Oferta restrita e escalas de cinco a seis dias úteis sustentam os preços; consultorias veem resistência às tentativas de baixa, mesmo com consumo interno mais lento.
O boi gordo chega ao final da semana com preços sustentados e valorizações em diferentes regiões do país. No levantamento de quinta-feira (22), a Agrifatto identificou altas em 10 das 17 praças monitoradas, enquanto as demais permaneceram estáveis. Em São Paulo, a referência da consultoria seguiu em R$ 390 por arroba, a prazo, mostrando a resistência do mercado físico às tentativas de redução dos frigoríficos.
A sustentação vem principalmente da disponibilidade limitada de animais terminados. Embora o consumo doméstico mais fraco tenha reduzido o ritmo dos reajustes, a indústria ainda encontra dificuldades para alongar suas programações de abate. O cenário mantém o pecuarista em posição favorável nas negociações, com espaço para valorizações pontuais, conforme a necessidade de compra de cada unidade.
Oferta curta mantém sustentação da arroba
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, as escalas de abate permanecem concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte das regiões. Esse intervalo ainda não oferece conforto às indústrias e ajuda a preservar a firmeza das cotações.
O movimento de valorização, porém, ficou menos intenso ao longo da semana. Com o avanço da segunda quinzena e a desaceleração do consumo de carne bovina, os frigoríficos demonstram maior cautela para elevar suas ofertas.
“Nesse ambiente, o viés permanece positivo, mas os avanços tendem a ocorrer de maneira mais seletiva”, avalia Iglesias.
Na leitura da Agrifatto, a oferta enxuta também explica por que a pressão baixista não tem se traduzido em recuos generalizados no mercado físico. Na quinta-feira, houve valorização em Acre, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.
Confira as referências do boi gordo
As médias informadas pela Safras & Mercado para quinta-feira (22) registraram pequenos avanços nas cinco regiões relacionadas no levantamento:
Estado Preço médio da arroba Referência anterior São Paulo R$ 384,47 R$ 384,40 Goiás R$ 370,32 R$ 370,11 Minas Gerais R$ 378,71 R$ 378,53 Mato Grosso do Sul R$ 379,77 R$ 379,43 Mato Grosso R$ 359,26 R$ 358,92
As referências das consultorias podem apresentar diferenças em função das condições comerciais e dos critérios de levantamento. Por isso, a média paulista da Safras e a cotação a prazo informada pela Agrifatto devem ser consideradas dentro de suas respectivas bases.
Retenção de fêmeas reforça a restrição de oferta
A Scot Consultoria acrescenta outro componente à sustentação dos preços: a menor disponibilidade de fêmeas para o abate.
Segundo a consultoria, outubro apresenta historicamente menor participação dessas categorias nos abates, em associação com a estação de monta. Neste ano, a maior atratividade econômica da cria oferece um incentivo adicional à manutenção das matrizes nas propriedades.
Esse comportamento restringe a oferta à indústria e ajuda a contrabalançar a demanda doméstica mais lenta. Parte dos frigoríficos, de acordo com a Scot, chegou a se afastar das compras para aguardar uma definição mais clara do mercado, mas a disponibilidade ajustada de bovinos continua sustentando a arroba.
Exportações podem dar novo impulso ao mercado
A demanda externa permanece entre os principais fatores acompanhados pelas consultorias para os próximos negócios. A Safras & Mercado aponta expectativas positivas em relação às compras chinesas no último trimestre, embora essa possibilidade dependa da efetiva movimentação dos importadores.
A Scot ressalta que nem todos os compradores voltados à China haviam retomado suas aquisições. A consultoria também relata aceleração dos embarques brasileiros de carne bovina na segunda semana de outubro, mas pondera que os dados preliminares ainda não permitem identificar quanto desse movimento corresponde ao mercado chinês.
Assim, uma retomada mais ampla das compras externas pode reforçar a disputa por animais, mas ainda deve ser tratada como uma possibilidade, e não como demanda já consolidada.
Carne no atacado limita a velocidade das altas
No atacado, a movimentação dos preços segue mais contida. Segundo a Safras & Mercado, a ponta de agulha subiu R$ 0,25 na quinta-feira, para R$ 21,00 por quilo. O quarto dianteiro permaneceu em R$ 22,30/kg, e o traseiro, em R$ 29,50/kg.
O consumo mais lento na segunda metade do mês e a concorrência das carnes de frango e suína reduzem o espaço para repasses mais expressivos. Essa dificuldade ajuda a explicar a postura cautelosa dos frigoríficos na compra da matéria-prima.
Para o fechamento da semana, o quadro é de arroba firme, oferta limitada e valorizações seletivas. A intensidade dos próximos avanços dependerá da necessidade de recomposição das escalas e da evolução das vendas de carne, especialmente para exportação.
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