Cleo Pires troca a cidade por sítio com cavalos, horta e agrofloresta nas montanhas

Na Serra da Mantiqueira, atriz adotou uma rotina cercada por natureza, animais, cultivo de alimentos e um projeto de agrofloresta integrado à propriedade.

Entre montanhas, mata e uma rotina bem diferente daquela associada aos grandes centros, Cleo Pires encontrou no interior de Minas Gerais um espaço onde cavalos, horta e cultivo da terra passaram a dividir protagonismo com sua carreira artística. A atriz vive com o marido, o empresário Leandro D’Lucca, em uma propriedade em Passa Quatro, município da Serra da Mantiqueira.

Mais do que uma casa de campo usada apenas para descanso, o local ganhou características de uma pequena vida rural: há animais, plantas cultivadas pelo casal e um projeto de agrofloresta iniciado com orientação especializada. Nos registros compartilhados publicamente, os cavalos aparecem soltos pelo terreno, enquanto o casal participa de atividades como plantio e cuidados com o espaço.

A localização ajuda a explicar parte do projeto. Passa Quatro está em uma das áreas montanhosas mais conhecidas do Sul de Minas. O município tem 15.852 habitantes na estimativa de 2026, segundo o IBGE, e território de aproximadamente 277 km². É nesse ambiente que Cleo passou a construir uma rotina menos dependente da dinâmica urbana.

O sítio de Cleo Pires fica em um empreendimento na Serra da Mantiqueira

A propriedade está inserida no Clube Olive, empreendimento localizado em Passa Quatro e concebido com forte integração entre arquitetura e paisagem.

Um detalhe merece atenção porque vem sendo reproduzido de maneira imprecisa em algumas publicações: os 3,85 hectares divulgados correspondem à área do empreendimento, e não há comprovação pública de que essa seja a metragem exclusiva do imóvel de Cleo e Leandro.

Reportagens sobre o projeto atribuem sua concepção arquitetônica a Fábio Madueno e apontam a Alphaz como responsável pelo desenvolvimento. A proposta associa imóveis de padrão elevado a elementos como integração ambiental e soluções voltadas à sustentabilidade.

Apesar do conforto da residência, é justamente o lado externo que ajuda a dar personalidade ao lugar.

Foto: Intagram @cleo

Cavalos circulam pela propriedade e fazem parte da rotina

Os cavalos aparecem com frequência nos registros publicados por Leandro D’Lucca e se tornaram um dos elementos mais marcantes do sítio. Há imagens do empresário percorrendo a área para encontrá-los e acompanhando a rotina dos animais.

Eles permanecem soltos em parte da propriedade, reforçando a sensação de integração entre a casa, o terreno e a criação.

Não há, entretanto, informação pública suficientemente confiável sobre raça, genealogia ou valor comercial desses cavalos. Por isso, classificá-los como animais “de luxo” ou atribuir preços elevados, embora seja uma expressão utilizada em algumas manchetes recentes, extrapola aquilo que pode ser comprovado atualmente.

Para quem acompanha o universo rural, essa diferença é relevante. Um cavalo pode ter elevado valor genético ou comercial em função de raça, pedigree, desempenho esportivo e histórico reprodutivo, mas nenhuma dessas informações foi divulgada de forma consistente sobre os animais do casal.

O que está documentado é outra coisa: os cavalos fazem efetivamente parte do cotidiano de Cleo e Leandro no interior mineiro.

Horta aproximou o casal da produção de alimentos

A propriedade também possui horta e áreas destinadas ao cultivo.

Os registros mostram um envolvimento que vai além da estética de uma casa cercada de verde. O casal já apareceu preparando áreas, plantando sementes e acompanhando o desenvolvimento da vegetação.

A própria Cleo descreveu uma rotina em que acorda cedo, observa as plantas, prepara comida, frequenta a feira, visita amigos e dedica parte do tempo aos animais. Há também dias reservados simplesmente para permanecer na propriedade e contemplar a paisagem.

É uma mudança significativa para uma artista cuja trajetória profissional sempre esteve fortemente vinculada a Rio de Janeiro e São Paulo.

Ao mesmo tempo, não significa um rompimento com a vida profissional. A localização na Mantiqueira permite que o casal mantenha acesso aos grandes centros enquanto adota uma rotina de interior.

Cleo Pires e Leando d’Lucca. Foto: Ludgero Paiva

Agrofloresta transforma o terreno em parte do projeto

O ponto que mais aproxima a propriedade de uma experiência efetivamente ligada ao campo é o projeto de agrofloresta.

No início do projeto, Cleo e Leandro receberam orientação especializada para avaliar o terreno, definir áreas de implantação e trabalhar com sementes e espécies adequadas ao espaço já ocupado pela vegetação.

Embora uma agrofloresta residencial tenha escala e objetivos muito diferentes daqueles encontrados em propriedades rurais comerciais, o conceito possui fundamentos técnicos bem definidos.

