça Mangalarga. Mais de 50% das mulas produzidas no Brasil têm origem em matrizes Mangalarga, cruzamento reconhecido por gerar animais marchadores, dóceis, resistentes e confortáveis.

Nos principais criatórios, as mulas deixaram de ser tratadas como um produto secundário e se transformaram em uma alternativa econômica relevante. Uma mula de alta qualidade dificilmente é negociada por menos de R$ 40 mil, enquanto animais diferenciados podem superar R$ 150 mil e chegar perto de R$ 200 mil.

Até mesmo os machos, muitas vezes menos valorizados em determinados segmentos da criação de cavalos, encontram mercado entre os muares. Burros comuns podem alcançar de R$ 10 mil a R$ 15 mil, enquanto exemplares superiores ultrapassam R$ 40 mil.

Playboy RF entra para a história

O tetracampeonato de Playboy RF representa mais do que uma vitória individual. O prêmio mostra como a seleção genética, o trabalho das equipes e o fortalecimento das competições estão mudando o patamar da criação brasileira de asininos e muares.

Enquanto seus filhos continuam conquistando títulos em diferentes regiões, o reprodutor amplia um legado construído ao longo de mais de duas décadas. Sua capacidade de produzir animais de pista, sela, passeio e cavalgada fez com que seu nome ultrapassasse os limites do Criatório RF.

Quatro vezes consecutivas reconhecido como o melhor reprodutor de muares do Brasil, Playboy RF já não é apenas um jumento campeão. Tornou-se um fenômeno das pistas e um dos grandes símbolos da evolução genética do Jumento Pêga no país.

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