Processadores de soja da China, recorrem às exportações de farelo de soja para vender seus excedentes de ração animal diante da demanda fraca pelo alimento do rebanho de suínos no país, publicou a Bloomberg
Bloomberg — A China tem enviado quantidades recordes de farelo de soja para o exterior, uma vez que o número menor de suínos e a fraca demanda por carne suína forçam os processadores de soja a exportar seus excedentes de ração animal.
As vendas do produto ao exterior, algo incomum para a China, são mais um sinal de como a redução do consumo doméstico tem afetado a economia chinesa e alterado os fluxos comerciais.
A China é o maior importador mundial de produtos agrícolas, e boa parte das compras do exterior está relacionada à alimentação do enorme rebanho de suínos do país e ao fornecimento de carne suína suficiente para atender centenas de milhões de famílias. A carne suína é a proteína animal mais consumida no país.
Para isso, a China depende de grandes quantidades de soja importada da América do Sul, principalmente do Brasil, e dos Estados Unidos, que são esmagadas e transformadas em farelo para alimentar o rebanho e para produzir óleo de cozinha. Mas os consumidores, que enfrentam um orçamento mais apertado, não estão gastando como antes. Ao mesmo tempo, os agricultores reduziram seus rebanhos porque os preços estão muito baixos.
Isso fez com que os preços locais do farelo de soja oscilassem em torno das mínimas de três anos. As exportações, por sua vez, subiram para quase 600.000 toneladas nos primeiros quatro meses de 2024, o que representa quase cinco vezes o nível do ano anterior. Os destinos incluem o vizinho Japão, mas também países distantes como o Reino Unido.
O crescimento das exportações da China, no entanto, deve reduzir pouco a demanda por farelo de soja dos principais exportadores sul-americanos. Tanto a Argentina quanto o Brasil embarcaram mais de 20 milhões de toneladas no ano passado.
A possibilidade de as exportações chinesas permanecerem nos níveis atuais depende muito dos preços do farelo de soja e da oferta de soja nesses países, bem como do impacto da redução do número de suínos na China.
As importações de soja do país normalmente aumentam no meio do ano. Além disso, as esmagadoras chinesas devem analisar os efeitos das fortes chuvas no Rio Grande no Sul sobre a safra sul-americana, bem como as crescentes tensões entre Pequim e Washington, como motivos para manter as compras elevadas e criar uma reserva caso os suprimentos diminuam no final do ano.
Fonte: Bloomberg Linea
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