Café indígena Paiter Suruí domina pódio e conquista cinco prêmios em Mato Grosso

Produtores de Rondolândia conquistaram as três primeiras colocações na categoria Café Fermentado e se destacaram entre os melhores grãos do estado.

O café indígena Paiter Suruí foi um dos grandes destaques do 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso, realizado em 31 de outubro de 2026, em Juína. Três produtores de Rondolândia conquistaram, juntos, cinco premiações e garantiram todas as posições do pódio na categoria Café Fermentado.

O resultado colocou Miguel Suruí, Rafael Gameb Suruí e Naraykoalab Suruí em evidência entre cafeicultores de diferentes regiões mato-grossenses. A competição recebeu 151 inscrições, com 121 amostras efetivamente encaminhadas para avaliação, provenientes de 16 municípios. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Café indígena Paiter Suruí conquista cinco premiações

Miguel Suruí obteve a maior pontuação da categoria Café Fermentado, com 87,67 pontos. Rafael Gameb Suruí ficou em segundo, com 86,67, enquanto Naraykoalab Suruí alcançou a terceira posição, somando 85,42 pontos.

O desempenho também se repetiu na categoria Excelência Suprema, destinada a destacar os melhores cafés da competição. Miguel conquistou o primeiro lugar e Rafael terminou na segunda colocação.

Além de cafeicultor, Rafael representa a Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí (Coopaiter), organização que participa do fortalecimento da produção indígena.

A conquista reforça uma trajetória de reconhecimento que já ultrapassa as fronteiras estaduais. Em 2024, um café produzido pelo cacique Rafael Mopimop Suruí, em Rondônia, alcançou 100 pontos em um concurso de Robusta Amazônico.

Lavouras indígenas registram salto de produtividade

Os prêmios conquistados em Mato Grosso também refletem mudanças no manejo das plantações.

Segundo Hayath Alves, extensionista da Empaer-MT, o acompanhamento técnico realizado em Rondolândia desde 2020 contribuiu para melhorar os resultados de produtores atendidos.

O profissional relata que lavouras que anteriormente produziam entre 30 e 40 sacas por hectare passaram, em determinados casos, a superar 100 sacas por hectare.

Entre as práticas adotadas estão a adubação, a irrigação e o uso de produtos biológicos. Essas medidas integram um trabalho voltado tanto ao rendimento das plantas quanto à qualidade dos grãos.

O avanço não significa que todos os cafeicultores indígenas tenham atingido esse patamar. Os números foram apresentados pela assistência técnica como exemplos de propriedades acompanhadas.

Reconhecimento pode abrir oportunidades comerciais

O concurso foi organizado pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), em parceria com o Sebrae-MT e apoio técnico da Empaer.

Segundo a Seaf, Mato Grosso reúne atualmente 29 municípios produtores de café e mais de 400 famílias envolvidas na atividade.

O fortalecimento da cafeicultura regional também aparece em iniciativas de assistência técnica. Um levantamento do Sistema Famato apontou que 219 propriedades acompanhadas comercializaram 19,4 mil sacas entre abril e julho de 2026, movimentando R$ 16,2 milhões no período.

Esse avanço da cafeicultura em Mato Grosso mostra a importância de associar produção, gestão e qualidade para ampliar as oportunidades comerciais.

No caso dos produtores Paiter Suruí, a premiação representa uma vitrine para o café de origem indígena. Entretanto, ainda não foram divulgados contratos comerciais ou valores de venda diretamente associados aos lotes vencedores.

Os participantes do concurso também devem receber laudos de avaliação física e sensorial dos cafés, documentos que podem auxiliar na identificação de melhorias no processamento e na apresentação dos produtos a compradores.

O desafio agora é transformar o reconhecimento técnico em oportunidades comerciais duradouras, preservando o protagonismo dos produtores indígenas na condução de suas atividades.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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