China compra quase 50% menos carne bovina do Brasil e derruba exportações

Queda de quase 50% nas compras chinesas reduziu os embarques brasileiros em julho, mas consultorias afirmam que o problema está concentrado no mercado da China, e não representa perda de competitividade da carne bovina brasileira no exterior.

As exportações brasileiras de carne bovina perderam força em julho, interrompendo uma sequência de recordes observada ao longo de 2026. O principal motivo foi a forte retração das compras da China, maior destino da proteína brasileira, que reduziu significativamente o ritmo das importações diante das novas regras de salvaguarda impostas por Pequim.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Compre Rural, mostram que o Brasil embarcou 227,94 mil toneladas de carne bovina in natura (fresca, resfriada e congelada) em julho, volume 18% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram exportadas 276,88 mil toneladas. Apesar da queda no volume, a receita recuou apenas 6%, somando US$ 1,447 bilhão, reflexo da valorização do preço médio da proteína brasileira no mercado internacional.

O valor médio da tonelada exportada alcançou US$ 6.350,50, alta de 14,4% em relação a julho do ano passado, indicando que os compradores continuam pagando mais pela carne bovina brasileira.

China explica praticamente toda a desaceleração

Na avaliação da Agrifatto, o desempenho negativo de julho não está relacionado à perda de competitividade do produto brasileiro.

Segundo a consultoria, a desaceleração ocorreu porque a China passou a reduzir as compras após a implantação do novo sistema de salvaguarda para a carne bovina brasileira.

“O resultado negativo em julho não decorre de perda de competitividade da carne bovina brasileira no mercado exterior, mas de um ajuste concentrado em um único destino — a China —, enquanto o restante da carteira de clientes seguiu firme”, destaca a Agrifatto.

Desde janeiro deste ano, Pequim estabeleceu uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas para as exportações brasileiras. Todo o volume que ultrapassar esse limite passa a pagar uma tarifa adicional de 55%, além da tarifa convencional de 12%.

Com isso, muitos frigoríficos reduziram os embarques destinados ao país asiático a partir da segunda quinzena de julho, evitando o risco de a carga desembarcar já sujeita à tributação extra.

Compras chinesas caem quase 48%

Os números mostram a dimensão desse movimento.

Em julho, a China importou 82,71 mil toneladas de carne bovina brasileira, uma retração de 47,79% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo a Agrifatto, trata-se do menor volume mensal desde março de 2024, evidenciando o impacto direto das novas regras comerciais adotadas pelo governo chinês.

Exportações totais também perderam ritmo

Considerando todos os produtos da cadeia bovina — carne in natura, industrializados e miúdos —, o Brasil exportou 259,53 mil toneladas em julho.

O volume ficou 16,9% abaixo de junho e 16,7% menor que o registrado em julho de 2025, representando o menor desempenho mensal de 2026.

Mesmo assim, a receita alcançou US$ 1,57 bilhão, enquanto o preço médio da tonelada subiu para US$ 6.041,22, valorização superior a 13% sobre o ano anterior.

Para a Agrifatto, esse comportamento demonstra que a demanda internacional continua sólida e que os importadores seguem dispostos a pagar mais pela proteína brasileira.

No acumulado do ano, cenário ainda é positivo

Apesar da desaceleração observada em julho, o desempenho das exportações brasileiras continua positivo em 2026.

Entre janeiro e julho, o Brasil embarcou 1,94 milhão de toneladas de carne bovina (in natura, industrializados e miúdos), crescimento de 9,11% sobre o mesmo período de 2025.

No mesmo intervalo, o preço médio das exportações avançou 18,23%, atingindo US$ 6.094,79 por tonelada, reforçando a valorização da carne bovina brasileira no mercado internacional.

Mercado acompanha próximos passos da China

O mercado agora acompanha a evolução da utilização da cota chinesa e a estratégia dos frigoríficos brasileiros para os próximos meses.

Embora julho tenha registrado uma forte retração nos embarques para o principal comprador da carne bovina brasileira, a leitura predominante entre os analistas é que o movimento decorre de uma questão tarifária específica e não de perda de espaço do Brasil no comércio internacional.

Enquanto isso, a diversificação dos mercados compradores e os preços internacionais ainda sustentados permanecem como fatores importantes para o setor exportador, que segue atento às decisões comerciais de Pequim e à dinâmica da demanda global por proteína bovina.

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