Empresa israelense líder no setor de proteínas alternativas, lançou a carne de angus cultivada em laboratório em supermercados independentes.
A carne bovina cultivada em laboratório está oficialmente nos supermercados dos Estados Unidos. A Chunk Foods, empresa israelense líder no setor de proteínas alternativas, lançou a carne de angus cultivada em laboratório em supermercados independentes de Los Angeles e Nova Iorque. O produto, resultado de uma combinação entre sustentabilidade e tecnologia avançada, já começa a conquistar espaço no competitivo mercado norte-americano.
A inovação é fruto de um processo de cultivo celular que utiliza células isoladas de óvulos de vacas black angus, desenvolvidas em biorreatores. Durante o cultivo, essas células são enriquecidas com nutrientes à base de soja e trigo, originando um tecido muscular que imita com alta fidelidade a textura e o sabor da carne bovina convencional. O resultado é uma carne de qualidade premium, que promete impacto ambiental significativamente menor, sem a necessidade de criação ou abate de animais.
Apoio governamental impulsiona inovação
Em 2024, a Chunk Foods recebeu apoio decisivo do governo de Israel, consolidando sua posição como pioneira global em alimentos cultivados em laboratório. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, inclusive, participou ativamente do projeto, provando e elogiando o produto em sua fase inicial de desenvolvimento. Essa aliança entre governo e iniciativa privada reforça a liderança israelense em tecnologia alimentar, com o país investindo também em alternativas a peixes e frangos cultivados.
“Nossa estratégia de varejo é focada em uma abordagem em fases”, disse o CEO Amos Golan ao Food Dive. “Inicialmente, estamos lançando com mercearias independentes selecionadas em Los Angeles e na cidade de Nova York para testar as águas e construir um forte engajamento do consumidor.”
Com preços semelhantes aos cortes premium de carne bovina natural, a carne artificial de angus da Chunk Foods se apresenta como uma alternativa atraente para consumidores exigentes e preocupados com sustentabilidade. Para 2025, a empresa projeta uma expansão significativa no mercado norte-americano, buscando atender à crescente demanda por proteínas cultivadas.
Como é produzida a carne artificial de Angus criada em laboratório
O processo de produção da carne de laboratório é altamente inovador. Primeiro, isolam-se células de óvulos de vacas black angus, que são colocadas em biorreatores para multiplicação. Essas células recebem nutrientes específicos, como soja e trigo, o que permite o desenvolvimento de tecidos musculares que replicam a textura e o sabor da carne natural. Essa tecnologia não apenas elimina o abate de animais, mas também reduz o uso de recursos como água e terra, além de diminuir emissões de gases de efeito estufa.
Nos supermercados, o quilo do produto já é comercializado com valores comparáveis aos cortes premium de carne tradicional. Esse equilíbrio de preço é visto como um passo essencial para a aceitação do consumidor e para a democratização desse tipo de alimento no futuro.
O lançamento da empresa no varejo inclui quatro ofertas: bifes, um corte de carne, fatias e carne desfiada.

Os produtos Chunk contêm de 25 a 37 gramas de proteína, vitamina B12 e apenas oito ingredientes, incluindo proteína de soja cultivada, óleo de coco, soja e trigo fermentados, suco de beterraba e ferro fortificado, entre outros.
Estudo da Embrapa cria carne de frango cultivada em laboratório
A Embrapa Suínos e Aves (SC) está desenvolvendo um projeto pioneiro no Brasil para produzindo carne de frango cultivada em laboratório. Utilizando estruturas de nanocelulose bacteriana criadas pela UFSC como suporte, células extraídas de aves são cultivadas em biorreatores para criar tecidos semelhantes a filés de peito de frango. Selecionado em 2021 pelo edital do The Good Food Institute (GFI), o projeto é um dos cinco brasileiros financiados pela organização e busca atender à demanda por alimentos sustentáveis, com análises nutricionais e sensoriais previstas para 2023.
Com tecnologia de ponta, o processo permite criar proteínas alternativas que podem ser usadas em produtos como hambúrgueres, embutidos e filés premium. Além de acompanhar a tendência global por alternativas à carne convencional, o projeto posiciona o Brasil como líder em inovação, com potencial de fornecer tecnologia e produtos ao mercado internacional. A pesquisadora Vivian Feddern destaca que os avanços tecnológicos tornam o cultivo celular cada vez mais viável, impulsionando investimentos no setor.

Impacto no mercado de carnes tradicionais
Enquanto a carne de angus cultivada em laboratório ganha força, o mercado de carnes tradicionais segue a todo vapor e, ainda mais, sem sentir os impactos das chamadas “carnes de laboratório”. A expectativa é que as próximas semanas tragam mais clareza sobre o comportamento do mercado, que serve também de referência para os preços de suínos e frango.
Com a chegada das carnes cultivadas aos supermercados, o setor de alimentos enfrenta uma transformação significativa, que podem redefinir as opções dos consumidores e trazer novas perspectivas para a produção sustentável de proteínas.
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