Oferta restrita mantém pressão sobre os frigoríficos, enquanto consultorias apontam escalas curtas e negócios de até R$ 390/@ em São Paulo; consumo interno limita o ritmo dos reajustes.
O mercado do boi gordo mantém a sustentação dos preços, com oferta limitada de animais terminados e dificuldade dos frigoríficos para ampliar suas programações de abate. Os levantamentos referentes à quarta-feira (21) mostram valorizações em diferentes regiões, embora o movimento tenha perdido intensidade em São Paulo após os avanços recentes.
Nesse ambiente, a cautela dos pecuaristas nas negociações ajuda a preservar a pressão sobre as compras da indústria e mantém os R$ 400 por arroba no radar. O patamar, porém, ainda representa uma expectativa: nas referências paulistas apresentadas pelas consultorias, as cotações chegam a R$ 390/@, conforme a metodologia e as condições comerciais de cada levantamento.
Escalas curtas sustentam a posição do pecuarista
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, os frigoríficos encontram resistência para comprar nos preços mais elevados em São Paulo. Isso reduz a velocidade da valorização, mas ainda não permite uma recomposição confortável das escalas.
Na avaliação da consultoria, as programações permanecem concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte do país. Na Região Norte, a pressão de alta é mais intensa, diante da disponibilidade restrita de boiadas e da necessidade das indústrias de completar seus abates.
“A dificuldade para alongar as programações indica que o mercado continua vulnerável a novos episódios de alta, inclusive em São Paulo, especialmente se os pecuaristas mantiverem uma postura cautelosa nas negociações”, afirma Iglesias.
A Agrifatto, por sua vez, identifica um discreto aumento dos lotes negociados após os reajustes recentes, com as escalas alcançando sete dias úteis na média nacional. Os levantamentos apresentam diferenças de cobertura e metodologia, mas apontam para o mesmo fator central: a oferta de animais terminados continua determinante para a formação dos preços.
Arroba chega a R$ 390 em São Paulo
Pelo levantamento da Agrifatto, o boi gordo paulista, com ou sem padrão para exportação, está cotado a R$ 390/@, a prazo. Nas outras 16 regiões acompanhadas pela consultoria, a média ficou em R$ 367,75/@.
Já a Scot Consultoria aponta referências de R$ 380/@ para o boi comum e R$ 385/@ para o “boi-China” em São Paulo, em valores brutos e a prazo.
As diferenças entre essas referências exigem atenção: cotações de consultorias distintas não representam necessariamente negócios com as mesmas condições, classificação dos animais ou abrangência de mercado.
Nas médias divulgadas pela Safras & Mercado, houve avanço nas cinco praças apresentadas:
| Estado | Preço médio da arroba em 21/10 | Referência anterior |
|---|---|---|
| São Paulo | R$ 384,40 | R$ 384,13 |
| Goiás | R$ 370,11 | R$ 369,46 |
| Minas Gerais | R$ 378,53 | R$ 375,29 |
| Mato Grosso do Sul | R$ 379,43 | R$ 372,95 |
| Mato Grosso | R$ 358,92 | R$ 357,09 |
Boi-China ganha força em quatro estados
A Scot identificou valorização dos animais com padrão de exportação em Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará e Paraná.
Esse movimento reforça a importância da disputa por lotes que atendam às exigências dos compradores internacionais. Quando a disponibilidade desses animais é limitada, frigoríficos com necessidade de compra precisam melhorar suas ofertas para garantir matéria-prima.
A valorização, entretanto, ocorre em ritmos diferentes entre as regiões. A necessidade de cada unidade industrial, o tamanho das escalas e o perfil da boiada disponível continuam definindo o espaço para novos reajustes.
Consumo de carne coloca resistência à alta
A principal limitação aparece na outra ponta da cadeia. Segundo a Agrifatto, o enfraquecimento do consumo doméstico na segunda quinzena e a retração da demanda no atacado dificultam o repasse do aumento dos custos dos frigoríficos.
Iglesias também destaca que a carne bovina enfrenta concorrência das proteínas substitutas, especialmente do frango, que apresenta vantagem de preço para o consumidor.
No atacado, as referências permaneceram estáveis em:
- Quarto dianteiro: R$ 22,30/kg;
- Quarto traseiro: R$ 29,50/kg;
- Ponta de agulha: R$ 20,75/kg.
O resultado é uma disputa entre a oferta curta de boiadas, que sustenta a arroba, e a dificuldade de vender carne mais cara, que limita a capacidade de pagamento da indústria.
R$ 400/@ dependem de novas negociações
A referência de R$ 390/@ deixa o mercado paulista a R$ 10 por arroba dos R$ 400. A aproximação mantém a expectativa de novas valorizações, mas os levantamentos apresentados ainda não confirmam esse preço como referência corrente.
Para o pecuarista, esperar precisa fazer sentido dentro da propriedade. O possível ganho com a arroba deve ser comparado ao custo de manter o animal, à disponibilidade de alimento, ao acabamento da boiada e à necessidade de caixa.
A oferta restrita mantém o vendedor em posição favorável, mas alcançar os R$ 400/@ dependerá da continuidade da pressão sobre as escalas e da disposição dos frigoríficos para elevar suas propostas.
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