Arroba do boi gordo acumula alta de 3,76% em outubro no indicador Cepea; oferta restrita e programações de abate de cinco a seis dias úteis sustentam a firmeza dos preços.
O mercado do boi gordo chega a esta quarta-feira (14) com preços sustentados e frigoríficos enfrentando dificuldades para ampliar suas programações de abate. No fechamento de terça-feira (13), o indicador Cepea/Esalq alcançou R$ 378 por arroba, enquanto o levantamento da Scot Consultoria apontou R$ 385 por arroba para o boi destinado à China em São Paulo, em valores brutos e a prazo. Pecuaristas já buscam negócios a R$ 390/@ em praças com maior pressão das escalas de abate, forçando as indústrias a ofertar mais pela matéria prima.
A combinação de poucos animais terminados disponíveis e necessidade de recompor as escalas mantém o pecuarista em posição mais favorável nas negociações. Embora algumas referências tenham apresentado estabilidade na retomada após o feriado, os levantamentos das consultorias mostram que o mercado permanece firme, com reajustes em diferentes regiões e negócios acima das médias de referência.
Indicador Cepea acumula alta de 3,76% em outubro
O indicador Cepea/Esalq encerrou o dia 13 de outubro em R$ 378 por arroba, avanço diário de 0,05% e valorização de 3,76% no mês. Em dólares, a referência ficou em US$ 75,27 por arroba.
A trajetória das últimas semanas ajuda a dimensionar a recuperação. Em 30 de setembro, o indicador estava em R$ 364,30. Desde então, o acréscimo foi de R$ 13,70 por arroba.
Na comparação com 22 de setembro, quando a referência era de R$ 356,10, a valorização chega a aproximadamente 6,15%, equivalente a R$ 21,90 por arroba.
Esse movimento mostra que a firmeza atual resulta de uma sequência de avanços. Para o produtor com animais prontos, o cenário amplia a importância de acompanhar as propostas de diferentes compradores e as condições efetivas de cada negócio.
Boi para China mantém prêmio em São Paulo
Segundo a Scot Consultoria, as referências no interior paulista ficaram estáveis na terça-feira, com o boi sem padrão de exportação cotado a R$ 380 por arroba e o chamado boi-China a R$ 385 por arroba.
As fêmeas terminadas também mantiveram os preços na praça paulista.
| Categoria | Cotação por arroba |
|---|---|
| Boi gordo sem padrão de exportação | R$ 380,00 |
| Boi-China | R$ 385,00 |
| Vaca gorda | R$ 345,00 |
| Novilha gorda | R$ 360,00 |
O diferencial de R$ 5 por arroba para o boi-China evidencia a valorização dos lotes que atendem às exigências desse mercado. O prêmio, contudo, depende do enquadramento dos animais e das condições comerciais oferecidas pela indústria.
Fora de São Paulo, a Scot identificou avanços nas cotações em praças de Mato Grosso, Pará e Tocantins, entre outras, indicando que a pressão compradora continua presente, ainda que em ritmos distintos.
Escalas de cinco a seis dias mantêm indústria na compra
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, a oferta de animais permanece restrita e as escalas de abate estão concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte das praças acompanhadas.
Programações curtas reduzem a margem de manobra dos frigoríficos para adiar aquisições. Com necessidade de assegurar matéria-prima para os próximos dias, a indústria segue ativa na busca por lotes disponíveis.
Iglesias avalia que esse ambiente preserva a possibilidade de novas altas no curto prazo. O analista também destaca que a expectativa de retomada da produção destinada ao mercado chinês pode ampliar a necessidade de contratação de animais pela indústria exportadora no último trimestre.
A leitura da Agrifatto segue na mesma direção. A consultoria aponta valorizações graduais nas últimas semanas, com frigoríficos melhorando propostas para recompor suas escalas.
“A dificuldade de aquisição para entrega imediata fortalece a posição dos pecuaristas e mantém a disputa por lotes, preservando o viés de alta”, afirmam os analistas da Agrifatto.
Na avaliação da consultoria, a oferta limitada de animais terminados, a necessidade de alongar as programações de abate e a demanda consistente no varejo sustentam a firmeza do mercado nesta primeira quinzena de outubro.
Veja as referências da arroba nos estados
O levantamento da Safras & Mercado apresenta as seguintes médias para o boi gordo:
Estado Preço médio por arroba São Paulo R$ 381,42 Mato Grosso do Sul R$ 371,36 Minas Gerais R$ 370,88 Goiás R$ 366,25 Mato Grosso R$ 350,68
Os valores da Safras, da Scot e do Cepea resultam de levantamentos com metodologias e condições comerciais próprias. Por isso, devem ser usados como referências para a negociação, considerando categoria animal, localização, prazo de pagamento, descontos e exigências do comprador.
Carne no atacado sustenta preços, mas enfrenta concorrência
No mercado atacadista, a carne bovina manteve os patamares alcançados após as altas recentes. Segundo a Safras & Mercado, a reposição realizada na semana de entrada dos salários contribuiu para a valorização dos cortes, especialmente do traseiro.
As referências informadas foram:
Produto Preço por quilo Quarto dianteiro R$ 22,00 Quarto traseiro R$ 29,50 Ponta de agulha R$ 20,50 Vaca casada R$ 24,50
Apesar da sustentação, Iglesias aponta que a concorrência com a carne de frango e os cortes suínos limita reajustes mais intensos.
Esse é um dos pontos que merecem acompanhamento: a indústria precisa comprar animais em um mercado de oferta restrita, mas encontra limites para repassar aumentos ao longo da cadeia. A capacidade de escoamento da carne ajuda a determinar até onde os frigoríficos conseguem elevar suas propostas.
Contrato de novembro se aproxima de R$ 400
No mercado futuro, o vencimento de novembro de 2026 encerrou o pregão de sexta-feira (9) a R$ 396,70 por arroba, com alta de 0,54% sobre o fechamento anterior, conforme o levantamento apresentado pela Agrifatto.
A proximidade dos R$ 400 chama atenção, mas exige distinguir os mercados: a cotação de um contrato futuro não representa um negócio já realizado nesse valor no mercado físico.
O preço incorpora expectativas para o vencimento e pode mudar conforme a oferta de animais, a demanda por carne e o comportamento das negociações. Ainda assim, o patamar reforça a atenção sobre a disponibilidade de boiadas ao longo das próximas semanas.
O que o cenário muda para o pecuarista
Para quem tem animais terminados, a combinação de escalas curtas e disputa por lotes amplia as oportunidades de negociação. O resultado efetivo, porém, depende do valor líquido recebido e do custo de manter a boiada na propriedade.
Prazo de pagamento, frete, descontos e bonificações podem alterar a atratividade de uma proposta, mesmo quando o preço anunciado por arroba parece superior. Também é necessário considerar alimentação, desempenho dos animais e disponibilidade de pasto antes de prolongar a permanência do lote.
Os dados mais recentes apontam um mercado sustentado pela dificuldade de compra da indústria. A continuidade dos avanços dependerá da reposição das escalas, da entrada de novos lotes e do escoamento da carne nos mercados interno e externo.
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