Brasil busca autorização para vender carne bovina ao mercado sul-coreano

Certificação sanitária conquistada pelo Brasil remove um dos principais obstáculos para o avanço das negociações com o país asiático.

A negociação para levar carne bovina ao mercado sul-coreano entrou em uma nova fase após o Brasil obter o reconhecimento internacional de país livre de febre aftosa sem vacinação. A certificação atende a uma exigência considerada essencial pelas autoridades da Coreia do Sul e pode destravar uma tratativa comercial iniciada há cerca de duas décadas.

O tema esteve entre as pautas discutidas por representantes brasileiros e integrantes de uma comitiva sul-coreana. Embora a autorização ainda dependa de avaliações técnicas, o novo status sanitário fortalece a candidatura brasileira para fornecer proteína animal a um dos mercados mais exigentes da Ásia.

Certificação sanitária elimina obstáculo histórico

Durante anos, a ausência do reconhecimento sanitário para todo o território nacional dificultou o avanço das conversas. A Coreia do Sul restringe a compra de carne bovina de países que não possuem a condição de livres de febre aftosa sem vacinação.

Segundo a analista da CNN Agro Fernanda Pressinott, a conquista dessa certificação colocou o Brasil em uma posição mais favorável para atender aos critérios estabelecidos pelo país asiático.

O reconhecimento também reforça a credibilidade dos controles sanitários brasileiros, aspecto decisivo em mercados que exigem elevado nível de fiscalização sobre a produção, o processamento e o transporte dos alimentos.

Carne bovina ao mercado sul-coreano depende de auditorias

Antes do início dos embarques, técnicos sul-coreanos deverão avaliar o sistema produtivo brasileiro. O processo pode incluir visitas a frigoríficos, inspeção das instalações e análise dos protocolos adotados ao longo da cadeia pecuária.

Entre os pontos que deverão ser verificados estão a rastreabilidade dos animais, os controles sanitários, os procedimentos de abate e a capacidade dos estabelecimentos de cumprir as exigências definidas pela Coreia do Sul.

Somente após a conclusão dessas etapas será possível estabelecer os certificados sanitários e habilitar as unidades autorizadas a exportar.

Destino valoriza cortes de maior qualidade

A Coreia do Sul é considerada estratégica por apresentar demanda por cortes nobres e produtos de maior valor agregado. Esse perfil pode favorecer frigoríficos brasileiros preparados para atender consumidores dispostos a pagar mais por qualidade, padronização e segurança alimentar.

A possível abertura também ajudaria o Brasil a ampliar o número de compradores da carne nacional. Essa diversificação ganha importância diante da forte concentração das exportações em mercados como a China.

Embora os volumes sul-coreanos não sejam comparáveis aos chineses, o valor obtido por tonelada pode tornar o destino comercialmente relevante para o setor.

Brasil também negocia com o Japão

O avanço brasileiro na Coreia do Sul ocorre paralelamente às tratativas com o Japão. O país também possui regras sanitárias rigorosas e aguardava a consolidação do novo status brasileiro para aprofundar as análises.

Missões técnicas japonesas já estiveram no Brasil para conhecer os sistemas de fiscalização, controle sanitário e funcionamento dos frigoríficos. Os dois processos demonstram como a retirada da vacinação contra a febre aftosa pode ampliar o acesso da pecuária nacional a destinos de maior valor.

Abertura pode fortalecer as exportações brasileiras

A venda de carne bovina ao mercado sul-coreano ainda não possui data definida para começar. O cronograma dependerá do envio das missões técnicas, da aprovação dos protocolos sanitários e da habilitação das plantas frigoríficas.

Mesmo sem uma conclusão imediata, o avanço representa uma oportunidade importante para o agronegócio brasileiro. A entrada nesse mercado poderá elevar a presença do país na Ásia, valorizar a produção nacional e reduzir a dependência de poucos destinos comerciais.

VEJA MAIS:

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
RESUMIR COM:
LEIA TAMBÉM
NEWSLETTER COMPRERURAL

Receba as nossas
principais notícias

Conteúdo sobre o agronegócio, direto no seu e-mail.

🔒 Não enviamos spam. Você pode cancelar quando quiser.