Levantamento do Climate Impact Lab projeta 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no país e aponta aumento de 44% nos dias de calor extremo durante o fenômeno.
O avanço do El Niño 2026/27 ganhou um novo sinal de alerta. Um estudo do Climate Impact Lab, ligado a pesquisadores da Universidade de Chicago e outras instituições, projeta que o Brasil estará entre os cinco países com maior número de mortes adicionais associadas ao calor extremo provocado pelo fenômeno nos próximos meses.
A estimativa para o Brasil chega a 13,3 mil mortes adicionais, enquanto a projeção global alcança aproximadamente 451 mil. O levantamento considera o efeito adicional das temperaturas associadas ao El Niño em comparação com um cenário climático sem o evento.
A projeção coloca Nigéria, Indonésia, Sudão, Índia e Brasil entre os países mais atingidos. A reportagem também destaca que o número de dias de calor extremo pode aumentar 44% em relação a anos considerados normais.
Como os pesquisadores chegaram aos números
O ponto importante é que os 451 mil óbitos não representam mortes já registradas, mas uma projeção estatística.
Os pesquisadores analisaram a relação histórica entre temperatura e mortalidade em 24.378 regiões do planeta, considerando diferenças de clima e vulnerabilidade. Esses dados foram combinados às previsões de temperatura para estimar a mortalidade adicional associada ao calor do atual El Niño, usando como referência o período de 1996 a 2025. A metodologia detalhada ainda deverá ser publicada em periódico revisado por pares.
Segundo o estudo, somente entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, o Brasil pode registrar cerca de 8 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo.
Alerta também interessa diretamente ao agronegócio
Embora o trabalho tenha como foco a mortalidade causada pelo calor, o próprio Climate Impact Lab ressalta que esse impacto ocorre paralelamente aos riscos de secas, incêndios e enchentes, provocados pela combinação de temperaturas mais elevadas e alterações no regime de chuvas.
Para o campo brasileiro, isso mantém atenção elevada sobre a safra 2026/27. O El Niño costuma alterar de maneira importante a distribuição das chuvas na América do Sul, podendo aumentar a pressão de calor e déficit hídrico em algumas regiões enquanto eleva o risco de excesso de precipitação em outras.
Há ainda uma ressalva importante: “Super El Niño” não é uma classificação oficial. O termo vem sendo utilizado para caracterizar eventos excepcionalmente fortes.
O estudo reforça, portanto, que mais importante que o rótulo é acompanhar a intensidade do aquecimento do Pacífico e, principalmente, seus efeitos sobre temperatura e chuva no Brasil nos próximos meses.
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