Nessas três regiões, as escalas de abate das indústrias frigoríficas apresentaram avanço no decorrer da semana, impulsionadas pelo aumento nos preços da arroba do boi gordo.
O mercado físico do boi gordo segue com movimentações distintas nas praças pecuárias do país. Segundo dados da consultoria Safras & Mercado, nos estados de Mato Grosso, São Paulo e Mato Grosso do Sul, algumas negociações estão sendo realizadas acima da referência média, refletindo uma leve valorização da arroba.
Nessas três regiões, as escalas de abate das indústrias frigoríficas apresentaram avanço no decorrer da semana, impulsionadas pelo aumento nos preços da arroba. Em contraste, Goiás e a Região Norte registram um cenário de acomodação da oferta, com a disponibilidade de fêmeas sendo um dos principais fatores que influenciam os preços, especialmente nos estados de Tocantins e Rondônia.
Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, o bom desempenho das exportações de carne bovina tem sido um fator essencial para sustentar os preços do boi gordo no mercado interno.
Preços médios do boi gordo (a prazo)
- São Paulo: R$ 328,60 (@)
- Goiás: R$ 306,25 (@)
- Minas Gerais: R$ 314,41 (@)
- Mato Grosso do Sul: R$ 312,95 (@)
- Mato Grosso: R$ 323,69 (@)
Em algumas praças, os pecuaristas resistem a vender por valores abaixo da referência média, segurando os animais no pasto e no cocho à espera de melhores propostas. Enquanto isso, os frigoríficos adotam uma postura cautelosa, priorizando a compra de fêmeas descartadas após a estação de monta.
Mercado futuro e expectativas de alta
O mercado futuro também apresenta sinais de recuperação. Na B3, após as quedas registradas no início da semana, os contratos futuros voltaram a operar em alta. O vencimento de fevereiro/25 fechou em R$ 323,45/@, com um avanço de 1,44% no comparativo diário.
Outro fator que pode impulsionar os preços é o aumento esperado no consumo interno de carne bovina, comum nas primeiras quinzenas do mês devido ao pagamento dos salários. Além disso, a China deve retomar suas importações após o período de festividades do Ano Novo Lunar, o que pode aquecer ainda mais o mercado.
Boi-China movimenta o mercado
Em São Paulo, ocorreram negociações pontuais do “boi-China” a R$ 335/@ para pagamento à vista, segundo a Agrifatto. No entanto, o volume transacionado ainda é baixo, impedindo que esse valor do boi gordo se consolide como referência.
No cenário global, a China segue em um período de baixa movimentação após o Ano Novo Lunar. Contudo, os estoques de carne bovina chineses não estão elevados, o que deve impulsionar a demanda nas próximas semanas. Atualmente, as ofertas chinesas para compra do dianteiro bovino brasileiro estão entre US$ 4.700 e US$ 4.800 por tonelada, valores considerados abaixo do esperado pelos exportadores brasileiros.

Dólar em alta influencia mercado
O câmbio também segue influenciando o mercado. O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,41%, sendo cotado a R$ 5,7935 para venda. A oscilação da moeda norte-americana pode impactar diretamente os custos de importação e exportação, trazendo reflexos para os frigoríficos e para o pecuarista brasileiro.
Cenário geral do boi gordo
Com a demanda externa aquecida e a expectativa de aumento no consumo interno, o mercado do boi gordo segue com perspectivas positivas. No entanto, a resistência dos pecuaristas em vender a valores abaixo da referência e a estratégia dos frigoríficos de priorizar compras de fêmeas podem gerar oscilações nos preços nos próximos dias.
A pressão baixista sobre os valores da arroba começa a perder força, e a expectativa é que, com a retomada das importações chinesas e o pagamento de salários no Brasil, o setor ganhe ainda mais firmeza no curto prazo.
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