Setor cafeeiro pede manutenção da isenção tarifária para o café brasileiro e inclusão do café solúvel entre os produtos livres de sobretaxas; outros segmentos do agronegócio também acompanham as negociações.
O Brasil iniciou nesta segunda-feira (6) mais uma etapa da disputa comercial com os Estados Unidos ao participar da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). O encontro reúne representantes do governo, entidades e empresas para discutir a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que preocupa diversos segmentos do agronegócio.
Entre os setores que buscam preservar o acesso ao mercado norte-americano, o café ocupa posição de destaque. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) defendeu a manutenção da isenção tarifária para o café verde brasileiro e solicitou que o café solúvel também passe a integrar a lista de produtos isentos das novas tarifas em discussão.
Café brasileiro reforça importância para o mercado norte-americano
Na avaliação do Cecafé, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é estratégica para ambos os países. O Brasil responde por mais de 30% do café consumido pelos norte-americanos, sendo considerado um fornecedor essencial para garantir abastecimento contínuo, qualidade e rastreabilidade da cadeia produtiva.
A entidade argumenta que não existe um fornecedor capaz de substituir integralmente o café brasileiro em curto prazo. Por isso, uma eventual elevação das tarifas teria impacto não apenas sobre os exportadores nacionais, mas também sobre a indústria torrefadora, cafeterias e consumidores dos Estados Unidos.
Outro ponto defendido pelo setor é a inclusão do café solúvel entre os produtos isentos. Atualmente, enquanto carnes e frutas aparecem entre os itens contemplados na proposta preliminar de exceções, o café industrializado continua sujeito à possibilidade de uma sobretaxa de 25%, cenário considerado preocupante para a indústria brasileira.
Café solúvel é um dos principais focos da negociação
A preocupação da indústria se concentra principalmente no café solúvel. O produto já enfrentava tarifas para entrar no mercado americano e, caso a proposta avance, poderá perder ainda mais competitividade diante de outros fornecedores internacionais.
Representantes da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) alertam que os Estados Unidos dependem do produto brasileiro para atender parte significativa de sua demanda. Segundo o setor, uma taxação mais elevada tende a elevar os custos da indústria americana e, consequentemente, aumentar o preço final do café para o consumidor.
Audiência reúne diversos segmentos do agronegócio
Embora o café esteja entre os principais temas da audiência, outros segmentos do agro brasileiro também acompanham as discussões de perto.
Ao todo, representantes de cadeias como carnes, madeira, mel, etanol, biocombustíveis e outros produtos exportados participam das sessões promovidas pelo USTR. O objetivo é demonstrar que a aplicação das tarifas pode gerar prejuízos tanto para os exportadores brasileiros quanto para empresas e consumidores norte-americanos que dependem dessas importações.
O debate ocorre no âmbito da investigação comercial conduzida pelo governo dos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, mecanismo utilizado para apurar práticas consideradas desleais ou prejudiciais à economia do país. Entre os temas avaliados estão comércio digital, propriedade intelectual, etanol, sustentabilidade e outras questões comerciais entre Brasil e EUA.
Decisão será conhecida nas próximas semanas
As audiências representam uma das últimas oportunidades para que representantes dos setores produtivos apresentem argumentos antes da decisão definitiva do governo norte-americano.
Além das manifestações das entidades privadas, autoridades brasileiras mantêm negociações diplomáticas paralelas na tentativa de evitar a adoção das novas tarifas ou ampliar a lista de produtos beneficiados com isenções.
Para o agronegócio brasileiro, o desfecho das negociações poderá influenciar diretamente a competitividade das exportações para um dos mercados mais relevantes do mundo, especialmente em cadeias de alto valor agregado, como a do café industrializado.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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