Boi gordo reage novamente e arroba supera R$ 343 em São Paulo; oferta restrita mantém mercado firme

Mercado do boi gordo registra novas altas impulsionado pela dificuldade dos frigoríficos em formar escalas de abate. Consultorias avaliam que a oferta enxuta continua sustentando as cotações, apesar da demanda doméstica mais moderada.

O mercado físico do boi gordo voltou a apresentar valorização nesta quarta-feira (22), reforçando o movimento de recuperação observado nas últimas semanas. A combinação entre oferta limitada de animais terminados, escalas de abate encurtadas e resistência dos pecuaristas em negociar segue sustentando os preços, principalmente em São Paulo, principal referência nacional.

Embora o consumo interno caminhe em ritmo mais lento nesta segunda quinzena do mês e as exportações para a China apresentem desaceleração após o esgotamento antecipado da cota tarifária, as consultorias destacam que a disponibilidade reduzida de bovinos prontos para abate continua sendo o principal fator de sustentação do mercado.

Oferta enxuta mantém pressão de alta

Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, o ambiente de negócios permanece marcado pela dificuldade dos frigoríficos em completar suas escalas de abate.

Mesmo diante de uma demanda menos aquecida, a restrição na oferta de animais terminados tem permitido a realização de negócios acima das referências médias em diversas praças pecuárias.

Outro fator observado pelo analista é que a desaceleração dos embarques ocorre em um momento em que parte das indústrias também enfrenta margens mais apertadas, consequência da estabilidade dos preços da carne bovina no atacado. Algumas plantas frigoríficas, inclusive, anunciaram férias coletivas ao longo desta semana.

Scot: boi gordo sobe R$ 3/@ em São Paulo

A Scot Consultoria também identificou fortalecimento do mercado paulista.

Na comparação diária, a cotação do boi gordo e do chamado “boi China” avançou R$ 3 por arroba, enquanto os preços da vaca e da novilha permaneceram estáveis.

Segundo a consultoria, os pecuaristas reduziram a oferta de animais disponíveis para venda, obrigando os frigoríficos a elevar os preços para manter suas escalas de abate, que estavam ao redor de seis dias.

Em outros estados, o comportamento foi distinto:

  • Mato Grosso do Sul: mercado estável, sem alterações nas cotações;
  • Minas Gerais: alta para o boi gordo e para o boi China em todas as regiões, também sustentada pela oferta reduzida.

Arroba do boi gordo nas principais praças

Levantamento da Safras & Mercado aponta os seguintes preços médios:

  • São Paulo: R$ 343,00/@ (ante R$ 341,43)
  • Mato Grosso do Sul: R$ 331,93/@
  • Goiás: R$ 321,79/@
  • Mato Grosso: R$ 321,62/@
  • Minas Gerais: R$ 319,41/@

Atacado continua firme, mas consumo limita novos reajustes

No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem sustentados, porém o espaço para novas altas tende a ser mais restrito na segunda metade do mês, período tradicionalmente marcado por menor poder de compra das famílias.

Atualmente, as referências são:

  • Quarto traseiro: R$ 25,50/kg
  • Quarto dianteiro: R$ 19,00/kg
  • Ponta de agulha: R$ 18,00/kg

Segundo Iglesias, a carne bovina continua enfrentando maior concorrência de proteínas mais baratas, especialmente a carne de frango, fator que reduz o ritmo de consumo interno.

O que esperar do mercado do boi gordo?

O cenário continua favorável para o pecuarista no curto prazo. A combinação entre escalas curtas, baixa disponibilidade de animais terminados e resistência dos vendedores segue sustentando as negociações.

Por outro lado, o mercado acompanha com atenção dois fatores que podem limitar movimentos mais intensos de valorização nas próximas semanas:

  • a desaceleração das exportações após o esgotamento da cota chinesa;
  • o consumo doméstico mais fraco na reta final do mês.

Ainda assim, enquanto a oferta permanecer restrita, as consultorias avaliam que o viés do mercado segue positivo, mantendo a arroba em patamares historicamente elevados para o período.

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