Boi gordo chega a R$ 360/@ e mercado ganha força para novas altas

Negócio em Bofete marca novo patamar para setembro, enquanto Indicador DATAGRO avança para R$ 352,37/@ e contratos futuros seguem negociados com prêmio sobre o físico. Oferta ajustada continua dando sustentação à arroba.

O mercado do boi gordo ganhou mais um sinal de força. Em São Paulo, foi reportada nesta terça-feira (15) uma negociação de R$ 360 por arroba, à vista, em Bofete, com embarque imediato, estabelecendo um novo patamar para o período. Ao mesmo tempo, o Indicador do Boi DATAGRO avançou 0,46% no estado, para R$ 352,37/@, reduzindo praticamente toda a distância que existia nos últimos dias em relação ao contrato futuro de setembro.

O movimento reforça uma característica que vem marcando setembro: mesmo com frigoríficos tentando administrar as compras e evitando movimentos mais agressivos, a disponibilidade controlada de animais terminados e a resistência dos pecuaristas às ofertas abaixo das referências vêm sustentando a arroba. A Agrifatto também aponta que negócios acima da referência seguem ocorrendo no mercado paulista, embora o volume ainda não seja suficiente para consolidar esses preços como padrão.

R$ 360/@ aparece no físico e diferença para o futuro diminui

O negócio registrado pelo Compre Rural em Bofete (SP), a R$ 360/@ à vista, chama atenção justamente porque ocorre em um momento de aproximação entre o mercado físico e os vencimentos mais próximos da B3.

No Indicador DATAGRO, São Paulo subiu 0,46%, para R$ 352,37/@. O valor ficou muito próximo do BGIU26, contrato com vencimento em setembro. A diferença observada entre físico e futuro dias atrás praticamente desapareceu, mostrando a velocidade com que o mercado disponível respondeu às expectativas já incorporadas nos contratos.

Nas demais praças acompanhadas pela DATAGRO, o comportamento foi misto. O maior recuo ocorreu no Tocantins, de 0,42%, para R$ 340,59/@.

A movimentação também representa avanço sobre as referências observadas anteriormente. Dados apresentados pela Safras & Mercado apontavam São Paulo em R$ 351/@, enquanto Goiás estava em R$ 342,86/@, Minas Gerais em R$ 337,12/@, Mato Grosso do Sul em R$ 347,84/@ e Mato Grosso em R$ 331,08/@.

Escalas aumentam, mas ainda não indicam folga confortável

Um ponto que merece atenção é o comportamento das escalas de abate. Segundo o Agrobrazil, a média avançou de 6,42 para 7,04 dias úteis. Apesar do aumento, continua abaixo da média móvel dos últimos 15 dias.

A situação mais apertada entre as regiões acompanhadas está em Mato Grosso do Sul, com 5,94 dias úteis.

Na prática, a ampliação das escalas dá algum espaço para os frigoríficos administrarem as compras, mas ainda não configura uma oferta suficientemente confortável para provocar uma mudança clara de direção no mercado. Essa disputa ajuda a explicar por que aparecem negócios acima das referências médias quando uma indústria precisa completar sua programação.

A Safras & Mercado também observa que frigoríficos de maior porte contam com animais de parceria e confinamentos próprios, o que permite administrar melhor as escalas. Ao mesmo tempo, o setor acompanha o comportamento dos preços no atacado e o ritmo das exportações.

B3 mantém prêmio importante para os próximos meses

O principal combustível para as expectativas do pecuarista continua vindo do mercado futuro. Dados do Imea apresentados no material consultado mostram que, na segunda semana de setembro, os contratos para outubro e dezembro de 2026 registravam médias de R$ 378,69/@ e R$ 384,49/@, respectivamente — altas de 5,93% e 5,43% na comparação apresentada pelo instituto.

A leitura do Imea é de que os contratos refletem a expectativa de menor disponibilidade de animais prontos para abate nos próximos meses, em meio à retenção de fêmeas e a uma oferta potencialmente mais restrita. O período de entressafra dos animais terminados a pasto também entra nessa equação.

Esse prêmio é particularmente importante porque interfere na estratégia de venda. Com contratos futuros próximos ou acima de R$ 380/@, parte dos pecuaristas encontra argumento para segurar animais que ainda possuem margem de permanência no sistema, aumentando a resistência diante de ofertas mais baixas no físico.

Exportações e atacado são os pontos de atenção

Nem todos os fundamentos, porém, apontam na mesma direção. O mercado atacadista enfrenta uma segunda quinzena tradicionalmente mais desafiadora para o consumo, enquanto proteínas concorrentes, como carne suína e frango, continuam limitando o espaço para repasses adicionais da carne bovina ao consumidor.

Também há atenção sobre as exportações. Nas duas primeiras semanas de setembro, os embarques brasileiros de carne bovina in natura somaram 79,7 mil toneladas, média diária de 9,9 mil toneladas, segundo os números apresentados pela Agrifatto no material analisado.

Mesmo diante desses fatores, o mercado físico chega à metade de setembro sustentado. A arroba de R$ 360 registrada em Bofete não deve ser interpretada isoladamente como uma nova referência geral para São Paulo, mas ganha importância quando aparece simultaneamente ao avanço do Indicador DATAGRO e à redução da diferença entre físico e futuro.

O cenário, portanto, entra nos próximos dias com uma disputa bastante clara: frigoríficos tentando alongar escalas e controlar custos de aquisição, enquanto pecuaristas encontram no mercado futuro e na oferta ajustada argumentos para resistir às propostas menores. Se novos negócios próximos de R$ 360/@ começarem a aparecer com maior frequência, o mercado poderá confirmar um novo degrau de preços para a arroba paulista.

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