Com as possibilidades geradas pelo concurso, produtores brasileiros vêm se consolidando como marca global na comunidade internacional dos cafés especiais.
O Brasil conheceu os 27 melhores cafés especiais da espécie arábica cultivados nesta safra, no dia 31 de outubro, em cerimônia de premiação do Cup of Excellence – Brazil 2026, realizada no Espaço Bisutti Cardoso de Melo, em São Paulo (SP). O concurso, conhecido como o “Oscar do Café”, é o principal do mundo em qualidade para café especial da espécie arábica e, no país, é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE), como ação do projeto “Brazil. The Coffee Nation”.
Experimental
Na categoria “Experimental”, que envolve cafés que passaram por processos inovadores e/ou de fermentação induzida, foram 10 vencedores, com o campeão sendo o lote da variedade Geisha produzido pelo grupo Ipanema Agrícola (foto abaixo), na Fazenda Rio Verde, em Conceição do Rio Verde (MG), na Mantiqueira de Minas, que, com a nota 92,25 pontos na escala de zero a 100 da competição, foi eleito “café presidencial”.

O júri internacional do Cup of Excellence – Brazil 2026, composto por profissionais das principais importadoras do mundo, identificou características sensoriais neste café que remetem à doçura intensa e consistente, com perfil floral e frutado complexo, destacando notas de mel, caramelo, flores de pêssego, frutas amarelas e tropicais, como abacaxi, tangerina e papaia. Eles também informaram que a bebida apresenta corpo aveludado e suculento, acidez cítrica brilhante e equilibrada, delicadeza, elegância e retrogosto longo e persistente.
O título de café presidencial foi concedido aos segundo e terceiro colocados da categoria Experimental, que também alcançaram pontuação superior a 90 pontos. São as amostras de Letícia Bras, variedade Geisha cultivada no Sítio São Pedro, em Vargem Bonita (MG), na região do Café da Canastra, que alcançou 90,13 pontos; e de Jair Bras, um café da variedade Paraíso produzido na Fazenda Campo Alegre, em Piumhi (MG), Café da Canastra, que obteve 90,10 pontos.
VIA Úmida
Na categoria destinada aos frutos que passaram pelo processo de remoção da casca por meio de cilindros descascadores, resultando em cafés despolpados, desmucilados ou cerejas descascados (CD), foram sete vencedores, com o campeão sendo o lote de Cleverson Daniel da Silva (foto abaixo), um Geisha cultivado no Sítio Vargem Alegre, em Cristina (MG), na Mantiqueira de Minas, com a pontuação de 91,31, que o elevou ao patamar de café presidencial.

Os jurados internacionais classificaram esse café com doçura intensa e persistente, perfil floral e frutado complexo, com notas de mel, caramelo, camomila, flores de pêssego, frutas amarelas, de caroço e tropicais, além de possuir corpo aveludado e xaroposo, acidez cítrica brilhante e equilibrada, com delicadeza, elegância e retrogosto longo e marcante.
Essa categoria contou com outro café presidencial, que foi um blend das variedades Catucaí Amarelo e Geisha, produzidas no Sítio São Tarumã, em Cristina, Mantiqueira de Minas, que alcançou a nota 90,58 pontos na avaliação do júri internacional.
VIA Seca
A categoria que envolve a forma mais tradicional da produção no Brasil, o café natural, colhido e seco com casca, tem como campeão o lote de Hilda Cândida da Silva (foto abaixo), um Geisha cultivado no Sítio Nossa Senhora das Candeias, em Cristina, na Mantiqueira de Minas, que obteve a pontuação presidencial de 91,29 pontos.

Esse café foi avaliado pelo júri internacional com doçura intensa e equilibrada, notas florais de jasmim e madressilva, frutas cítricas e tropicais, como limão, tangerina, abacaxi, papaia, pêssego e banana, além de mel e baunilha. Ele também apresenta corpo sedoso e aveludado, acidez cítrica delicada, perfil complexo e limpo, com excelente estrutura, elegância e retrogosto longo e persistente.
A categoria teve outros dois cafés presidenciais, com nota superior a 90 pontos. São os lotes de Flávio Márcio Ferreira da Silva, da variedade Arara produzida na Fazenda Olhos D’Água, em Campos Altos, no Cerrado Mineiro, com 90,88 pontos; e a amostra de Jarbas Cleto Lopes, também da variedade Arara, cultivada no Sítio Bela Vista, em São Gonçalo do Sapucaí (MG), na Mantiqueira de Minas, com 90,48 pontos.
O diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, comenta que, a cada ano, o Cup of Excellence se consolida como uma ferramenta de descobrimento de novos produtores, origens e de agregação de valor aos cafés especiais, transformando os protutores brasileiros vencedores do certame em marca global.
“Essa é a principal função da competição: agregar valor ao café especial brasileiro por meio do protagonismo do produtor brasileiro. O cafeicultor vencedor ganha uma versatilidade enorme, podendo comercializar o grão cru com valor agregado – e com rastreabilidade –, inclusive com nome no pacote mundo a fora; torrar seu café e vender; e explorar o turismo em suas propriedade e região, realçando sua conexão com o respeito aos serviços ambientais e à educação da comunidade. Essas possibilidades que o Cup of Excellence abre permite que o produtor brasileira se consolide, de fato, como marca global”, explica.
Legends of Excellence
Desde o ano passado, a ACE criou a condecoração “Legens of Excellence”, chancela máxima internacional concedida como reconhecimento ao desempenho notável de produtores e empresas que cultivam café especial com qualidade excepcional consistentemente, com inovação e dedicação à comunidade cafeeira, conquistando, ao longo dos anos, diversos prêmios Cup of Excellence, competição criada em 1999, no Brasil, e que, atualmente, tem os direitos de realização no mundo concedidos pela Associação Brasileira de Cafés Especiais à entidade internacional.
No Brasil, é a BSCA quem faz o reconhecimento nacional dessas lendas e, na cerimônia do dia 31, a Orfeu Cafés Especiais foi consagrada como a nova lenda mundial do café especial brasileira. Com o reconhecimento da Orfeu, o grupo se junta a Luiz Paulo Dias Pereira Filho (foto abaixo), que recebeu a honraria na edição passada, e o país passa a ter duas das 12 lendas mundiais da excelência do café.

