Cemaden eleva risco para alto com previsão de chuva forte entre Paraná e Santa Catarina

Atualização publicada na madrugada aponta risco hidrológico alto nas regiões de Curitiba e Joinville; novas pancadas podem provocar enxurradas, alagamentos e inundações em pequenas bacias

Uma nova atualização divulgada durante a madrugada desta terça-feira (6) elevou o nível de atenção para a chuva no Sul do Brasil. O Cemaden classificou como alta a possibilidade de permanência de eventos hidrológicos nas regiões de Curitiba, no Paraná, e Joinville, em Santa Catarina, diante da previsão de novas precipitações sobre áreas que atravessam uma sequência de dias instáveis.

Segundo o órgão federal, podem ocorrer pancadas de intensidade moderada a forte ao longo desta terça-feira, capazes de gerar altos acumulados e favorecer enxurradas, extravasamento de canais de drenagem, alagamentos e inundações em pequenas bacias hidrográficas. Para produtores rurais, o cenário exige atenção aos cursos d’água, às baixadas e às condições de acesso às propriedades.

A atualização foi publicada às 2h24 desta terça-feira, depois da previsão nacional divulgada pelo INMET na tarde de segunda. O boletim considera não apenas a chuva prevista, mas também as condições hidrológicas existentes e os acumulados anteriores.

Curitiba e Joinville entram em risco alto

As Regiões Geográficas Intermediárias de Curitiba e Joinville aparecem classificadas com possibilidade alta de permanência de eventos hidrológicos nesta terça-feira.

A chuva prevista poderá ocorrer em pancadas moderadas a fortes. A preocupação está na combinação entre intensidade e persistência: quando uma área já recebeu precipitação nos dias anteriores, uma nova rodada de chuva pode produzir resposta hidrológica mais rápida.

O Cemaden aponta possibilidade de:

  • Enxurradas;
  • Extravasamento de canais de drenagem;
  • Alagamentos;
  • Inundações em pequenas bacias hidrográficas.

A classificação não significa que todos esses fenômenos ocorrerão em todos os municípios. O risco se refere às regiões indicadas e precisa ser acompanhado em conjunto com as atualizações e orientações locais.

Outras cinco regiões do Paraná permanecem em atenção

O risco não se limita à região de Curitiba. O Cemaden mantém possibilidade moderada de eventos hidrológicos nas regiões de Maringá, Londrina, Ponta Grossa, Guarapuava e Cascavel, no Paraná.

Nessas áreas, também existe possibilidade de pancadas isoladas de forte intensidade. O órgão aponta risco de extravasamentos pontuais de córregos, enxurradas e alagamentos.

Em Santa Catarina, Blumenau aparece igualmente na classificação moderada. O nível mais elevado de risco hidrológico indicado para os dois estados está nas regiões de Curitiba e Joinville.

Chuva desta terça se concentra no norte e leste do Paraná

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia indica chuva principalmente no norte, centro e leste do Paraná, além do centro e leste de Santa Catarina, com possibilidade de trovoadas isoladas.

Durante a tarde e a noite, a precipitação tende a ficar mais concentrada entre norte e leste paranaense e leste catarinense. No oeste dos dois estados, a tendência é de redução da chuva ao longo do dia.

O Rio Grande do Sul terá condição mais estável, embora ainda possa registrar chuva isolada em algumas áreas.

Nebulosidade e chuva seguram as temperaturas

Segundo o INMET, Curitiba deve registrar máxima de 19°C nesta terça-feira. Florianópolis e Porto Alegre têm máxima prevista de 21°C, enquanto a mínima na capital gaúcha pode chegar a 12°C.

A principal preocupação do boletim para as áreas sob risco hidrológico continua sendo a combinação entre novas precipitações e a água acumulada nos dias anteriores.

Risco de deslizamentos também merece atenção

O Cemaden classifica como moderada a possibilidade de movimentos de massa nas regiões de Curitiba e Joinville.

A previsão de chuva moderada a forte pode aumentar os acumulados e favorecer deslizamentos pontuais em encostas suscetíveis. A atenção deve ser maior em áreas de relevo acidentado, cortes de estrada e terrenos que já apresentam excesso de umidade.

No meio rural, essas condições também podem comprometer estradas e acessos localizados em terrenos declivosos.

Chuva sobre solo molhado muda a resposta no campo

Depois de vários dias de instabilidade, o impacto de uma nova chuva não depende apenas do volume previsto para esta terça-feira. Também depende da água já armazenada no solo.

Quando o solo se aproxima da saturação, sua capacidade de receber mais água diminui, favorecendo o escoamento superficial.

Nas propriedades rurais, isso pode aumentar o risco de erosão, formação de sulcos, transporte de sedimentos, danos em carreadores e deterioração de estradas internas. Áreas baixas também podem permanecer encharcadas por mais tempo.

Operações agrícolas podem precisar esperar

Em áreas com excesso de umidade, a entrada de máquinas para cumprir o calendário de implantação da safra pode provocar problemas adicionais.

O tráfego sobre solo muito úmido aumenta o risco de compactação e formação de trilhas, além de dificultar uma semeadura uniforme. Pulverizações também podem ser limitadas pela chuva e pelo vento.

Onde já houve plantio, enxurradas localizadas podem movimentar palhada e solo, afetando trechos recém-semeados.

Esses são impactos possíveis, não perdas já confirmadas. As previsões e classificações de risco apresentadas não permitem afirmar que existam prejuízos agrícolas generalizados decorrentes da chuva desta terça-feira.

