Na comparação ano a ano a cotação do café arábica caiu 3,9% após anos de preços recordes, em função da bienalidade positiva.
Entre junho e julho, a cotação do café arábica subiu 15,2% e o robusta subiu 7,5% (figura 1).
A alta retrata uma queda da oferta causada pelo atraso da colheita e pelas incertezas sobre a qualidade dos grãos. A cotação do arábica caiu à mínima do ano em 9 de junho (R$1.383,57 por saca), antes de se recuperar.
Figura 1.
Cotação do café arábica e robusta, em R$/saca.

ConsultoriaAgronegócio
Na comparação ano a ano a cotação do café arábica caiu 3,9% após anos de preços recordes, em função da bienalidade positiva e pela expectativa de uma safra recorde estimada em 66,7 milhões de sacas (Conab).
A cotação café robusta subiu 13,0% no acumulado anual. O atraso na colheita brasileira acabou por sustentar os preços globais do grão, influindo inclusive no mercado do Vietnã, maior produtor mundial da variedade.
Ao mesmo tempo, o arábica caro fez as indústrias consumirem mais robusta nas misturas, fortalecendo a cotação (figura 2).
Figura 2.
Cotação do café arábica e do robusta, em R$/saca, em 12 meses.

Clima atrasou a colheita
Embora episódios de chuva atípica associadas ao El Niño, em maio e final de junho tenham paralisado temporariamente as colheitas mecanizadas, especialmente em um dos principais estado produtores, Minas Gerais, o cenário mudou no início do inverno, entre o final de junho e julho o tempo seco predominou no Sudeste, garantindo o ritmo dos trabalhos no campo. Por outro lado, as temperaturas atípicas continuam no radar, estimulando floradas precoces e trazendo riscos para a maturação da safra seguinte (figura 3).
Figura 3.
Precipitação acumulada no Brasil nos últimos 30 dias, por região.

Exportação e principais destinos
Minas Gerais lidera a exportação de café não torrado, com US$ 660,0 milhões em embarques em junho (Comex Stat). Na sequência, aparecem Espírito Santo (com aproximadamente US$170,0 milhões) e São Paulo (cerca de US$ 60,0 milhões), que sustenta praticamente toda a pauta de exportação do café não torrado do país (figura 4).
Figura 4.
Principais estados exportado de café, até junho de 2026.

Os Estados Unidos são os maiores compradores, com participação estimada em 13,7% das exportações brasileiras de café não torrado, seguido de Alemanha, com cerca de 12,0%, os dois mercados mais consolidados para o produto brasileiro.
Na sequência aparecem a Itália (8,2%), Bélgica (6,7%) e Japão (5,3%).
Final
Com a colheita avançando e o volume recorde chegando ao mercado, a tendência é de acomodação nos preços do arábica nos próximos meses. A cotação do robusta deve ser de firmeza, em função da demanda para blends e pelas condições de oferta no Vietnã, que apesar de maior na safra 25/26, segue com ritmo de venda mais lento, já que muitos produtores do Vietnã têm retido estoques à espera de preços melhores, reduzindo a disponibilidade imediata de grãos no mercado.
Fonte: Scot Consultoria
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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