Carne bovina em alta: boi dispara nos EUA mesmo após Trump abrir importações; escassez volta a mandar no mercado

Contratos do boi nos EUA subiram mais de 5 centavos por libra em Chicago após forte correção. Analistas avaliam que efeito das novas importações e da reabertura ao gado mexicano já foi absorvido, enquanto a baixa oferta de animais volta ao centro das atenções.

O mercado pecuário dos Estados Unidos apresentou uma reação importante nesta terça-feira, 8 de setembro. Depois da forte pressão provocada pelas medidas do governo Donald Trump para ampliar a oferta de carne importada e pela retomada da entrada de bovinos mexicanos, os contratos futuros do gado voltaram a subir com força na Bolsa de Chicago, indicando que o problema estrutural de falta de animais continua sustentando as cotações.

O contrato de boi gordo para outubro avançou 4,075 centavos e encerrou a 217,025 centavos de dólar por libra, enquanto o gado de reposição para outubro saltou 5,3 centavos, para 325,45 centavos por libra. O movimento ocorreu após uma sequência de quedas e foi atribuído inicialmente à cobertura de posições vendidas, mas analistas destacaram que a baixa disponibilidade de gado voltou a prevalecer sobre as notícias negativas recentes.

Segundo Karl Setzer, da Consus Ag Consulting, ouvido pela Reuters, o mercado começa novamente a olhar para seus fundamentos depois de absorver o anúncio de aumento das importações de carne e a reabertura da fronteira com o México. A questão central permanece a mesma: há pouco gado disponível nos Estados Unidos. O USDA contabilizou apenas 28,5 milhões de vacas de corte em 1º de julho, 1% abaixo do ano anterior, enquanto a produção de bezerros de 2026 foi estimada em 32,5 milhões de cabeças, queda de 2%.

A restrição também aparece no ritmo dos frigoríficos. O abate estimado na terça-feira foi de aproximadamente 109 mil bovinos, contra 121 mil cabeças no mesmo período do ano passado — uma redução próxima de 10%. Ao mesmo tempo, a carne Choice no atacado chegou a US$ 377,57 por 100 libras, avanço de US$ 1,40 no dia.

Os números reforçam um ponto importante para entender o mercado americano: a abertura para mais carne estrangeira consegue aliviar parte da oferta no curto prazo, mas não cria bovinos dentro das fazendas dos Estados Unidos. O próprio USDA reduziu sua previsão de produção de carne bovina em 2026 para aproximadamente 24,97 bilhões de libras e elevou as estimativas de importação para 2026 e 2027. A oferta de bezerros destinada aos confinamentos também deve permanecer mais apertada no fim deste ano e início de 2027.

A situação ganha ainda mais relevância para o Brasil porque Washington autorizou recentemente uma ampliação temporária das importações para tentar conter os preços domésticos. O movimento havia derrubado os futuros do gado e provocado reação de pecuaristas americanos, que temem que carne estrangeira mais barata reduza o incentivo para retenção de novilhas justamente quando o país precisa reconstruir seu rebanho.

O comportamento desta semana, entretanto, mostra que o mercado ainda não acredita em uma solução rápida para a escassez. Mesmo depois do aumento das importações e do retorno parcial dos bovinos mexicanos, os contratos reagiram fortemente assim que os operadores voltaram a olhar para a disponibilidade física de animais.

Para a carne brasileira, essa combinação continua estratégica. Um mercado americano com produção limitada, abate abaixo do ano passado, preços elevados e necessidade crescente de importação tende a manter os Estados Unidos como um importante elemento de disputa pela proteína no comércio internacional.

A recuperação desta terça-feira também deixa um sinal para acompanhar nos próximos pregões: se o gado continuar subindo mesmo diante da maior oferta importada anunciada por Trump, será uma indicação ainda mais clara de que a escassez estrutural está falando mais alto do que as medidas de curto prazo adotadas por Washington.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
RESUMIR COM:
LEIA TAMBÉM
NEWSLETTER COMPRERURAL

Receba as nossas
principais notícias

Conteúdo sobre o agronegócio, direto no seu e-mail.

🔒 Não enviamos spam. Você pode cancelar quando quiser.