Brasil despachou 41,9 mil toneladas de carne bovina in natura ao mercado chinês em outubro. O volume cresceu frente a setembro, mas caiu 77,6% em um ano. A nova cota abre em janeiro, e o setor ainda mede a força da demanda.
O Brasil embarcou 41,9 mil toneladas de carne bovina in natura para a China em outubro de 2026, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Terra Investimentos e divulgados em 6 de novembro pelo Notícias Agrícolas. O destino voltou à liderança no mês, mas recebeu 77,6% menos carne brasileira que em outubro de 2025.
Nas negociações para abastecer o mercado chinês em 2027, a largada ficou aquém do esperado em volume e preço, segundo Raphael Martin, da RxM Food, ouvido pela CNN Brasil. A avaliação retrata os primeiros negócios observados pelo exportador. Ainda não há um total público desses contratos que permita medir quanto da nova cota já foi negociado.
O que os embarques de outubro mostram
O Brasil exportou 195,4 mil toneladas de carne bovina in natura para todos os destinos em outubro, com receita de US$ 1,24 bilhão, no mesmo levantamento da Terra Investimentos. A China respondeu por cerca de 21,4% do volume. Os demais destinos receberam, juntos, 153,5 mil toneladas, segundo cálculo da reportagem com os dados arredondados.
Os números medem a saída da mercadoria do Brasil. A cota é contabilizada do lado chinês. Entre as duas etapas há o trânsito marítimo e a liberação da carga. Por isso, as 41,9 mil toneladas embarcadas em outubro não equivalem a 41,9 mil toneladas já abatidas da cota de 2027.
Cota chinesa ganha 22 mil toneladas em 2027
O Ministério do Comércio da China confirmou que o Brasil atingiu o limite de 1,106 milhão de toneladas de 2026 em 29 de setembro. Em 1º de outubro, passou a valer a sobretaxa de 55 pontos percentuais. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a cobrança total chega a 67% fora da cota, ante 12% dentro dela.
De 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2027, o volume reservado ao Brasil sobe para 1,128 milhão de toneladas, cerca de 2% a mais. A Abiec informou em outubro que o setor se programava para fechar negócios ainda em 2026, com chegada no novo ciclo, e discutia com o governo formas de distribuir o uso da cota ao longo do ano.
O que acompanhar nas escalas de abate
Para o pecuarista, o efeito das vendas à China passa pelas compras de gado das plantas habilitadas. Se os pedidos se firmarem, essas unidades podem precisar alongar suas escalas de abate e disputar mais lotes. A intensidade desse movimento também depende do preço da carne exportada, do câmbio e da oferta de animais terminados em cada região.
Na hora de negociar, vale comparar propostas para o mesmo padrão de animal e observar quantos dias de abate os frigoríficos da praça já têm cobertos. A abertura da cota em janeiro dá uma data para a indústria se programar; a procura efetiva por boiada é que indica se os contratos estão chegando ao balcão.
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