De acordo com a Embrapa, os Sistemas Agroflorestais, ou SAFs, combinam culturas agrícolas anuais ou perenes com árvores e podem inclusive incluir animais, utilizando diferentes desenhos e sequências de produção.

Quando bem planejado, esse tipo de sistema pode favorecer biodiversidade, cobertura e saúde do solo, ciclagem de nutrientes, infiltração de água e recuperação de áreas degradadas, além de permitir produção de alimentos no mesmo ambiente.

Não significa, porém, que qualquer plantio misto possa automaticamente ser classificado como um sistema agroflorestal tecnicamente estruturado. Espécies, sucessão, estratos vegetais, manejo e objetivos precisam ser definidos de acordo com as condições do local.

É justamente por isso que a presença de orientação especializada no projeto do casal é um detalhe relevante.

Sustentabilidade deixou de ser apenas paisagismo

A escolha feita por Cleo também se conecta a um movimento que vem ganhando espaço no mercado imobiliário de maior padrão: a propriedade rural ou serrana deixa de ser apenas um endereço de lazer e passa a incorporar cultivo, produção de alimentos, energia, água e preservação ambiental ao próprio conceito de moradia.

No caso do Clube Olive, reportagens sobre o empreendimento mencionam soluções como captação de água da chuva, painéis fotovoltaicos, biodigestor e uso de materiais construtivos de menor impacto ambiental.

São elementos que ajudam a explicar por que uma horta ou uma agrofloresta, nesse contexto, não aparecem isoladamente.

Elas fazem parte de uma proposta maior de reconexão da residência com o território.

Para o agronegócio, existe ainda uma leitura interessante. Sistemas agroflorestais são empregados em realidades produtivas muito mais complexas e em escalas muito superiores, mas sua presença em projetos residenciais de grande visibilidade ajuda a levar conceitos como diversificação, solo vivo, recuperação ambiental e integração de espécies para um público que normalmente não acompanha o cotidiano da produção rural.

Foto: Ludgero Paiva

Uma casa pensada para olhar para fora

Dentro da residência, a integração com a paisagem também aparece como prioridade.

Ao falar sobre a casa em entrevista repercutida pela imprensa a partir de material da Casa Vogue, Cleo destacou a sala de estar como um de seus ambientes preferidos, principalmente pela entrada de luz natural, pelo conforto e pela possibilidade de receber amigos.

A ideia defendida pela atriz é que uma residência não deveria ser construída apenas para causar impacto visual. O espaço precisa produzir experiências e refletir a personalidade das pessoas que vivem nele.

No sítio, essa filosofia parece avançar para além das paredes.

A horta produz uma relação direta com o alimento. Os animais obrigam a manter uma rotina de cuidados. A agrofloresta depende de planejamento e manejo ao longo do tempo. E as montanhas deixam de funcionar apenas como cenário para participar da própria experiência da propriedade.

Vida no interior veio depois da organização financeira

Há ainda um componente menos visível por trás da mudança.

Cleo já relacionou sua maior liberdade para permanecer no campo à estabilidade financeira construída durante a carreira e à diversificação de suas atividades profissionais.

Atriz, cantora, produtora e empreendedora, ela contou ter aprendido com a mãe, Gloria Pires, a importância de não concentrar todas as fontes de renda em uma única atividade. A estratégia permitiu ganhar maior autonomia para escolher projetos e organizar a própria rotina.

Isso diferencia a história de uma simples narrativa de abandono da cidade.

Cleo não deixou de trabalhar nem se isolou profissionalmente. O que mudou foi a forma como passou a organizar o espaço entre trabalho e vida pessoal.

Hoje, aos 44 anos, completados em outubro, ela mantém a carreira enquanto transforma o refúgio na Mantiqueira em parte importante de sua rotina.

Foto: Intagram @cleo

Do refúgio à relação prática com a terra

O sítio de Cleo Pires chama atenção pelas montanhas e pela arquitetura, mas são os elementos mais simples que ajudam a explicar o interesse despertado pela propriedade.

Cavalos circulando pelo terreno, alimentos sendo cultivados, cuidados diários com plantas e animais e uma agrofloresta em implantação colocam atividades ligadas ao campo no centro de uma rotina construída justamente para se afastar, ao menos em parte, da velocidade dos grandes centros.

Não se trata de uma propriedade agropecuária voltada à produção comercial. Tampouco existem informações públicas suficientes para classificar seus animais como exemplares de alto valor genético ou comercial.

O que existe é uma experiência contemporânea de vida rural em que conforto, natureza e práticas de cultivo começam a dividir o mesmo espaço.

E talvez seja justamente esse contraste que torne o sítio de Cleo diferente de uma simples casa de campo: a paisagem não serve apenas para ser observada. Aos poucos, o casal passou a fazer parte dela.

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