Cidade de Mato Grosso produz R$ 7,87 bilhões e é a quarta maior potência agrícola do Brasil

Campo Novo do Parecis se destaca no ranking do IBGE, com a soja impulsionando o valor da produção agrícola e a economia do Chapadão dos Parecis.

Campo Novo do Parecis, no oeste de Mato Grosso, ocupa uma posição de destaque entre os municípios que mais geram valor com suas lavouras no Brasil. Com R$ 7,87 bilhões em valor da produção agrícola em 2025, o município aparece na quarta colocação nacional, segundo os resultados da Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em setembro de 2026.

O resultado coloca a cidade em um grupo no qual a agricultura tem dimensão bilionária e influencia atividades muito além das fazendas. A produção exige máquinas, assistência técnica, transporte, armazenagem e financiamento, conectando o desempenho das lavouras à movimentação do comércio e dos serviços. Para compreender o alcance dessa posição, porém, é necessário observar o critério do levantamento: o ranking considera o valor da produção agrícola, e não a extensão territorial, o volume total colhido ou o lucro dos produtores.

Campo Novo do Parecis está entre os gigantes das lavouras

No levantamento referente a 2025, Campo Novo do Parecis ficou atrás de Sapezal, também em Mato Grosso, de São Desidério, na Bahia, e de Sorriso, no norte mato-grossense.

Posição nacionalMunicípioValor da produção agrícola em 2025
1ºSapezal (MT)R$ 8,59 bilhões
2ºSão Desidério (BA)R$ 8,22 bilhões
3ºSorriso (MT)R$ 8,16 bilhões
4ºCampo Novo do Parecis (MT)R$ 7,87 bilhões

Os números mostram a proximidade entre os municípios líderes: considerando os valores arredondados, Campo Novo do Parecis ficou aproximadamente R$ 290 milhões abaixo de Sorriso.

Essa comparação precisa ser interpretada com cuidado. Como o indicador combina quantidade produzida e preços, uma cultura de maior valor comercial pode elevar a posição de um município mesmo sem colocá-lo na liderança em toneladas colhidas.

Soja sustenta destaque, mas a identidade agrícola vai além

A soja aparece como principal destaque do resultado de Campo Novo do Parecis no levantamento de 2025. O desempenho reforça a relevância do município no Chapadão dos Parecis, uma região que reúne importantes polos de produção de grãos e fibras.

A identidade agrícola local, entretanto, também inclui outras cadeias. A prefeitura destaca o município pela produção de milho-pipoca e girassol, culturas que ajudam a diferenciar sua agricultura dentro de um estado amplamente associado à soja, ao milho e ao algodão.

Do ponto de vista produtivo, trabalhar com diferentes culturas pode ampliar as possibilidades de planejamento. Essa diversificação, contudo, depende de condições concretas: mercado comprador, contratos, disponibilidade de máquinas, exigências de qualidade e adequação ao calendário agrícola.

Para o produtor, a decisão envolve avaliar quanto cada atividade pode entregar de margem, quais riscos assume e como se encaixa no sistema de produção da propriedade.

Uma cidade de menos de 50 mil habitantes no último censo

A dimensão das lavouras ganha outra perspectiva quando comparada ao tamanho da população. No Censo de 2022, Campo Novo do Parecis tinha 45.899 habitantes, segundo o IBGE. Seu território supera 9,4 mil quilômetros quadrados.

A comparação evidencia a escala econômica da agricultura, mas não permite transformar os R$ 7,87 bilhões em uma suposta renda dos moradores. O valor produzido nas lavouras passa por uma cadeia de pagamentos, investimentos e despesas.

Sementes, fertilizantes, defensivos, combustível, manutenção, salários, frete e financiamento precisam ser descontados para que se conheça o resultado efetivo de uma atividade. Uma produção de alto valor pode coexistir com margens apertadas, dependendo dos custos e das condições de comercialização.

O que o ranking representa para o produtor rural

A colocação nacional dá visibilidade ao município e ajuda a dimensionar seu mercado agrícola. Para quem produz, porém, o desafio continua sendo converter produtividade e escala em resultado financeiro.

Nesse contexto, três decisões têm peso especial:

  • Planejamento dos custos: definir investimentos e compras de insumos conforme a capacidade financeira da operação.
  • Comercialização: acompanhar preços, compromissos de entrega e necessidade de caixa.
  • Logística e armazenagem: avaliar como frete, capacidade de estocagem e período de venda afetam a margem.

Esses fatores ajudam a explicar por que o valor da produção, isoladamente, não conta toda a história de uma safra. A mesma quantidade colhida pode gerar resultados diferentes entre propriedades, conforme o custo por hectare e o preço efetivamente recebido.

Chapadão dos Parecis reforça o peso de Mato Grosso

A presença de Campo Novo do Parecis entre os líderes faz parte de um cenário mais amplo. Mato Grosso reuniu cinco dos dez municípios com maior valor da produção agrícola em 2025: Sapezal, Sorriso, Campo Novo do Parecis, Diamantino e Nova Mutum.

Dentro desse grupo, a proximidade regional entre Campo Novo do Parecis e Sapezal chama atenção. Os dois municípios figuram entre os quatro primeiros do país, reforçando a importância do Chapadão dos Parecis no mapa agrícola brasileiro.

Para Campo Novo do Parecis, os R$ 7,87 bilhões consolidam uma posição de destaque nacional. O próximo desafio econômico é fazer essa escala se traduzir em eficiência nas propriedades, infraestrutura para acompanhar a produção e oportunidades para os negócios que dependem do campo.

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