Forever Young venceu o G1 Jockey Club Gold Cup por 3 1/4 corpos, chegou à 12ª vitória em 16 apresentações e agora mira o bicampeonato da Breeders’ Cup Classic.
Um dos cavalos de corrida mais extraordinários de sua geração acrescentou outro capítulo à carreira justamente na reabertura de um dos templos mundiais do turfe. Forever Young venceu o G1 Jockey Club Gold Cup, de US$ 1 milhão, no remodelado Belmont Park, em Nova York, e elevou seus ganhos acumulados para US$ 32,3 milhões.
O japonês de cinco anos cruzou a linha 3 1/4 corpos à frente de Stars and Stripes, completando os aproximadamente 2.000 metros — 1 1/4 milha — em 2:01.23. Além da premiação milionária, Forever Young entrou para a história como vencedor do primeiro stakes disputado na renovada pista principal de Belmont.
Mas uma declaração feita depois da corrida chamou tanta atenção quanto a vitória. Yoshito Yahagi, treinador que já conquistou algumas das provas mais importantes do planeta, resumiu o que pensa sobre seu pupilo: “Nunca verei um cavalo como este novamente em minha vida e em minha carreira.”
E há um detalhe ainda mais impressionante: apesar da vitória por mais de três corpos, Yahagi acredita que Forever Young ainda está longe de seu melhor nível.
Venceu com autoridade — e o treinador ficou apenas 50% satisfeito
Forever Young entrou como grande favorito em um Jockey Club Gold Cup reduzido a quatro competidores após as desistências de Chunk of Gold, Banishing e Render Judgment.
Phileas Fogg assumiu a liderança, enquanto o jóquei Ryusei Sakai manteve Forever Young próximo do ponteiro. Depois de três quartos de milha em 1:11.96, o japonês começou a avançar por fora e assumiu a ponta na entrada da reta.
Não houve necessidade de uma batalha prolongada. Forever Young abriu vantagem e venceu por 3 1/4 corpos, seguido por Stars and Stripes, Baeza e Phileas Fogg.
Mesmo assim, Yahagi revelou que a atuação ficou abaixo daquilo que acredita ser o potencial máximo do animal. O treinador estava completamente satisfeito com o resultado, mas estimou sua satisfação com a performance em apenas 50%. Segundo ele, o condicionamento físico estaria próximo de 80%.
Existe uma explicação importante: Forever Young não disputava uma corrida havia quase seis meses.
Era a primeira corrida desde março
A última apresentação havia ocorrido em março, na Dubai World Cup, quando Forever Young terminou em segundo lugar, apenas um corpo atrás de Magnitude.
Desde então, toda a preparação foi direcionada ao segundo semestre e, principalmente, à tentativa de defender o título da Breeders’ Cup Classic.
Belmont representava o primeiro grande teste dessa preparação. E o retorno terminou com uma vitória de Grupo 1.
Ryusei Sakai, que esteve no dorso de Forever Young em todas as 16 apresentações da carreira, avaliou ainda que o ritmo relativamente lento do Jockey Club Gold Cup não foi o cenário ideal para preparar o cavalo para a Breeders’ Cup.
Ainda assim, quando solicitado na reta final, o japonês respondeu.
São 12 vitórias em apenas 16 corridas
A regularidade ajuda a dimensionar a carreira construída por Forever Young.
Em 16 apresentações, o japonês acumula 12 vitórias, um segundo lugar e três terceiros lugares.
Isso significa um feito impressionante: Forever Young jamais terminou uma corrida fora dos três primeiros colocados.
E não se trata de uma campanha construída contra adversários de menor expressão. O cavalo já competiu em dez hipódromos de quatro países, enfrentando alguns dos melhores PSI do mundo.
No Japão, permanece invicto em seis apresentações. Nos Estados Unidos, conquistou a Breeders’ Cup Classic de 2025. Na Arábia Saudita, venceu duas edições consecutivas da Saudi Cup, em 2025 e 2026.
Agora, adicionou o Jockey Club Gold Cup à coleção.
Cinco vitórias no mais alto nível
Com o triunfo em Belmont, Forever Young alcançou sua quinta vitória de Grupo ou Grade 1.
Mais importante que a quantidade é a diversidade das conquistas. O japonês venceu em diferentes países, pistas e condições, enfrentando adversários internacionais e encarando sucessivas viagens intercontinentais.
Essa capacidade ajuda a explicar por que Forever Young se tornou uma das figuras centrais da internacionalização recente do turfe japonês.
Ele é o atual Cavalo do Ano do Japão e também recebeu nos Estados Unidos o Eclipse Award entre os cavalos mais velhos na areia.
Fortuna nas pistas chega a US$ 32,3 milhões
A vitória no Jockey Club Gold Cup acrescentou US$ 555 mil aos ganhos de Forever Young, levando o total acumulado na carreira para aproximadamente US$ 32,3 milhões.
O número impressiona, mas precisa ser contextualizado.
