Conheça a maior fazenda de touros de lide da Espanha, onde tradição, genética e conservação caminham lado a lado

Com milhares de hectares de pastagens preservadas, a Ganadería Victorino Martín consolidou-se como a maior fazenda de touros de lide da Espanha e um dos mais importantes símbolos da pecuária extensiva europeia, unindo seleção genética centenária, conservação ambiental e tradição no campo.

Quando se fala em pecuária espanhola, a imagem dos touros de lide costuma surgir imediatamente. Entretanto, por trás desse símbolo cultural existe um sistema produtivo pouco conhecido fora da Europa, baseado em criação extensiva, melhoramento genético, preservação de ecossistemas naturais e elevado valor agregado.

Entre as propriedades que representam esse modelo, nenhuma alcançou tanto reconhecimento quanto a Ganadería Victorino Martín. Localizada entre as regiões da Extremadura e Castela e Leão, a fazenda tornou-se referência internacional na seleção do chamado touro bravo espanhol, uma raça criada em grandes áreas de campo nativo e manejada com rigorosos critérios zootécnicos.

Independentemente do debate cultural em torno das touradas, a criação desses animais movimenta uma cadeia econômica relevante na Espanha, envolvendo genética, turismo rural, manejo ambiental, veterinária especializada e preservação de paisagens tradicionais.

Uma fazenda construída ao longo de gerações

A história da Ganadería Victorino Martín começou na década de 1960, quando Victorino Martín Andrés iniciou um programa de seleção genética utilizando animais da histórica linhagem Albaserrada.

Ao longo das décadas, a propriedade ganhou notoriedade pela rusticidade, longevidade e características zootécnicas de seus rebanhos.

Hoje, sob gestão da família Martín, a fazenda continua sendo uma das mais respeitadas da Espanha, mantendo um trabalho voltado para a conservação genética e a produção de animais registrados.

Milhares de hectares de criação extensiva

Ao contrário da pecuária intensiva encontrada em diversas partes do mundo, os touros de lide são criados em grandes áreas abertas, conhecidas como dehesas.

Esses ecossistemas combinam:

  • pastagens naturais;
  • sobreiros;
  • azinheiras;
  • arbustos mediterrâneos;
  • elevada biodiversidade.

Cada animal dispõe de amplo espaço para caminhar, disputar território e desenvolver sua musculatura naturalmente.

Esse sistema reduz a necessidade de confinamento e preserva características comportamentais selecionadas ao longo de séculos.

A genética é o maior patrimônio da fazenda

O principal ativo da propriedade não é a terra, mas seu banco genético.

Cada acasalamento é cuidadosamente planejado para preservar características específicas da linhagem, utilizando registros genealógicos detalhados e avaliações zootécnicas permanentes.

Entre os critérios observados estão:

  • rusticidade;
  • fertilidade;
  • conformação corporal;
  • adaptação ao ambiente;
  • sanidade;
  • comportamento.

Esse trabalho permite manter uma das linhagens bovinas mais tradicionais da Europa.

As dehesas também produzem biodiversidade

Um dos aspectos mais interessantes desse sistema é sua relação com o meio ambiente.

As dehesas onde vivem os touros figuram entre os ecossistemas rurais mais preservados da Península Ibérica.

Além da pecuária, essas áreas contribuem para:

• conservação de aves ameaçadas;

• proteção do solo contra erosão;

• captura de carbono;

• manutenção da vegetação mediterrânea;

• preservação de inúmeras espécies silvestres.

Por isso, muitos especialistas consideram que a criação extensiva de bovinos desempenha papel importante na conservação dessas paisagens.

Muito além da atividade pecuária

A fazenda também diversificou suas fontes de renda.

Atualmente, recebe visitantes interessados em conhecer a história da criação dos touros, promove atividades educativas e participa de projetos ligados à conservação da biodiversidade e ao turismo rural.

Essa integração entre produção agropecuária e experiências no campo tornou-se uma estratégia importante para fortalecer a sustentabilidade econômica da propriedade.

Um modelo de gestão baseado em tradição e inovação

Embora preserve práticas centenárias, a propriedade também incorporou tecnologias modernas.

Entre elas:

  • identificação individual dos animais;
  • controle sanitário informatizado;
  • manejo racional;
  • planejamento reprodutivo;
  • monitoramento nutricional;
  • gestão digital dos registros genealógicos.

Essa combinação entre tradição e tecnologia ajuda a manter elevados padrões produtivos.

O que o Brasil pode aprender?

Mesmo pertencendo a uma realidade pecuária bastante diferente da brasileira, a experiência espanhola oferece importantes reflexões.

Entre elas:

  • preservação de recursos genéticos como patrimônio econômico;
  • valorização de sistemas extensivos bem manejados;
  • integração entre produção e conservação ambiental;
  • diversificação da renda por meio do turismo rural;
  • fortalecimento da identidade regional dos produtos agropecuários.

São estratégias que agregam valor ao negócio sem depender exclusivamente do aumento da produção.

Um patrimônio da pecuária espanhola

A Ganadería Victorino Martín representa muito mais do que uma tradicional fazenda espanhola.

Ela simboliza um modelo de produção baseado em seleção genética de longo prazo, conservação ambiental e gestão profissional, mostrando como uma atividade centenária conseguiu permanecer relevante ao incorporar inovação sem perder sua identidade.

Independentemente das discussões culturais envolvendo os touros de lide, a propriedade permanece como uma das maiores referências da pecuária extensiva europeia e um exemplo de como tradição, ciência e gestão podem coexistir dentro do agronegócio moderno.

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