Seis animais morreram em propriedades de Dom Aquino e Rondonópolis; ação sanitária determinou vacinação obrigatória em um raio de seis quilômetros e alcançou 187 fazendas
O Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) confirmou seis casos de raiva em bovinos e equinos em duas propriedades rurais do estado. Segundo o comunicado do órgão, um cavalo e cinco bovinos tiveram diagnóstico positivo após a morte dos animais, com registros nos municípios de Dom Aquino e Rondonópolis.
A confirmação mobilizou uma operação sanitária no entorno dos focos. O Indea determinou a vacinação antirrábica dos animais mantidos em propriedades localizadas até seis quilômetros das ocorrências, alcançando 48 estabelecimentos rurais em Dom Aquino e 139 em Rondonópolis — 187 propriedades ao todo. O instituto informou que as medidas de controle previstas para os focos já foram concluídas. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Raiva em bovinos e equinos exige atenção rápida no campo
A raiva é uma zoonose viral que acomete mamíferos e provoca comprometimento progressivo do sistema nervoso central. No ambiente rural brasileiro, bovinos e equinos podem ser infectados principalmente durante a alimentação de morcegos hematófagos, em especial da espécie Desmodus rotundus. Segundo o Mapa, a enfermidade apresenta letalidade de 100% após o desenvolvimento do quadro clínico.
O problema não se limita à perda do animal. Além do impacto econômico para a propriedade, a presença do vírus exige atenção por representar risco também às pessoas que possam ter contato com saliva ou tecidos de um animal infectado. Por isso, casos positivos devem desencadear ações coordenadas entre defesa sanitária animal e saúde pública.
A ocorrência em Mato Grosso se soma a outros episódios recentes registrados no país. Em julho de 2026, por exemplo, Goiás contabilizava 17 casos em animais de produção durante o primeiro semestre, mostrando que a circulação do vírus continua sendo um desafio sanitário relevante para diferentes regiões pecuárias. Goiás registra 17 casos de raiva em animais de produção e reforça alerta aos pecuaristas
Como os focos foram identificados em Mato Grosso
De acordo com as informações atribuídas ao Indea, os diagnósticos ocorreram após a morte dos animais. Material biológico foi coletado e submetido a análise laboratorial, que confirmou a presença do vírus da raiva.
A investigação laboratorial é parte central da vigilância das doenças neurológicas em herbívoros. O Mapa determina que suspeitas de raiva sejam notificadas imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial, inclusive quando o produtor ou médico-veterinário observa alterações neurológicas compatíveis com a enfermidade.
Entre os sinais que podem aparecer estão isolamento do rebanho, andar cambaleante, tremores, salivação intensa, dificuldade de locomoção, paralisia e permanência do animal deitado sem conseguir se levantar. Esses sintomas, porém, não confirmam a raiva sozinhos, já que outras doenças e intoxicações podem provocar manifestações semelhantes. A investigação oficial e o diagnóstico laboratorial são indispensáveis.
Morcego hematófago tem papel central no ciclo rural da doença
Nos herbívoros domésticos, a principal forma de transmissão no Brasil está associada ao morcego hematófago Desmodus rotundus. Durante a alimentação, o animal provoca uma pequena lesão na pele do bovino ou equino, criando uma porta de entrada para o vírus quando o morcego está infectado.
Isso não significa que todo morcego encontrado em uma fazenda esteja infectado. O controle deve ser conduzido pelo Serviço Veterinário Oficial, que utiliza informações sobre ataques, localização de abrigos e ocorrência de casos para direcionar a vigilância. O próprio Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros prevê monitoramento de abrigos de morcegos hematófagos em áreas consideradas de maior risco.
Ataques de morcegos ao rebanho também devem ser comunicados às autoridades sanitárias. O assunto já foi abordado em um registro sobre gado atacado por morcegos e o risco de transmissão da raiva bovina.
Vacinação passa a ser peça central após confirmação de foco
A vacinação antirrábica é uma das principais ferramentas empregadas para reduzir o risco de novos casos. Nos focos de Mato Grosso, a determinação alcançou todos os animais suscetíveis dentro da área delimitada de seis quilômetros ao redor das propriedades atingidas, conforme o Indea.
De acordo com o Mapa, a vacina utilizada em herbívoros deve conter vírus inativado e ser conservada entre 2°C e 8°C, sem congelamento. O órgão recomenda a vacinação de bovídeos e equídeos a partir dos três meses de idade nas situações previstas pelas medidas sanitárias; animais que recebem a vacina pela primeira vez devem receber reforço 30 dias depois.
O cuidado com armazenamento, transporte e aplicação também interfere na proteção do rebanho. A imunização inadequadamente conservada pode perder capacidade de induzir uma resposta satisfatória. Orientações sobre vacinação e registro sanitário foram detalhadas em Declaração de vacina contra a raiva: o que o produtor precisa saber ao atualizar o rebanho.
O que o produtor deve fazer diante de uma suspeita
A principal recomendação é não manipular a boca ou a saliva de um animal que apresente sinais neurológicos. A transmissão ocorre quando o vírus presente na saliva entra no organismo por mordeduras, mucosas ou ferimentos, o que torna a manipulação de animais suspeitos um risco desnecessário.
Também não é indicado abater o animal para consumo nem tentar realizar a coleta de material sem orientação profissional. A notificação deve ser feita ao Serviço Veterinário Oficial, inclusive pelo sistema e-Sisbravet ou pelos canais estaduais de defesa sanitária. Conforme o Mapa, a suspeita de raiva em herbívoros é de notificação obrigatória e deve ser investigada oficialmente.
Para o produtor, a rapidez da comunicação pode reduzir perdas além do animal inicialmente acometido. O diagnóstico permite delimitar a área de risco, direcionar a vacinação, investigar ataques de morcegos e intensificar a vigilância nas propriedades próximas.
O episódio registrado em Dom Aquino e Rondonópolis mostra por que a raiva continua exigindo vigilância mesmo em propriedades sem histórico recente da doença. A combinação entre vacinação, observação do rebanho, comunicação de ataques de morcegos e notificação imediata de sinais neurológicos permanece como a principal barreira para reduzir novos focos e as perdas provocadas pela enfermidade.
VEJA MAIS:
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.