Parte considerável dessa fortuna foi construída em provas internacionais que oferecem algumas das maiores bolsas do turfe mundial, especialmente a Saudi Cup.
Mais significativo que simplesmente converter o valor para reais é observar onde esse dinheiro foi conquistado: Forever Young vem competindo — e vencendo — no nível mais alto disponível para um PSI de corrida.
Quem é Forever Young
Forever Young nasceu no Japão e foi criado pela Northern Racing. É filho de Real Steel com Forever Darling, filha de Congrats.
Forever Darling também foi vencedora de prova de Grade 2 e pertence a uma família materna de destaque. Ela é meia-irmã da ganhadora de Grade 1 Heavenly Love, que produziu Sierra Leone — justamente um dos grandes adversários encontrados por Forever Young nas pistas americanas.
Antes de se transformar em uma estrela mundial, o japonês também passou por um leilão.
Em 2022, ainda yearling, foi negociado por 98 milhões de ienes. Seu proprietário é Susumu Fujita, enquanto o treinamento ficou sob responsabilidade de Yoshito Yahagi.
Essa combinação ajuda a compreender a carreira do animal: Forever Young não foi preparado apenas para dominar o calendário japonês. Sua campanha foi construída para enfrentar o mundo.
Do Kentucky Derby à Breeders’ Cup
Forever Young já havia mostrado sua capacidade nos Estados Unidos antes de se tornar campeão da Breeders’ Cup.
Em 2024, terminou em terceiro no Kentucky Derby, numa chegada extremamente apertada vencida por Mystik Dan. No mesmo ano, voltou a ser terceiro na Breeders’ Cup Classic, atrás de Sierra Leone.
As derrotas, porém, fizeram parte da construção de uma campanha internacional cada vez mais forte.
Em 2025, Forever Young retornou aos Estados Unidos e venceu a Breeders’ Cup Classic.
Agora, busca algo ainda mais difícil.
Próximo objetivo é o bicampeonato
A vitória no Jockey Club Gold Cup garantiu ao japonês uma vaga na Breeders’ Cup Classic, marcada para 31 de outubro, em Keeneland.
Forever Young tentará defender o título conquistado em 2025.
O planejamento já está traçado. Segundo Yahagi, o cavalo deverá permanecer treinando em Belmont até aproximadamente 20 de outubro, quando seguirá para Keeneland para completar sua preparação.
A estratégia evita uma nova viagem internacional entre as duas grandes provas e permite que o animal permaneça adaptado ao ambiente americano.
Belmont voltou — e Forever Young já entrou para sua história
A vitória ganhou peso adicional por causa do cenário.
Belmont Park estava sem receber corridas havia aproximadamente três anos devido a uma ampla reconstrução. Agora, as competições retornaram ao histórico hipódromo.
A capacidade inicial durante o fim de semana de reabertura foi limitada a 6 mil pessoas, enquanto os andares superiores da nova arquibancada deverão ser concluídos no primeiro trimestre de 2027.
Pouco depois da primeira corrida realizada no remodelado complexo, aconteceu o primeiro grande prêmio na nova pista principal.
E o vencedor foi Forever Young.
A reforma também prepara Belmont para voltar a receber o Belmont Stakes e, em 2027, a própria Breeders’ Cup.
O detalhe que torna a próxima corrida ainda mais interessante
Apesar da vitória confortável, Yahagi acredita que existe margem significativa para evolução.
Forever Young não trocou corretamente de mão durante a reta, comportamento considerado incomum para ele e que o treinador relacionou ao longo período sem competir.
É justamente isso que torna a apresentação ainda mais relevante: o japonês venceu uma prova de Grade 1 por mais de três corpos sem aparentemente estar em seu máximo condicionamento competitivo.
Na Breeders’ Cup, o nível de dificuldade deverá aumentar, com adversários mais fortes e circunstâncias diferentes. Por isso, o Jockey Club Gold Cup funcionou ao mesmo tempo como grande conquista e preparação.
O cavalo que simboliza a força do turfe japonês
Forever Young também representa uma transformação muito maior na criação japonesa do PSI.
Durante décadas, o Japão importou algumas das melhores linhagens do planeta para desenvolver sua criação. Agora, cavalos produzidos dentro desse sistema percorrem o caminho inverso: viajam para Estados Unidos, Oriente Médio e outros centros do turfe para enfrentar — e vencer — a elite internacional.
Forever Young tornou-se uma das maiores expressões dessa estratégia.
Filho de um garanhão japonês, criado no Japão, treinado por uma equipe japonesa e conduzido durante toda a carreira pelo mesmo jóquei japonês, ele construiu parte importante de sua reputação longe de casa.
Belmont acrescentou mais uma conquista a essa trajetória.
E talvez a frase de Yoshito Yahagi explique melhor que os US$ 32,3 milhões por que Forever Young alcançou tamanho status.
Depois de décadas trabalhando com PSI de alto nível, o treinador acredita que pode passar o restante da carreira sem encontrar outro cavalo como ele.
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