Flagrante ocorreu no aeroporto de Foz do Iguaçu, dez dias após outra apreensão na região; autoridades já recolheram 81 ovos de aves silvestres nos dois episódios.
A Polícia Federal prendeu um cidadão chinês de 44 anos que tentava embarcar com 47 ovos de aves silvestres escondidos em caixas de bombons, no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, no Paraná. A ocorrência foi registrada na terça-feira (3 de novembro), por volta das 13h, quando o passageiro se preparava para viajar até o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
O flagrante aconteceu apenas dez dias depois de uma apreensão semelhante na fronteira paranaense. Considerando os dois casos, 81 ovos foram recolhidos pelas autoridades, ampliando a preocupação com o transporte clandestino de espécies nativas e os possíveis danos à reprodução dessas aves.
Ovos foram descobertos durante fiscalização no aeroporto
A bagagem chamou a atenção durante os procedimentos de inspeção. A verificação revelou dezenas de ovos acondicionados em embalagens de chocolates, utilizadas para disfarçar o conteúdo transportado.
Com a identificação do material, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) participou dos procedimentos de identificação e encaminhamento.
Os ovos foram levados à Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Realeza, no sudoeste do Paraná, onde receberiam avaliação e cuidados técnicos.
Até o momento, não foram divulgadas informações conclusivas sobre as espécies envolvidas, a origem dos ovos ou a existência de embriões viáveis. A Polícia Federal também não esclareceu se São Paulo seria o destino definitivo do material.
Outra apreensão já havia revelado transporte clandestino de ovos
Em 24 de outubro, a Receita Federal interceptou um casal de nacionalidade chinesa em um ônibus interestadual que seguia para o Rio de Janeiro. Durante a fiscalização, foram encontrados ovos de aves nativas em caixas adaptadas e escondidos nas roupas de uma passageira.
O episódio ganhou repercussão após o nascimento dos primeiros animais, conforme registrado na reportagem sobre a apreensão de ovos de aves avaliados em até R$ 10 milhões.
Inicialmente, a Receita Federal informou a apreensão de 32 ovos. Posteriormente, a Itaipu Binacional registrou 34 unidades recebidas para acompanhamento veterinário, número utilizado no balanço atualizado das ocorrências.
Segundo informações divulgadas em 4 de novembro, 24 filhotes dessa primeira apreensão permaneciam vivos sob os cuidados do Refúgio Biológico Bela Vista, mantido pela Itaipu. Entre eles estavam 19 aves da família dos tucanos e araçaris e cinco araras.
Os profissionais realizam alimentação específica e acompanhamento do desenvolvimento dos animais, procurando reduzir o contato humano para preservar suas possibilidades de adaptação futura.
Tráfico de ovos pode comprometer a reprodução das espécies
Diferentemente do transporte de aves adultas, a movimentação clandestina de ovos pode passar despercebida em bagagens e pequenas embalagens. Entretanto, os embriões dependem de condições ambientais adequadas para continuar seu desenvolvimento.
A retirada de ovos de ninhos naturais também interfere no ciclo reprodutivo das espécies, sobretudo quando envolve populações ameaçadas ou submetidas à captura frequente.
O problema tem reflexos ambientais e sanitários. A circulação irregular de animais, sem informações confiáveis sobre procedência, dificulta o monitoramento de enfermidades. A importância desse controle já foi abordada em conteúdo sobre a Guia de Trânsito Animal e o combate ao tráfico de fauna silvestre.
Pela Lei nº 9.605/1998, transportar ovos de espécies da fauna silvestre nas condições proibidas pelo artigo 29 pode configurar crime ambiental. O enquadramento e a eventual responsabilização dependem das circunstâncias apuradas pelas autoridades.
Polícia investiga origem e possível destino dos 47 ovos
A nova ocorrência ainda deixa questões importantes sem resposta. Não se sabe onde os ovos foram coletados, quem seria responsável por recebê-los ou se existe alguma relação entre o passageiro preso no aeroporto e os envolvidos na apreensão anterior.
Também não há avaliação oficial específica sobre o possível valor comercial da nova carga. As cifras mencionadas no primeiro episódio não representam uma estimativa confirmada para os 47 ovos.
A identificação das espécies e o acompanhamento realizado pela universidade poderão esclarecer a situação dos embriões. Paralelamente, as investigações deverão determinar as circunstâncias do transporte e a eventual participação de outras pessoas.
VEJA MAIS:
- Pai e filho são presos com mais de 150 animais silvestres vendidos pela internet em Minas Gerais
- Homem é descoberto pela justiça após transformar a própria casa em cativeiro para 53 aves
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.