Scot aponta avanço de R$ 5/@ por arroba no mercado paulista, enquanto Safras relata negociações a R$ 400@; escalas de cinco a seis dias úteis mantêm frigoríficos sob pressão.
O mercado do boi gordo voltou a registrar valorização nesta quarta-feira (28), com a oferta restrita de animais terminados dificultando a recomposição das escalas de abate. Em São Paulo, a Scot Consultoria apurou aumento de R$ 5 por arroba, enquanto a Safras & Mercado relatou maior frequência de negócios a R$ 400/@, valor que ainda não representa a referência predominante no estado.
O movimento revela uma disputa entre a necessidade de compra dos frigoríficos e a dificuldade de repassar novos aumentos à carne. Enquanto a disponibilidade limitada de boiadas favorece os pecuaristas nas negociações, o consumo doméstico mais lento no encerramento do mês impõe limites às margens da indústria.
As avaliações de Scot Consultoria, Safras & Mercado e Agrifatto convergem em um ponto: a oferta curta continua sustentando a arroba, mas a continuidade da alta dependerá também do escoamento da carne e do ritmo das exportações.
Scot aponta alta de R$ 5 por arroba em São Paulo
Segundo o levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão para exportação passou a R$ 385/@ no mercado paulista. O chamado boi-China, que atende às exigências do mercado chinês, chegou a R$ 390/@. Ambos avançaram R$ 5/@ na comparação diária.
As referências são de valores brutos e pagamento a prazo. Entre as fêmeas terminadas, a valorização foi de R$ 2/@, levando a vaca a R$ 357/@ e a novilha a R$ 372/@.
Categoria Cotação em São Paulo Variação diária Boi gordo sem padrão-exportação R$ 385/@ +R$ 5/@ Boi-China R$ 390/@ +R$ 5/@ Vaca gorda R$ 357/@ +R$ 2/@ Novilha gorda R$ 372/@ +R$ 2/@
“A oferta de boiadas está curta e pecuaristas têm negociado a preços favoráveis diante desse cenário”, observa a Scot.
A consultoria identifica diferenças na atuação dos compradores. Frigoríficos maiores, com contratos estabelecidos e menor urgência de aquisição, ainda conseguem negociar na referência ou abaixo dela. Já abatedouros menores, que dependem mais das compras imediatas, têm desembolsado valores superiores.
Negócios a R$ 400 ganham frequência, segundo Safras
Na avaliação do analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, as escalas de abate permanecem, em grande parte, entre cinco e seis dias úteis. A programação enxuta mantém a necessidade de aquisição de animais e dificulta tentativas de pressionar as cotações.
Nesse ambiente, negociações a R$ 400/@ tornaram-se mais frequentes em São Paulo, segundo o analista. Esse patamar, porém, ainda não corresponde ao preço predominante no estado.
A distinção é importante para a leitura do mercado: negócios específicos podem superar as referências médias conforme as características do lote, as condições comerciais e a urgência do frigorífico comprador.
No levantamento apresentado pela Safras, os preços médios foram:
Estado Preço médio da arroba São Paulo R$ 389,25 Minas Gerais R$ 381,76 Mato Grosso do Sul R$ 381,59 Goiás R$ 375,32 Mato Grosso R$ 365,1
Agrifatto vê sustentação mesmo com consumo mais lento
A Agrifatto indicou o boi gordo paulista a R$ 390/@, a prazo. Nas outras 16 regiões monitoradas, a média avançou ligeiramente para R$ 372,80/@.
Entre as 17 praças acompanhadas, houve valorização no Pará e no Tocantins, enquanto as demais permaneceram estáveis na quarta-feira.
Para a consultoria, a disponibilidade limitada de animais terminados continua dificultando compras abaixo das referências. Ao mesmo tempo, o escoamento mais lento da carne no atacado reduz a capacidade dos frigoríficos de absorver novos reajustes sem comprometer a rentabilidade.
A expectativa da Agrifatto é de recuperação gradual da demanda no início de novembro, movimento que poderá favorecer a retomada das compras e oferecer sustentação adicional à arroba.
China e exportações entram no radar para novembro
Segundo Iglesias, a expectativa de maior volume de exportações para a China em novembro e dezembro está entre os fatores que podem sustentar o mercado no último bimestre.
Essa possibilidade pode estimular a contratação de boiadas pelas indústrias exportadoras. Entretanto, o analista pondera que a intensidade do movimento dependerá da administração das cotas chinesas e do ritmo efetivo de contratação dos frigoríficos.
Trata-se, portanto, de uma expectativa de demanda, cuja confirmação será importante para determinar a força das compras nas próximas semanas.
Carne no atacado limita novos reajustes
Apesar da valorização do animal terminado, o mercado atacadista de carne bovina apresentou estabilidade na quarta-feira, conforme a análise da Safras.
As referências ficaram em:
- Quarto dianteiro: R$ 22,30/kg;
- Quarto traseiro: R$ 29,50/kg;
- Ponta de agulha: R$ 21,00/kg.
A concorrência com carne de frango e cortes suínos restringe o espaço para aumentos, especialmente em um período de menor disponibilidade de renda das famílias.
Para o pecuarista, o cenário mantém condições favoráveis de negociação onde a indústria precisa preencher escalas. A decisão de venda, contudo, deve considerar o preço efetivamente oferecido, o prazo de pagamento, os descontos e o custo de manter os animais na propriedade.
A oferta curta sustenta a arroba neste momento; a velocidade das próximas altas dependerá da capacidade de vender a carne no Brasil e no exterior.
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