As lendas se tornam “hors-concours” e não disputam mais o Cup of Excellence em seus países. Assim, para manterem seus cafés especiais em evidência na vitrine global, a BSCA criou, a partir deste ano, o “Selo Legend of Excellence”, que identifica os cafés dos produtores que conquistaram o título vitalício de lenda no Cup of Excellence Brazil e evidenciará ao mercado, de maneira visível, nas embalagens, a história de quem fez da excelência um padrão, uma assinatura de origem, consistência e qualidade que acompanha os cafés por onde eles forem.
Adicionalmente, a ACE criou o “Leilão Beneficente Lendas da Excelência”, como forma de o mercado internacional disputar o que de melhor esses produtores e empresas seguem cultivando a cada safra. Neste ano, em 16 de outubro, no pregão realizado durante a SCAJ 2026 – World Specialty Coffee Conference and Exhibitionos, em Tóquio, no Japão, os lotes produzidos por Luiz Paulo e Orfeu foram arrematados pelos dois maios valores da história pagos pelo produto nacional em leilões mundiais da ACE: US$ 200 por libra-peso (equivalente a US$ 26.456 por saca de 60 kg) e US$ 151/lb-peso (US$ 19.974 por saca), respectivamente.
Mérito BSCA Silvio Leite
Mantendo um perfil de vanguarda e de ditar tendências, na edição deste ano, o Brasil criou o “Mérito BSCA Silvio Leite” no Cup of Excellence – Brazil 2026.

A honraria reconheceu dois provadores brasileiros de cafés especiais que tiveram desempenho de destaque na Fase Nacional e foram alçados à Fase Internacional da competição. Ruhan Corrêa e Karoline Pereira (foto acima) alcançaram esse status e, além de provarem os cafés na etapa final do concurso, também ganharam o direito de participar de uma edição do Cup Of Excellence em Honduras, em 2027.
Visionários da Excelência
Durante a cerimônia, a BSCA e ACE também concederam o título de “Visionários da Excelência” ao fundador e conselheiro diretor da entidade, Marcelo Weyland Barbosa Vieira, e ao também conselheiro diretor da Asociação, Silvio Leite (foto abaixo à esquerda). A honraria reconhece as pessoas que, antes de o Cup of Excellence se tornar um movimento global, entenderam que um café excepcional merecia reconhecimento, que os produtores desses cafés mereciam mais oportunidades e que a qualidade poderia transformar vidas.

Essa visão se tornou realidade graças a pessoas, como Vieira e Leite, que acreditaram no potencial dos cafés especiais desde o início e, por isso, foram condecorados com o título que reconhece esse pioneirismo, cuja liderança, compromisso e contribuições ajudaram a estabelecer o Cup of Excellence e contribuíram decisivamente para a sua construção como ferramenta de fortalecimento da comunidade dos cafés especiais, unindo desde produtores, profissionais e compradores internacionais em prol da valorização do café especial.
Homenagem BSCA
A cerimônia de 2026 do Cup of Excellence Brazil também reconheceu as personalidades que possuem relevância na comunidade dos cafés especiais além do campo, uma vez que o movimento de descobrimento desses produtos depende de conhecimento compartilhado, paixão e dedicação.
Nesta edição, como reconhecimento pelos notáveis serviços prestados ao setor de cafés especiais no Brasil, Gelma Franco (foto abaixo à esquerda), CEO e fundadora da IL Barista Cafés Especiais, foi condecorada com a “Homenagem BSCA”. Ela é empresária, palestrante e especialista em cafés com mais de 20 anos de experiência no setor e sua marca IL Barista é pioneira no conceito de boutique de cafés no Brasil.

Sob sua liderança, a IL Barista revolucionou a forma como o café é apreciado e valorizado, recebendo diversos prêmios por sua inovação e excelência. Gelma também é reconhecida por seu papel em elevar a cultura do café especial, trazendo sofisticação à bebida no Brasil, expertise que, aliada à paixão pelo produto, faz dela uma referência influente e inspiradora no universo dos cafés especiais e do empreendedorismo feminino.
Fonte: BSCA
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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