São Paulo também começa o dia sob alerta de tempestades

Enquanto Curitiba e Joinville aparecem com risco hidrológico alto, grande parte de São Paulo está sob alerta laranja de perigo para tempestades nesta terça-feira, válido até 23h59.

Os parâmetros associados ao aviso são de 30 a 60 mm de chuva por hora ou 50 a 100 mm no dia, com rajadas de 60 a 100 km/h e possibilidade de granizo.

O aviso meteorológico aponta risco de cortes de energia, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos.

Modelo concentra chuva entre Mato Grosso do Sul e São Paulo

O modelo COSMO do INMET projeta os maiores acumulados desta terça-feira entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, com pontos onde os volumes podem superar 50 mm em 24 horas.

Também aparecem acumulados importantes no sul de Goiás, norte e leste do Paraná e leste de Santa Catarina.

A previsão indica um corredor de umidade ligando Norte, Centro-Oeste e Sudeste e alcançando o norte da Região Sul.

Centro-Oeste continua sujeito a tempestades

Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul também permanecem sob instabilidade.

Nesta terça-feira, são previstas pancadas acompanhadas de trovoadas no noroeste, oeste, centro, sul e leste de Mato Grosso; oeste, centro e sul de Goiás; e grande parte de Mato Grosso do Sul.

Há aviso laranja para tempestades no sul de Mato Grosso e Goiás e no noroeste, norte e leste de Mato Grosso do Sul.

O Cemaden mantém ainda risco hidrológico moderado para a região de Campo Grande, devido aos acumulados anteriores e à possibilidade de novas pancadas fortes.

Regiões de São Paulo, Minas e Rio têm risco hidrológico moderado

A atualização da madrugada também aponta risco hidrológico moderado nas seguintes regiões do Sudeste:

  • São Paulo e São José dos Campos, em São Paulo;
  • Pouso Alegre e Juiz de Fora, em Minas Gerais;
  • Volta Redonda-Barra Mansa, Petrópolis e Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro.

A preocupação é a combinação entre acumulados anteriores e chuva fraca a moderada persistente, capaz de provocar extravasamentos pontuais de córregos, enxurradas e alagamentos.

No Rio Grande do Sul, chuva diminui, mas cheia continua

Mesmo com a melhora do tempo, o Cemaden mantém classificação moderada nas regiões de Santa Maria e Uruguaiana, devido à propagação da onda de cheia na bacia do rio Uruguai.

Essa condição pode manter ou provocar inundações no rio e em seus afluentes.

O cenário mostra por que o acompanhamento dos rios precisa continuar mesmo depois de a chuva diminuir: o nível de um curso d’água pode seguir subindo pela chegada de água de regiões a montante.

Matopiba enfrenta calor e baixa umidade

Enquanto áreas do Centro-Sul enfrentam chuva, parte do Matopiba continua quente e seca.

O INMET prevê 39°C em Teresina nesta terça-feira, enquanto extensas áreas de Piauí, Maranhão e Bahia permanecem sob aviso de baixa umidade.

No Tocantins, grande parte do estado terá pouca ou nenhuma chuva significativa. Na quarta-feira, Palmas pode chegar a 38°C.

O contraste tem implicações para o campo. Enquanto áreas com excesso de umidade podem apresentar dificuldades para as operações agrícolas, outras regiões ainda dependem da regularização das precipitações.

Quarta-feira traz mudanças no padrão de chuva

A partir de quarta-feira (7), a área de baixa pressão próxima ao litoral do Sudeste deve enfraquecer e se afastar em direção ao Oceano Atlântico, reduzindo sua influência sobre Sudeste e Centro-Oeste.

As temperaturas começam a subir e os acumulados diminuem nessas regiões.

Ao mesmo tempo, uma nova área de baixa pressão se intensifica entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai, voltando a transportar umidade em direção ao Sul do Brasil.

Nova instabilidade retorna ao Sul

Já na quarta-feira, novas áreas de instabilidade começam a avançar sobre a Região Sul. O INMET prevê pancadas de chuva e trovoadas isoladas em grande parte da região, com a chegada de umidade pelo oeste.

A tendência apresentada para o Paraná também indica oscilação das temperaturas. Depois da chuva e das temperaturas amenas no começo da semana, o calor volta entre quarta e quinta-feira, com máximas próximas de 30°C em várias áreas.

Uma nova frente fria prevista para quinta-feira poderá trazer outra rodada de tempestades e rajadas fortes. A redução temporária da chuva, portanto, exige acompanhamento das próximas atualizações.

Produtor precisa acompanhar rios e acessos

Nas regiões sob risco alto, o acompanhamento deve considerar tanto a previsão de chuva quanto a resposta da propriedade à água já acumulada.

Córregos elevados, bueiros obstruídos, erosões recentes, baixadas encharcadas e estradas rurais deterioradas merecem atenção. Animais mantidos próximos a rios ou córregos sujeitos a rápida elevação também precisam ser acompanhados.

Máquinas e insumos devem permanecer em locais seguros, fora de áreas historicamente inundáveis. Travessias alagadas não devem ser utilizadas.

Em caso de emergência, os contatos são a Defesa Civil, pelo 199, e o Corpo de Bombeiros, pelo 193.

A atualização do Cemaden reforça a necessidade de acompanhamento nas regiões de Curitiba e Joinville, onde novas pancadas podem prolongar os eventos hidrológicos e agravar ocorrências localizadas.

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