Boi gordo ganha força e arroba sobe em 7 praças; oferta curta sustenta preços

Com pouca disponibilidade de animais terminados e escalas próximas de seis dias úteis, frigoríficos encontram dificuldade para ampliar as compras; em São Paulo, boi gordo segue em R$ 350/@ e boi-China alcança R$ 355/@

O mercado do boi gordo mantém um cenário favorável ao pecuarista neste início de semana, mesmo com diferenças importantes entre as regiões produtoras. Nesta terça-feira (11), a arroba registrou alta em sete das 17 praças acompanhadas pela Agrifatto, enquanto as demais permaneceram estáveis. O movimento ocorre em meio à oferta restrita de animais terminados e à dificuldade dos frigoríficos para alongar suas programações de abate.

Em São Paulo, referência para a formação dos preços, a Scot Consultoria apontou estabilidade nas categorias terminadas. O boi gordo comum permanece em R$ 350/@, enquanto o boi-China está cotado a R$ 352/@, considerando valores brutos e a prazo. Sendo algumas negociações pontuais acima desse valor.

O quadro reforça uma característica que vem marcando o mercado: a indústria tenta ganhar escala, mas a disponibilidade limitada de gado pronto para abate continua oferecendo sustentação à arroba.

Arroba sobe em sete regiões

De acordo com a Agrifatto, houve avanço das cotações na Bahia, Goiás, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Tocantins. Nas outras dez regiões monitoradas pela consultoria, os preços permaneceram estáveis.

A avaliação da consultoria resume o principal fator de sustentação do mercado:

“A oferta restrita de animais terminados continua favorecendo o pecuarista e sustentando a arroba.”

Esse ponto é especialmente importante para entender por que o mercado consegue preservar preços firmes mesmo diante da tentativa dos frigoríficos de controlar suas compras.

Escalas ainda estão próximas de seis dias úteis

O comportamento das escalas de abate será determinante para os próximos movimentos da arroba.

Segundo a Agrifatto, os frigoríficos continuam buscando recompor suas programações e garantir matéria-prima, porém encontram dificuldades para alongar as escalas, que permanecem curtas e consideradas desconfortáveis, próximas de seis dias úteis na média nacional.

A menor disponibilidade de gado também levou algumas unidades frigoríficas a reduzirem o ritmo de produção ou suspenderem temporariamente os abates, inclusive por meio da concessão de férias. Para a consultoria, esse movimento limita a oferta de carne e ajuda a sustentar os preços.

Na prática, enquanto a indústria não conseguir construir escalas confortáveis de maneira consistente, o espaço para uma pressão mais intensa sobre a arroba tende a permanecer limitado.

Safras vê mercado mais acomodado em importantes praças

A Safras & Mercado, por outro lado, identifica um cenário de maior acomodação em algumas regiões.

Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria, observa que Pará e Rondônia apresentam maior necessidade de compra de gado, situação que tem obrigado frigoríficos a oferecer preços superiores para conseguir avançar suas escalas.

Em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, entretanto, o comportamento é mais acomodado.

“A progressão das escalas de abate segue como elemento importante a ser considerado neste momento, da mesma maneira que o ritmo das exportações”, afirmou Iglesias.

Pelos preços médios levantados pela Safras & Mercado, São Paulo aparece em R$ 350,33/@, seguido por Mato Grosso do Sul, a R$ 342,70/@; Goiás, a R$ 337,43/@; Minas Gerais, a R$ 337,35/@; e Mato Grosso, a R$ 333,27/@.

Carne bovina mantém preços firmes no atacado

Outro ponto relevante é o comportamento do atacado. A Safras & Mercado aponta que os preços da carne bovina seguem firmes, embora exista expectativa de reposição mais lenta durante a semana, com a redução do efeito da entrada dos salários e o encerramento das compras relacionadas ao Dia dos Pais.

As referências informadas são de R$ 27/kg para o quarto traseiro, R$ 21,50/kg para o quarto dianteiro e R$ 20/kg para a ponta de agulha. Iglesias pondera, contudo, que a carne bovina vem perdendo competitividade frente às proteínas concorrentes, especialmente o frango.

Mercado futuro reforça expectativa positiva

O mercado futuro também acrescenta um componente positivo ao cenário.

Na B3, o contrato do boi gordo com vencimento em outubro de 2026 encerrou a segunda-feira (10) em R$ 356/@, valorização de 0,78% na sessão.

Embora o mercado físico não apresente altas generalizadas, a combinação entre oferta restrita de animais terminados, escalas ainda curtas e dificuldade da indústria para ampliar as programações mantém o equilíbrio mais favorável ao vendedor.

Para o pecuarista, portanto, o ponto central das próximas semanas será acompanhar a evolução das escalas. Caso a disponibilidade de boiadas continue limitada e a demanda dos frigoríficos aumente, novas tentativas de alta da arroba podem ganhar espaço em mais regiões. Por outro lado, escalas mais longas dariam maior poder de negociação à indústria.

Neste momento, os dados mostram um mercado firme, com altas regionalizadas e referência paulista preservada ao redor de R$ 350/@, enquanto o boi destinado à China mantém prêmio sobre o animal comum.

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