Indicador DATAGRO chega a R$ 363,57 por arroba, enquanto escalas curtas e oferta contida sustentam a firmeza dos preços na reta final de setembro
O mercado do boi gordo ganhou mais força nesta terça-feira (29), com valorização em importantes regiões produtoras e um negócio de R$ 380 por arroba à vista em Sertãozinho, no interior de São Paulo, informado pela Agrobrazil no fechamento acompanhado pelo Balcão do Boi. A negociação, com dois dias de escala, representa um novo patamar entre os negócios reportados, embora não corresponda à média do mercado paulista.
O movimento foi acompanhado pela sétima alta consecutiva do Indicador do Boi DATAGRO em São Paulo, que avançou 0,92%, para R$ 363,57 por arroba. A combinação de oferta contida de animais terminados, dificuldade de parte dos frigoríficos para preencher as programações e expectativa de reposição dos estoques de carne na virada do mês mantém o ambiente favorável à negociação do pecuarista.
Negócio a R$ 380 mostra força da ponta vendedora
Segundo o fechamento de Lorenzo Junqueira, pecuarista e fundador da comunidade Balcão do Boi, a média das escalas de abate acompanhadas pela Agrobrazil ficou praticamente estável, em 5,49 dias úteis.
Mesmo sem uma redução expressiva desse indicador no dia, os preços avançaram. A leitura é que a indústria ainda encontra dificuldade para alongar suas programações sem melhorar as ofertas em determinadas praças.
“Observamos mais um degrau de alta no mercado físico, agora com boi gordo negociado a R$ 380 na praça paulista”, destaca Junqueira.
O registro em Sertãozinho merece atenção justamente pela distância em relação às referências médias. Um negócio pontual revela a disposição de um comprador em uma condição específica, mas sua reprodução depende da localização, do padrão dos animais, da necessidade da indústria e das condições de pagamento.
Para o produtor, o sinal é de oportunidade para consultar diferentes compradores e avaliar propostas com maior cuidado.
“Vale a pena testar valores melhores na negociação do gado gordo”, afirma Junqueira.
Consultorias confirmam firmeza, com diferenças entre as referências
Os levantamentos de Safras & Mercado, Scot Consultoria e Agrifatto também mostram um mercado sustentado, embora apresentem preços distintos em função das características de cada apuração.
Na avaliação da Safras & Mercado, as escalas permanecem concentradas entre seis e sete dias úteis, com maior pressão sobre frigoríficos pequenos e médios. As grandes indústrias contam com maior respaldo de contratos de parceria e animais de confinamentos próprios.
As referências médias divulgadas pela consultoria para terça-feira mostram avanços nos cinco estados abaixo:
Estado Preço da arroba em 29/9 Referência anterior São Paulo R$ 362,25 R$ 360,27 Goiás R$ 350,43 R$ 349,64 Minas Gerais R$ 349,71 R$ 348,24 Mato Grosso do Sul R$ 357,05 R$ 356,70 Mato Grosso R$ 339,73 R$ 336,28
Já a Scot Consultoria manteve suas referências paulistas do boi gordo em R$ 355 por arroba para o mercado interno e R$ 360 para o animal padrão China, ambos valores brutos e a prazo. Para as fêmeas, houve aumento de R$ 3 por arroba, levando a vaca gorda a R$ 338 e a novilha a R$ 350, nas mesmas condições.
A Agrifatto indicou o boi paulista em R$ 360 por arroba a prazo, com negócios chegando a R$ 365. A consultoria também aponta oferta contida e maior dificuldade de compra entre unidades industriais de menor porte.
Esses valores não devem ser comparados diretamente com o negócio de R$ 380 à vista, pois envolvem condições comerciais e abrangências diferentes.
Novembro sobe na B3 e fecha a R$ 391,40
No mercado futuro, o contrato de novembro de 2026, BGIX26, avançou 1,01%, encerrando a terça-feira em R$ 391,40 por arroba, segundo os dados apresentados pelo Balcão do Boi.
A valorização acompanha a firmeza do físico e mostra que os contratos seguem precificando patamares superiores aos indicadores atuais. Entretanto, a cotação futura não garante que todos os produtores receberão esse valor pela venda dos animais.
Para quem utiliza proteção de preços, a diferença entre o contrato negociado na Bolsa e o valor efetivamente recebido na praça de venda continua sendo parte central da avaliação, assim como os custos de produção e o prazo previsto para comercialização.
Virada do mês pode favorecer a carne no atacado
A sustentação da arroba também depende da capacidade de escoamento da carne. Segundo a análise da Safras & Mercado, a proximidade do início de outubro pode estimular a reposição de estoques entre atacado e varejo, criando espaço para novos reajustes.
As referências apresentadas para o atacado foram:
- Quarto dianteiro: R$ 21,50 por quilo;
- Quarto traseiro: R$ 28,00 por quilo;
- Ponta de agulha: R$ 20,00 por quilo.
A concorrência com outras proteínas, especialmente o frango, pode limitar a intensidade dessa valorização. Por isso, a continuidade das altas depende tanto da disponibilidade de gado quanto da absorção dos preços pela cadeia da carne.
Para o pecuarista, o fechamento de terça-feira reforça um cenário de maior firmeza na negociação, mas exige atenção ao resultado líquido da venda. Prazo de pagamento, frete, descontos, bonificações e custo de manter o animal na fazenda precisam entrar na conta antes da decisão.
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