Sistema permite instalar barreiras em áreas afastadas da rede elétrica, mas eficiência depende do posicionamento dos fios, do aterramento e da manutenção
Os prejuízos provocados por javalis nas lavouras têm levado produtores rurais a buscar formas de proteger as áreas de cultivo antes que os animais comprometam a produção. Entre as alternativas está a cerca elétrica alimentada por energia solar, que permite instalar uma barreira em locais sem acesso à rede elétrica e manter o equipamento funcionando durante a noite, período de maior atividade desses animais.
A proteção, entretanto, depende de um conjunto de cuidados. O comportamento do javali, as condições do terreno e a qualidade da instalação influenciam o resultado. Pontos vulneráveis junto ao solo podem facilitar a passagem, mesmo em uma área cercada, tornando o planejamento da estrutura tão importante quanto a escolha do eletrificador.
Por que a parte inferior da cerca exige atenção
O javali utiliza o focinho para explorar o terreno e procurar passagens. Ao encontrar uma abertura, pode tentar forçar a estrutura ou cavar por baixo dela. Essa característica exige um projeto diferente daquele pensado apenas para a contenção de animais de criação.
Segundo Michel Antônio Hickmann, sócio-diretor da fabricante gaúcha Zebu Sistemas Eletrônicos, a região próxima ao chão está entre os principais pontos de atenção na instalação de cercas destinadas a dificultar a entrada de javalis.
Por isso, o primeiro fio precisa ficar próximo ao solo, enquanto os demais devem ser distribuídos conforme as condições da propriedade e o projeto técnico. A estrutura também deve contar com isoladores adequados, conexões bem executadas e aterramento eficiente.
O objetivo da eletrificação é produzir um estímulo de desconforto quando o animal toca o fio. A experiência pode fazê-lo associar aquela barreira a uma situação negativa, reduzindo novas tentativas de passagem. Isso, porém, exige que o sistema esteja funcionando corretamente no momento do contato.
Energia solar permite proteger áreas remotas
Em propriedades extensas, levar energia elétrica até o perímetro de uma lavoura pode ser um desafio. Os eletrificadores solares oferecem uma alternativa ao utilizar a energia captada durante o dia para manter a bateria carregada.
É a bateria que permite sustentar o funcionamento do equipamento durante a noite, quando não há geração solar. Essa continuidade tem importância especial na proteção contra javalis, que apresentam hábitos predominantemente noturnos.
A Zebu desenvolveu o JAVA300, eletrificador solar voltado a situações de controle desses animais. Segundo a fabricante, os equipamentos alimentados por energia solar estão entre os produtos com maior crescimento em seu catálogo.
Para o produtor, a possibilidade de instalação longe da rede elétrica amplia as opções de proteção. Ainda assim, o desempenho depende da adequação do equipamento à área e das condições de funcionamento de todo o conjunto.
Mais potência não corrige uma instalação inadequada
Aumentar a potência do eletrificador ou acrescentar fios, isoladamente, não resolve todas as vulnerabilidades da cerca. Uma passagem junto ao chão, uma conexão deficiente ou problemas no aterramento podem comprometer a barreira.
“O segredo está em fazer o projeto correto”, afirma Hickmann.
Na prática, o planejamento deve considerar tanto o comportamento dos animais quanto a rotina da fazenda. Portões, acessos e pontos de circulação precisam integrar o projeto, permitindo a passagem de máquinas, trabalhadores e rebanhos sem criar aberturas que facilitem a entrada dos javalis.
Entre os cuidados destacados para a instalação estão:
- Posicionamento dos fios: atenção especial à região próxima ao solo.
- Resistência da estrutura: suportes e materiais compatíveis com a finalidade da cerca.
- Aterramento e conexões: execução adequada para o funcionamento do sistema.
- Manutenção periódica: inspeção dos fios, isoladores, bateria e demais componentes.
- Planejamento dos acessos: proteção também nos pontos usados pela rotina operacional.
Proteção da lavoura exige acompanhamento contínuo
Além dos danos às áreas de cultivo, o javali pode cruzar com porcos domésticos, ampliando o desafio de manejo desses animais no meio rural. Nesse cenário, as cercas elétricas representam uma ferramenta para dificultar o acesso às áreas produtivas, sem eliminar a necessidade de acompanhar o que ocorre no entorno da propriedade.
A tecnologia também tem aplicações no manejo de rebanhos, na divisão de áreas e na proteção de cultivos. Para a finalidade de conter a entrada de javalis, contudo, o projeto precisa levar em conta a capacidade do animal de explorar falhas na estrutura.
O ponto central para o produtor é manter a barreira operacional justamente quando ela é mais necessária. Uma cerca bem planejada, com alimentação contínua e manutenção em dia, reúne condições mais favoráveis para proteger a lavoura do que uma instalação escolhida apenas pela potência do equipamento.
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