Governo paulista homologou emergência em Registro, Ribeira, Iporanga, Barra do Turvo e Piracaia nesta terça-feira; enquanto áreas atingidas ainda contabilizam danos, INMET prevê que novos acumulados acima de 100 mm podem se concentrar entre Minas Gerais e Rio de Janeiro
A sequência excepcional de chuvas que atingiu São Paulo nos últimos dias passou a produzir uma nova dimensão de impactos. O Governo paulista homologou nesta terça-feira (15) situação de emergência em cinco municípios atingidos pelas precipitações: Registro, Ribeira, Iporanga, Barra do Turvo e Piracaia.
A decisão ocorre quando setembro ainda nem chegou à segunda metade completa, mas diversas estações meteorológicas do estado já superaram seus recordes históricos de chuva para o mês inteiro. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Bragança Paulista acumulou 273,8 mm nos primeiros 14 dias de setembro, enquanto Iguape chegou a 331,2 mm. Na estação São Paulo–Mirante, foram registrados 253,8 mm, acima do recorde anterior de 243,1 mm, de 1983.
O cenário, entretanto, começa a mudar de posição. A instabilidade ainda favorece chuva nesta terça e quarta-feira no leste e norte paulista, mas os maiores volumes previstos passam a se concentrar principalmente entre Rio de Janeiro, sudeste de Minas Gerais e Espírito Santo. O modelo COSMO do INMET indica que acumulados podem superar 100 mm pontualmente entre Minas e Rio.
Cinco municípios entram oficialmente em emergência
A homologação estadual alcança Registro, Ribeira, Iporanga, Barra do Turvo e Piracaia, atingidos pelas fortes chuvas desde sexta-feira (11).
O balanço oficial divulgado às 9h desta terça mostra a continuidade das operações de resposta e assistência às comunidades afetadas.
No Vale do Ribeira, algumas localidades chegaram a ficar isoladas pelas inundações. Equipes da Defesa Civil precisaram levar ajuda humanitária a comunidades cujo acesso foi comprometido pelas águas.
Trata-se aqui de fato observado e oficialmente confirmado, diferente dos volumes projetados para os próximos dias, que permanecem no campo da previsão meteorológica.
Setembro já quebrou recordes antes de chegar à metade
Os dados do INMET ajudam a dimensionar a excepcionalidade do episódio.
Em Bragança Paulista, os 273,8 mm registrados até o dia 14 representam volume 160,8% superior ao antigo recorde mensal, de 105 mm, registrado em 2022.
Em Iguape, o acumulado chegou a 331,2 mm, superando em 38,8% o recorde anterior. Registro alcançou 242,6 mm; Taubaté, 180,4 mm; Campos do Jordão, 166,6 mm; Piracicaba, 159 mm; e Barra do Turvo, 248,2 mm.
Na capital, a estação automática do Mirante acumulou 253,8 mm, tornando setembro de 2026 o mais chuvoso da série considerada pelo INMET para essa comparação, mesmo com mais de duas semanas restantes no mês.
Atenção agora se desloca para Minas e Rio
Embora São Paulo continue lidando com os efeitos das precipitações, a previsão indica mudança no núcleo dos maiores acumulados.
O INMET projeta para o período entre 14 e 21 de setembro mais de 100 mm na Zona da Mata mineira, região serrana do Rio de Janeiro e norte fluminense.
Isso não significa que todas as cidades dessas regiões receberão 100 mm. O valor corresponde aos maiores acumulados projetados pelo modelo para áreas específicas e pode mudar conforme as atualizações meteorológicas.
Para terça e quarta-feira, o INMET mantém condições para novos episódios de chuva no Sudeste e informou a existência de aviso amarelo de perigo potencial para tempestades nas áreas sob maior instabilidade.
Paraná também volta ao radar
Outra preocupação aparece mais adiante na previsão.
Depois de uma sequência recente de temporais, o Paraná pode voltar a registrar acumulados elevados no fim de semana.
Segundo o Informativo Meteorológico nº 37/2026 do INMET, volumes acima de 100 mm podem ocorrer em Curitiba e Região Metropolitana, litoral e áreas centrais e oeste do estado até o dia 21.
Santa Catarina pode superar 70 mm em áreas próximas de Joinville, Criciúma, Florianópolis e demais trechos do litoral.
No Rio Grande do Sul, a instabilidade ganha força entre os dias 19 e 21, primeiro nas proximidades da Lagoa dos Patos e Pelotas e posteriormente no oeste, incluindo áreas próximas a Uruguaiana, São Borja e Alegrete, onde os volumes podem chegar à casa dos 60 mm.
O impacto no agro não termina quando a chuva para
Para propriedades rurais atingidas pelos maiores volumes, o problema não está restrito à precipitação no momento em que ela ocorre.
Solo saturado pode restringir tráfego de máquinas, atrasar operações agrícolas, prejudicar acessos internos e estradas rurais e aumentar problemas de erosão e encharcamento em áreas mais vulneráveis.
Em regiões de pecuária, inundações também exigem atenção a acessos, disponibilidade de áreas secas para os animais e condições de deslocamento dentro das propriedades.
Já para áreas agrícolas que ainda aguardam melhores condições para implantação da safra 2026/27, especialmente no Centro-Oeste, a situação é praticamente oposta. O INMET prevê cerca de 50 mm no sul de Mato Grosso do Sul, sobretudo próximo de Dourados, mas mantém grande parte da região com tempo estável durante a semana.
O Brasil, portanto, atravessa nesta semana um cenário de forte contraste: excesso de água e recordes históricos em parte do Centro-Sul, enquanto importantes áreas agrícolas ainda aguardam uma distribuição mais consistente das chuvas para o início da nova temporada.
O que é fato e o que ainda é previsão
Fato observado: recordes de chuva já foram superados em diversas estações paulistas, com até 331,2 mm em Iguape nos primeiros 14 dias de setembro.
Situação oficial: cinco municípios tiveram situação de emergência homologada pelo Governo de São Paulo nesta terça-feira.
Previsão: acumulados podem superar 100 mm em áreas de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná até 21 de setembro.
Tendência: a instabilidade perde protagonismo em parte de São Paulo e volta a ganhar força no Sul no fim de semana, enquanto os maiores volumes do Sudeste passam a se concentrar entre MG e RJ.
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