Com apoio técnico, produtores de Cassilândia passaram a receber por Pix, controlar despesas e diversificar o plantio; a mudança também abriu espaço para um sonho antigo: voltar a estudar
Durante anos, as vendas da horta de Antônio Chaves e Lourdes da Silva eram registradas em um caderninho. Os clientes levavam alface, couve e outras hortaliças, mas o pagamento ficava para depois. Enquanto isso, o casal precisava encontrar dinheiro para comprar mudas e manter a produção em Cassilândia, no Mato Grosso do Sul.
A situação começou a mudar quando os produtores buscaram apoio da Assistência Técnica e Gerencial Prepara, do Senar/MS. Com orientação para acompanhar receitas e despesas, eles deixaram de vender fiado, passaram a aceitar Pix e ampliaram a variedade de produtos oferecidos na banca.
Segundo o casal, a organização ajudou a recuperar a renda da atividade e permitiu que as mudas, antes compradas a prazo, passassem a ser pagas à vista. Os produtores não divulgaram valores de faturamento nem o percentual de aumento da renda.
O dinheiro da venda demorava a chegar
Antônio e Lourdes dividem a rotina entre os cuidados com a horta e a comercialização. Por muito tempo, amigos e vizinhos formaram parte da clientela, mas as vendas anotadas para pagamento posterior dificultavam o fechamento das contas.
Para quem trabalha com hortaliças, o intervalo entre a venda e o recebimento merece atenção. Ainda que o produto já tenha saído da banca, despesas como mudas, água, embalagens e transporte continuam exigindo recursos.
Em depoimento divulgado pelo Senar/MS, Antônio resumiu a mudança: “Começou a cortar o fiado e já começou a aparecer dinheiro.”
O casal também passou a aceitar Pix, oferecendo uma alternativa aos clientes que não tinham dinheiro em espécie. A mudança ajudou na disponibilidade imediata de recursos para as despesas da horta, embora Lourdes relate que alguns compradores deixaram de frequentar a banca quando o fiado acabou.
Mais variedade na horta e orientação para o cultivo
A reorganização financeira veio acompanhada de mudanças na produção. Além de alface e couve, o casal passou a cultivar pepino, jiló, pimenta, rúcula e abobrinha, ampliando as opções para quem comprava diretamente na banca.
Antônio e Lourdes também enfrentavam problemas com pragas e doenças na plantação. Com o acompanhamento do Senar/MS, passaram a receber orientações para cuidar dos cultivos.
O técnico de campo Klinton Montanari, que acompanha os produtores, atribui parte do resultado ao comprometimento dos dois em aplicar as recomendações, tanto na gestão das contas quanto no trabalho na horta.
A diversificação pode ajudar uma horta a atender diferentes pedidos e distribuir a produção entre culturas. Para funcionar, porém, precisa considerar a procura dos clientes, a época de plantio, a mão de obra disponível e o risco de perdas dos produtos que não forem vendidos.
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O que a experiência ensina sobre o caixa da propriedade
A história de Antônio e Lourdes mostra como uma venda e o recebimento do dinheiro são momentos diferentes. No fiado, o produtor entrega a mercadoria, mas pode ter de esperar para receber — enquanto as contas da atividade continuam vencendo.
Isso não significa que toda venda a prazo seja ruim. A decisão depende das condições de cada negócio, da confiança no comprador e da capacidade de manter o pagamento das despesas até o recebimento. Para quem vende a prazo, vale registrar quanto cada cliente deve, a data combinada e os pagamentos realizados.
Na rotina de uma pequena horta, algumas medidas ajudam a acompanhar o resultado:
- Anotar diariamente as vendas e a forma de pagamento;
- Registrar os gastos com mudas, sementes, água, embalagens e transporte;
- Separar o dinheiro da atividade das despesas pessoais;
- Acompanhar o que foi vendido, recebido e ainda está pendente;
- Observar quais produtos têm mais procura e quais apresentam maiores perdas.
Dinheiro em caixa não é a mesma coisa que lucro: para saber o resultado da atividade, também é preciso considerar seus custos e despesas.
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Da horta para a sala de aula
A mudança na rotina do casal foi além da produção. Por meio do Programa Despertando, também do Senar/MS, Antônio e Lourdes encontraram a oportunidade de estudar e aprender a ler e escrever.
Antônio conta que, no início, teve receio de frequentar as aulas por considerar que já estava idoso. Depois de conversar com a equipe, decidiu aceitar o convite.
Para Lourdes, a alfabetização permitiu realizar um desejo que carregava havia muito tempo: ler a Bíblia. Em relato ao Senar/MS, ela agradeceu à professora e contou que já consegue fazer a leitura.
A experiência dos produtores de Cassilândia reúne duas conquistas: a melhoria na organização da horta, que sustenta o trabalho do casal, e a oportunidade de estudar, que agora faz parte de sua rotina.
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