Boiada meio-sangue Sindi impressiona no Mato Grosso com mais de 25 arrobas e rendimento de carcaça acima de 57%; Filhos de vacas Nelore com touros Sindi comprovam o potencial do cruzamento zebuíno
A busca por uma pecuária mais eficiente tem levado produtores brasileiros a investirem cada vez mais no cruzamento entre raças bovinas. Seja entre taurinos e zebuínos ou até mesmo entre diferentes raças zebuínas, a heterose — conhecida como vigor híbrido — proporciona ganhos expressivos em desempenho, rusticidade, precocidade e rendimento de carcaça. O resultado são animais capazes de entregar mais arrobas em menos tempo, agregando valor ao sistema de produção e aumentando a rentabilidade da fazenda.
Um exemplo dessa estratégia vem do norte de Mato Grosso. Uma boiada meio-sangue Sindi chamou atenção ao chegar ao frigorífico com desempenho acima da média nacional. Os animais, filhos de vacas Nelore com touros da raça Sindi, atingiram peso médio de 25,15 arrobas, aos três anos de idade, e apresentaram rendimento de carcaça de até 57,57%, índice considerado excelente para bovinos produzidos em sistema de pasto.
Os animais pertencem ao pecuarista Joaquim Martins Neto, da Fazenda Taquaruçu, localizada no município de Carlinda (MT). A propriedade desenvolve um sistema de ciclo completo na pecuária comercial, aliado ao trabalho de seleção genética das raças Nelore, Sindi, Senepol, Guzerá e Caracu.
Segundo a família, os bois foram recriados exclusivamente a pasto, recebendo suplementação mineral durante essa fase, e posteriormente passaram por 120 dias de Terminação Intensiva a Pasto (TIP) antes do abate no Frigorífico Fazcarne, em Alta Floresta (MT).

Cruzamento entre Nelore e Sindi entrega desempenho acima da média
Embora o cruzamento entre taurinos e zebuínos seja bastante conhecido pelos excelentes resultados, o trabalho realizado na Fazenda Taquaruçu demonstra que a heterose também pode ser altamente eficiente quando envolve duas raças zebuínas bem selecionadas.
O Nelore contribui com adaptação ao clima tropical, habilidade materna e rusticidade. Já o Sindi, originário de regiões áridas, acrescenta precocidade, facilidade de acabamento, fertilidade e elevada eficiência alimentar. A combinação resulta em animais capazes de produzir carcaças pesadas, bem acabadas e com ótimo aproveitamento industrial.
Os números comprovam isso. Enquanto o rendimento médio de carcaça de bovinos brasileiros costuma variar entre 52% e 55%, essa boiada alcançou 57,57%, um desempenho significativamente superior e que representa mais carne produzida por animal abatido.
Além do elevado rendimento, os 25,15 arrobas obtidos por animais ainda fechando três anos de idade evidenciam um sistema produtivo altamente eficiente.

TIP acelera acabamento mantendo os animais no pasto
A etapa final da produção foi realizada por meio da Terminação Intensiva a Pasto (TIP), tecnologia que vem ganhando espaço na pecuária brasileira por combinar o baixo custo do pastejo com elevados ganhos de desempenho.
Nesse sistema, os bovinos permanecem nas pastagens durante toda a fase de engorda, mas recebem suplementação concentrada diretamente em cochos, permitindo altas taxas de ganho de peso sem necessidade de confinamento convencional. O modelo reduz investimentos em infraestrutura, melhora o aproveitamento da forragem e proporciona excelente acabamento de carcaça.

Na Fazenda Taquaruçu, a TIP foi conduzida durante aproximadamente 120 dias utilizando um sistema de cochos de consumo aberto.
Ricardo Martins, filho do proprietário, explica que o modelo permite aos animais consumir ração praticamente à vontade. “Eu tenho uns cochos de consumo aberto. O gado come o que aguenta. Na época da chuva dá aproximadamente entre 1,5% e 1,7% do peso vivo. É aqueles cochos que você põe a ração por cima e ela vai caindo por gravidade. O gado vai comendo embaixo, igual aos cochos de suinocultura e de aves, só que numa versão gigante” – revelou o pecuarista.
Segundo ele, essa estratégia garante praticidade no manejo e contribui para acelerar o ganho de peso e o acabamento dos animais sem retirar o rebanho das pastagens.

Seleção genética também fortalece o rebanho comercial
Além da produção de bovinos para abate, a Fazenda Taquaruçu mantém um trabalho consistente de seleção genética. A propriedade cria animais puros das raças Nelore, Sindi, Senepol, Guzerá e Caracu, comercializando reprodutores e utilizando parte dessa genética dentro do próprio rebanho comercial.
Ricardo Martins destaca que o investimento em genética é a base dos resultados obtidos. “Trabalhamos com seleção de gado puro e o gado comercial vai para o gancho. Nossa base é uma vacada Nelore muito boa, bem selecionada. Além de fazer o cruzamento, nós também criamos Sindi puro. Vendemos reprodutores e utilizamos nossos próprios touros para produzir esse cruzamento.”
Os resultados obtidos pela fazenda reforçam uma tendência cada vez mais presente na pecuária nacional: genética de qualidade, manejo nutricional eficiente e tecnologias como a TIP podem transformar sistemas de produção a pasto em operações altamente competitivas, capazes de entregar animais jovens, pesados e com rendimento de carcaça muito acima da média do mercado.
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