A situação reflete um período de estabilidade nas cotações do boi gordo, com os frigoríficos em posições confortáveis quanto às escalas de abate, reduzindo a pressão de compra e, consequentemente, com poucos negócios sendo realizados.
Mercado físico do boi gordo parado, frigoríficos retraídos e escalas alongadas têm sido a realidade nos últimos dias. A situação reflete um período de estabilidade nas cotações, com poucos negócios sendo realizados. Nesta terça-feira (17), o mercado abriu calmo, com os frigoríficos em posições confortáveis quanto às escalas de abate, reduzindo a pressão de compra.
Deste modo, conforme a consultoria Safras & Mercado, reajustes tendem a ser mais difíceis no curto prazo. “Além disso, a liquidez do mercado físico tende a recuar gradativamente até o fechamento do ano e a logística pode ser mais difícil. Várias unidades devem parar para manutenções programadas”, diz o analista da empresa Allan Maia.
Exportação e impacto no mercado interno
As exportações de carne bovina in natura seguem em ritmo mais lento. Até o momento, o volume embarcado totaliza 89,3 mil toneladas, com uma queda de 14,3% frente ao mesmo período de 2023. O preço médio da tonelada teve alta de 7,9%, atingindo US$ 4,9 mil, mas isso não foi suficiente para compensar o menor volume. O faturamento diário caiu 7,5%, evidenciando o desaquecimento do mercado externo.
Preços do boi gordo
- São Paulo: preços acomodados, com frigoríficos atuando de maneira cadenciada nas compras. Arroba foi sinalizada entre R$ 310 e R$ 320
- Minas Gerais: os preços apresentam ligeira queda. O boi gordo ficou posicionado entre R$ 305 e R$ 310
- Goiás: a arroba do boi gordo ficou acomodado, com indicação de negócios no estado em R$ 300 a arroba
- Mato Grosso do Sul: cotações acomodadas. Em Campo Grande a arroba foi cotada em até R$ 320
- Mato Grosso: preços estáveis. Na região de Rondonópolis a indicação ficou em R$ 300
Já o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 mostrou nova oscilação ao longo da última semana, mas segue acumulando quedas expressivas no mês. No dia 17/12, a arroba foi precificada a R$ 310,90, com alta de apenas 0,36% no dia, mas ainda acumulando queda de 11,66% no mês.
Veja a variação mais recente:
- 17/12/2024: R$ 310,90 (alta de 0,36%)
- 16/12/2024: R$ 309,80 (queda de 1,27%)
- 13/12/2024: R$ 313,80 (queda de 0,96%)
- 12/12/2024: R$ 316,85 (alta de 0,13%)
- 11/12/2024: R$ 316,45 (alta de 0,11%)
A tendência reflete falta de liquidez e um mercado travado, com os frigoríficos afastados das compras. Segundo analistas, o momento é marcado por estoques confortáveis e escalas de abate alongadas – algumas já programadas até o início de janeiro.
Cenário do mercado atacadista
No mercado atacadista, a situação também não favorece os pecuaristas. Houve retração de preços devido ao menor ritmo de reposição, especialmente com o varejo já abastecido para as festividades de fim de ano. Cortes alternativos de frango e suíno também têm atraído mais os consumidores.
- Quarto dianteiro: R$ 20,30/kg (-R$ 0,20)
- Quarto traseiro: R$ 26,80/kg (-R$ 0,20)
- Ponta de agulha: R$ 19,50/kg (estável)
O que esperar agora?
De acordo com analistas, três fatores precisam ser observados nos próximos dias para entender os rumos do mercado:
- Evolução do atacado: A demanda no atacado pode perder força no curto prazo.
- Escalas de abate: As escalas longas deixam frigoríficos fora das compras, o que mantém o mercado travado.
- Condições das pastagens: Com o avanço das chuvas, a oferta de animais pode aumentar, pressionando ainda mais os preços.
Além disso, a alta atratividade de cortes alternativos coloca um desafio adicional para o consumo de carne bovina no Brasil.
E agora? Com o mercado físico mais lento e as exportações em ritmo moderado, produtores devem monitorar de perto as movimentações dos frigoríficos e a dinâmica do atacado. A expectativa é de que o cenário continue travado até o final do ano, com retomada das negociações apenas após o início de 2025.
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