Limite de embarques sem tarifa adicional – cota de exportação de carne bovina para a China – foi atingido no início de julho, e frigoríficos agora acompanham os próximos passos dos asiáticos, que poderá aplicar sobretaxa de 55% sobre novas compras de carne bovina brasileira.
O Brasil atingiu integralmente a cota de exportação de carne bovina destinada à China sem incidência de tarifa adicional, marcando uma mudança importante na dinâmica do comércio entre os dois países. A partir de agora, qualquer novo embarque acima do volume estabelecido poderá ser tributado em 55%, caso os importadores chineses optem por continuar comprando carne brasileira fora da cota.
O tema já vinha sendo acompanhado de perto pelo mercado, uma vez que o ritmo acelerado das exportações ao longo do primeiro semestre indicava que o limite seria alcançado antes do esperado. A preocupação aumenta porque a China permanece como o principal destino da carne bovina brasileira e qualquer alteração nas condições comerciais pode provocar impactos sobre frigoríficos, exportadores e formação de preços no mercado interno.
Cota de exportação de carne bovina para a China foi ultrapassada ainda no primeiro semestre
Segundo levantamento da Safras & Mercado, elaborado com base nos dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), entre janeiro e 30 de junho o Brasil já havia utilizado 100,06% da cota disponibilizada pela China, equivalente a 1,106 milhão de toneladas de carne bovina exportadas sem cobrança adicional de tarifa.
Com o limite oficialmente atingido, as próximas operações passam a depender da decisão dos compradores chineses de absorver ou não o custo da sobretaxa incidente sobre o excedente.
Até então, o mercado já projetava esse cenário. O forte ritmo de vendas registrado nos últimos meses reduziu rapidamente o espaço disponível dentro da cota anual, antecipando um movimento que muitos agentes esperavam apenas para o segundo semestre.
Sobretaxa pode reduzir competitividade da carne brasileira
Caso a China continue importando carne bovina brasileira acima da cota estabelecida, incidirá uma tarifa adicional de 55%, fator que tende a reduzir significativamente a competitividade do produto brasileiro naquele mercado.
Na avaliação da Safras & Mercado, esse novo cenário pode levar parte dos frigoríficos a redirecionar embarques para outros destinos internacionais, buscando compensar uma eventual redução da demanda chinesa.
Apesar dessa possibilidade, o desempenho das exportações brasileiras segue sendo considerado robusto.
Junho manteve ritmo forte de embarques
De acordo com o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, somente em junho o Brasil exportou 158,36 mil toneladas de carne bovina, confirmando o elevado ritmo dos embarques.
Esse volume representou 14,32% de toda a cota anual chinesa, consolidando o esgotamento do limite disponível quando considerado também o volume embarcado no fim de 2025.
Segundo a consultoria, chamou atenção ainda a demora das autoridades chinesas em emitir os alertas oficiais sobre o preenchimento da cota. Até o momento, apenas o aviso referente ao atingimento de 50% do limite havia sido divulgado, embora o mercado já esperasse a comunicação do patamar de 80%, diante do forte avanço das exportações observado principalmente entre abril e maio. A hipótese levantada é de que gargalos na internalização das cargas na China tenham retardado esse processo.
Julho será decisivo para medir os impactos
A partir deste mês, o setor passa a monitorar como ficará o fluxo das exportações brasileiras.
Além da China, mercados como Estados Unidos, Hong Kong, Uruguai e Argentina ganham importância estratégica para absorver parte da produção brasileira. Segundo a Safras & Mercado, alguns desses destinos também podem funcionar como rotas indiretas de abastecimento do mercado chinês.
Ao mesmo tempo, a demanda norte-americana segue aquecida, enquanto outros grandes exportadores também enfrentam limitações semelhantes.
Outros países exportadores de carne bovina também se aproximam do limite
O Brasil não é o único fornecedor pressionado pelas cotas chinesas de carne bovina.
De acordo com o levantamento da Safras & Mercado:
- Austrália: já esgotou sua cota de 250 mil toneladas;
- Argentina: avança rapidamente, mas ainda abaixo do limite de 511 mil toneladas;
- Uruguai: possui cota específica de 205 mil toneladas;
- Estados Unidos: seguem com exportações em ritmo reduzido, diante de uma cota total de 164 mil toneladas.
Mercado aguarda posicionamento da China
O comportamento das importações chinesas nas próximas semanas será determinante para definir os impactos práticos sobre o mercado brasileiro após atingir a cota de exportação de carne bovina para a China.
Se os compradores optarem por absorver a tarifa adicional, parte do fluxo comercial poderá ser mantida. Caso contrário, frigoríficos brasileiros deverão intensificar a busca por novos mercados e redistribuir seus embarques, em um momento em que a demanda global por proteína bovina permanece elevada.
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