Boi gordo chega a R$ 380/@ e bate recorde em série de mais de 30 anos, aponta Cepea

Indicador Cepea/Esalq alcança máxima histórica com oferta restrita de animais para abate; valorização acumula 10,4% desde o início de setembro

O mercado do boi gordo atingiu um novo marco de preços em São Paulo. Na quinta-feira (15), o Indicador Cepea/Esalq chegou à casa dos R$ 380 por arroba, alcançando o maior valor nominal da série histórica iniciada em 1994. O movimento reforça a dificuldade dos frigoríficos para comprar animais terminados em um cenário de disponibilidade limitada.

Desde o início de setembro, a valorização acumulada é de 10,4%, segundo os dados apresentados no levantamento. Para o pecuarista, o avanço melhora a receita com a venda do boi terminado, mas exige atenção ao custo de reposição: vender mais caro não significa, necessariamente, ampliar a margem na mesma proporção.

Oferta curta sustenta a alta da arroba

A principal sustentação dos preços vem da oferta de bovinos prontos para abate abaixo da necessidade de compra das indústrias, conforme a avaliação atribuída aos pesquisadores do Cepea.

Esse desequilíbrio mantém a disputa pelos lotes disponíveis. Mesmo diante das incertezas sobre o ritmo das compras chinesas, a restrição de animais tem limitado o espaço para pressão de baixa no mercado.

O quadro também reflete decisões tomadas anteriormente pelos produtores. O receio de enfraquecimento da demanda externa levou parte dos pecuaristas a adiar a entrada de animais nos confinamentos, reduzindo a disponibilidade de bovinos terminados neste momento.

Somam-se a esse cenário os custos mais elevados de reposição, que apertam as contas da engorda, e as exportações de gado vivo, apontadas no levantamento como outro componente de redução da disponibilidade de animais no mercado brasileiro.

Demanda externa ajuda a manter a disputa pelo boi

A China continua sendo uma variável importante para a pecuária brasileira. Entretanto, o comportamento da arroba depende também das compras de outros destinos e da quantidade de animais efetivamente disponível para as indústrias.

Segundo a análise apresentada, mercados como os Estados Unidos ampliaram a procura pela carne bovina brasileira, ajudando a sustentar os embarques diante da desaceleração das compras chinesas.

Na prática, a combinação entre demanda internacional e oferta ajustada mantém a necessidade de aquisição de matéria-prima pelos frigoríficos, mesmo com mudanças na participação de cada comprador.

Consumo interno ganha importância na reta final do ano

O mercado doméstico também participa da sustentação das cotações. O levantamento aponta maior consumo de proteínas pelas famílias brasileiras, associado à disponibilidade de renda.

A aproximação das festas de fim de ano acrescenta uma variável relevante: o período costuma elevar a procura por carnes e pode reforçar a necessidade de abastecimento das indústrias e do varejo.

Isso, porém, não torna a continuidade da alta automática. A capacidade de repassar os preços da matéria-prima para a carne será importante para o equilíbrio do mercado, assim como o ritmo dos embarques e a entrada de novos lotes para abate.

O que o recorde representa para o pecuarista

O patamar de R$ 380 é uma referência do indicador paulista. Não significa que todos os produtores estejam recebendo esse valor, já que as negociações variam conforme região, padrão dos animais, prazo de pagamento, frete e condições comerciais.

Também é necessário distinguir os conceitos: o recorde é nominal, sem descontar a inflação. Portanto, a máxima da série não representa, por si só, o maior poder de compra da arroba na história.

Para quem trabalha com recria e engorda, o resultado depende principalmente da diferença entre o valor de venda do animal terminado e os gastos com reposição, alimentação e permanência na propriedade. A arroba valorizada melhora a receita, mas a margem continua sendo definida pela conta completa da operação.

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